Vitória fora, G-4 e clássico à vista: tá animado, esmeraldino?

Olhando o resultado, ver um jogo de cinco gols geralmente tende a fazer pensar: putz, foi um partidaço! E se for uma vitória fora de casa de seu time, de forma emocionante? Melhor ainda. E se eu disser que ainda foi pro topo da tabela, com direito a G4, o que pensar?


Tudo isso na rodada anterior ao clássico com o maior rival, que também está no mesmo grupo de elite do campeonato. É de deixar a galera muito motivada, com toda a certeza. Ou não?


Não dá para negar aquele sentimento pré-clássico, realmente. Isso já é instigante por si só. Mas o que o Goiás fez em campo na terça-feira deixa muitos senões na cabeça do torcedor.


Comunicação CNC
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Bola sem dono na área do Goiás: uma constância nos jogos até aqui, e não foi diferente contra o Náutico


Perdi os cinco primeiros minutos de jogo. Chegando em casa e vendo o placar , fiquei animado: 1 a 0, gol do Carlos Eduardo! No restante do primeiro tempo, no entanto, a empolgação deu lugar à agonia: parecia eu estar vendo uma partida de cu de boi, uma brincadeira infantil de futebol na qual só todos chutam num só goleiro. E o goleiro era Marcelo Rangel.


Nosso camisa 1 defendeu até pênalti, mas Everton Sena fez questão de marcar para o Náutico, já que eles não conseguiam. Depois, no segundo tempo, voltamos a ficar à frente do placar e a ceder o empate. Enquanto isso, jogador esmeraldino virava zagueiro em chute de companheiro ao gol. Parecia não ser a noite.


Quando o mais lógico era tomar a virada, Michael fez uma jogadaça pela esquerda, foi à linha de fundo e deu a bola de presente para Jarlan. Um gol do banco de reservas.


Com a combinação de resultados, o Goiás, quase sem querer querendo, foi parar no G-4, em 4º lugar. Na frente da classificação, por um ponto, veja só, o Vila Nova. 


Pela questão da rivalidade acrescida da disputa na tabela, o jogo de sábado tem tudo para ser emocionante. Mas que é estranho ver o Goiás estar entre os melhores da Série B jogando esse futebol desconjuntado, isso é.


Como eu já disse, porém, estamos num campeonato de japoneses. O líder Juventude levou um ippon do Brasil de Pelotas em casa. Até o Internacional vem mostrando ter olho puxadinho.


O duro é ver que, da mesma forma que chegou lá em cima sem fazer força, o tombo pode ser grande para o Goiás - no mundo dos iguais a coisa é assim. Mais incompreensível é ver que a diretoria não parece achar urgência em trazer nomes de peso (repito, "de peso", e não no sentido literal) para fazer a diferença positivamente. Tendo grana e estrutura, por que você quer ser japonês também, Goiás?


Eu pensava que estava fácil subir no ano passado. Mas este ano quebrou o recorde. Vão bastar três bons jogadores, daqueles que serviriam se o time estivesse na Série A - como servirão Rangel e Tiago Luís, se a gente chegar lá - e um treinador com experiência, à la Geninho, para conseguirmos.


Ganhar do Vila vai ser bom, mas muito melhor será ver que estar no G-4 não é meramente uma obra da ruindade dos adversários e de uma combinação de resultados.


LINCOLNEANAS

* * * * * Falei acima que o Goiás precisa de outro treinador que não Silvio Criciúma. Seria ótimo para ele que a diretoria o convidasse a continuar como auxiliar técnico direto daquele que eventualmente viria. Isso não seria humilhação alguma. Pelo contrário, demonstraria profissionalismo de todos os envolvidos.


* * * * * De qualquer forma, torço muito por Silvio, pela pessoa que ele é e pelo profissional fora do gramado que pode vir a ser. E não dá para negar sua estrela: apesar da dificuldade em armar um sistema defensivo consistente, foram os jogadores que ele pôs em campo que concretizaram a vitória no Recife.