Victor Bolt não merece vestir a camisa do Goiás

O que falar sobre a derrota de sábado? Tanta coisa, mas muita mesmo. Como a maior parte seria repetir o que todos já sabem e já comentaram, vou deixar o resumo do restante para as Lincolneanas.


Neste texto, vou centrar em um fato que realmente me abalou na partida – para mim, especialmente, uma tarde de Serra Dourada para esquecer. 


Diz respeito a Victor Bolt. Sou geralmente calmo no estádio e há muito um alguém em campo não me tirava do sério na arquibancada. Mas nunca xinguei tanto na vida um jogador como fiz sábado com esse sujeito, que definitivamente não merece vestir a camisa do Goiás. 


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Victor Bolt não merece vestir a camisa do Goiás e deveria se tratar antes de voltar a jogar profissionalmente


Não é questão de o indivíduo ter errado grotescamente duas vezes na mesma partida e, com isso, proporcionado os dois gols da vitória do arquirrival. Isso é do futebol e da qualidade que cada um tem – ou deixa de ter.


O que me tirou a lucidez – e também a voz, desde o jogo – foi ver esse cidadão novamente agredir um companheiro de profissão. No caso, seu colega de ex-clube Moisés, atingido por uma cotovelada.


Na partida contra o Boa Esporte – quando fez um belo gol abrindo o placar, diga-se – esse sujeito desferiu, dentro da área esmeraldina, um soco sem justificativa algum na nuca de um jogador adversário quando a partida estava com o placar de 3 a 1.


A câmera da TV mostrou a agressão, que certamente resultaria em pênalti e expulsão, caso a arbitragem tivesse flagrado. Uma irresponsabilidade que poderia custar caro para o Goiás.


Mas o fato passou em branco após o jogo, tanto para a torcida como para a imprensa e a CBF, mas no clássico sua truculência sem motivo se mostrou de novo.


Isso que ele faz em campo não tem a ver com raça, com gana, com vontade. É insanidade que aflora, é maldade mesmo.


Quer saber? Victor Bolt não deveria jogar futebol pelo Goiás, nem por time profissional algum, nem pelada com amigos. Antes de tudo, deveria se tratar.


Bolt permanecer no elenco, depois de toda essa ficha corrida, é só mais uma prova de que não temos presidente, diretor de futebol, não temos treinador, não temos comando, enfim.


Isso é só mais um sinal de que o Goiás segue firme sua trilha rumo ao ostracismo. E a torcida continua minguando, impotente diante de tudo. Os que insistem acabam no picadeiro pensando ter ido ao estádio.


LINCOLNEANAS

* * * * * Aproveito para pedir desculpas a torcedores com os quais discuti na arquibancada, que vieram defender o tal Victor Bolt. Talvez agora, vendo as imagens das agressões recorrentes, possam ter noção de que o fato não tem nada a ver com torcer incondicionalmente pelo clube e, por isso, evitar xingar jogador.


* * * * * A briga entre torcidas organizadas no fim do jogo era anunciada. Afinal, não havia policiamento na geral e foi lá que houve outras pancadarias que tiraram mandos de campo do Goiás, em anos anteriores. Não será diferente agora. Faltam os três "E"s: educação (de berço, da parte de quem briga), estratégia (da PM, que foi incompetente no planejamento da segurança) e estrutura (do Serra Dourada, que de orgulho dos goianos virou um estádio ultrapassado e decadente).


* * * * * Sobre o resultado? Previsível, embora não admitamos a priori. O Vila Nova tem suas limitações, mas contratou um treinador competente que sabe jogar no erro dos adversários. E o que mais tem nesta Série B são times vulneráveis, ruins mesmo. Nós, esmeraldinos, sabemos bem disso.


* * * * * Parece que furou a negociação com o uruguaio Cristian Palacios, que está no Wanderers emprestado pelo Peñarol. A proposta do Goiás foi baixa e outro clube entrou na parada. Que novidade. A pão-duragem e a falta de talento para negociar de sempre. Nunca aprenderão que o barato no fim sai caro? 


* * * * * Silvio Criciúma, você tem o respeito do torcedor por sua trajetória no Verdão. Não macule isso. Reconheça, com humildade, que ainda não é seu momento de assumir o time principal. 


* * * * * O mais doloroso é ver que times que não têm nem 10% da receita do Goiás subirão para a Série A. Nosso clube tem dinheiro, mas não tem gestão. Está à deriva no futebol e corre sério risco de não subir mesmo entupido de grana em relação aos concorrentes.