O filho de papai e o filho do favelado

Em uma cidade nem tão distante daqui existiam duas famílias tradicionais.


Uma era rica, se gabava de ter consolidado uma estrutura e de ter superado todas as intempéries financeiras por que havia passado.


O filho não poderia se queixar de seu "kit" para ter sucesso e vencer na vida: tinha de tudo que precisava, melhor escola, melhor cursinho, chofer para levar às aulas e buscar, fim de semana no clube granfino, carnaval no litoral e férias no exterior.


A outra família possuía uma história menos glamorosa. Durante um tempo tinha alguma relevância na sociedade, mas o tempo, as dívidas e os erros de seus membros fizeram com que ela caísse praticamente na sarjeta. Não sobrou nada além da tradição.


Mudaram-se para um bairro de periferia e tiveram de tirar o filho da escola particular. Além de estudar num colégio estadual, o filho ainda tinha de fazer uns bicos para ajudar no orçamento de casa.


O filho de um criado no conforto; o filho do outro, talhado na dureza. Um tinha tudo e o outro precisava buscar tudo que quisesse ter.


Getty Images
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No futebol como na vida, dinheiro é bom, mas sozinho serve para muito pouca coisa


Então, chegou a hora de fazer a passagem da adolescência para a vida adulta. Tomar decisões, crescer.


E o filho filhinho de papai não deu conta.


Papai deu tudo, menos a atenção devida: viajava muito, saía com os amigos, cuidava de ganhar mais dinheiro e, para isso, pouco parava em casa. O filho fazia o que queria e quando queria.


O "filho do favelado" - como chamavam na escola particular o menino que ficou pobre -, ao contrário, cresceu de verdade. Com dificuldades, superando os dramas, a falta de grana, mas com muito esforço e brio.


Um dia os dois rapazes cruzaram seus destinos. E o papai pai do filhinho de papai não entendeu quando aquele moleque "filho do favelado" tomou a vaga do seu menino tão bem criado.


Coitado. Ele não sabia que ele era o pobre da história. Pobre, tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro.


P.S.: Caso não tenha captado o espírito do texto, a história fica explicada se você clicar aqui


LINCOLNEANAS

* * * * * Já discuti neste Blog sobre o fato de jogadores contratados que tinham feito boas campanhas recentemente fracassarem no Goiás e depois ressurgirem em outros times. Wesley Matos, do Vila Nova, é só mais um exemplo. 


* * * * * Olha que coincidência sintomática: no início de agosto do ano passado, a diretoria esmeraldina afastou jogadores para treinar separamente, como agora também. 


* * * * * Pensando então nas duas Lincolneanas anteriores: será que não seria o caso agora de a diretoria se afastar? Proponho que façamos o teste.