Interditado, Serra Dourada tem a chance de renascer

Demorou, mas o Estádio Serra Dourada tem agora a oportunidade de reconquistar parte de seu passado glorioso.


O maior palco do futebol goiano foi interditado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), depois do tétrico espetáculo protagonizado pelas torcidas organizadas de Goiás e Vila Nova no sábado.


Não tinha como ser diferente. Está tudo errado ali. Não há conforto, não há segurança, não há qualquer perspectiva positiva.


Ao ser preterido injustamente como subsede da Copa do Mundo – porque, apesar dos pesares, nem se compara a qualidade e a tradição de nossos clubes às dos times das demais praças do Centro-Oeste –, o Serra deixou de ganhar uma chance de ganhar nova vida.


Como consolação, o governo estadual disse na ocasião que o reformaria, apresentaram-se maquetes e projetos, mas nada saiu de fato do papel. O que houve, desde sua inauguração em 1975, foram apenas retoques e uma "passada de batom". 


Com o crescimento da violência, bem como das exigências da Fifa, o gigante goiano perdeu seu espaço. Tornou-se obsoleto e inseguro. As famílias deixaram de ter segurança e o torcedor em geral, de ter prazer em ir lá ver seu time. 


Igor Balduíno
Igor Balduíno

Estádio desconfortável, inseguro e vazio: esta tem sido a realidade do Serra Dourada nos últimos anos


Claro que é uma derrota para nós, goianos. Uma perda imensa, até de parte de nossa autoestima como povo. Mas foi preciso alguém "de fora" intervir para que haja, de fato, um olhar para o estádio.


Entretanto, eu tenho cá minhas dúvidas sobre o "tempo de reação" do poder público – afinal, o estádio é do Estado – até pôr mãos à obra. Não é de todo errado esperar que haja uma fase "autódromo de Goiânia" (que foi fechado e abandonado por mais de dez anos, até ser reformado e reinaugurado) também para o Serra.


Como praça esportiva, por enquanto o Estádio Olímpico servirá bem aos jogos de Atlético, Goiás e Vila Nova. Nenhum dos clubes tem hoje atrativo para lotar o Serra Dourada. As dimensões do Olímpico cabe bem ao tamanho que reduziram o futebol de nosso Estado.


LINCOLNEANAS

* * * * * O que falar do Goiás, depois de mais uma derrota vexatória? O de sempre. O mesmo. O repetido. Falta ao time tudo o que precisaria ter um clube de tradição e respeito e que quer voltar a seu lugar merecido. Tem hora que cansa demais bater na mesma tecla, porque sabemos que nosso clube tem dono. Nossa triste sina é torcer pelo acaso.


* * * * * Por isso mesmo, respeito aqueles que decidiram não sofrer mais e pararam de ir aos jogos ou até mesmo decidiram deixar de acompanhar o Goiás de vez. E esse movimento continua crescendo. 


* * * * * Presidente Sérgio Rassi, chegando de viagem por conta de sua profissão, diz que providências sérias serão tomadas. Ou então ele sai do cargo. Eu aposto na terceira alternativa.


* * * * * Marcelo Rangel falhou grotescamente em dois lances e foi o culpado direto pela derrota para o Juventude. Os outros – todos são indiretos, mas não menos culpados. Do alto do conselho deliberativo ao jogador que só quer saber de rachão.