Caso Sérgio Soares: o Verde 33 conversou com Osmar Lucindo

Como jornalista, ao ver as declarações graves, feitas via Rádio 730 AM pelo ex-treinador do Goiás, Sérgio Soares, ao diretor de futebol, Osmar Lucindo, a primeira coisa que pensei foi: é preciso ouvir a outra versão.


Então, nesta manhã falei com Osmar Lucindo. Não uma entrevista, mas uma conversa – infelizmente, ele não autorizou a divulgação do conteúdo. 


Rosiron Rodrigues/Goiás EC
Rosiron Rodrigues/Goiás EC

Diretor de futebol Osmar Lucindo: conversa, sim; entrevista, não


Osmar está chefiando a delegação do Goiás em Belém, onde vamos jogar contra o Paysandu nesta sexta-feira. Assim como não quis ser entrevistado por este Blog, disse que não vai falar a nenhum veículo de comunicação e que está concentrado na equipe. 


Pode ser até que mude de ideia, mas por questão ética, claro que não vou divulgar o conteúdo da conversa. Só o que posso dizer é que ele também teria coisas sérias a falar sobre o acusador e as acusações. Pena que não queira expor.


Em todo o caso, que Sérgio Soares disse a respeito da gestão de futebol no Goiás – a que eu chamo de jestão – é gravíssimo. Gravíssimo, sim, mas nenhuma novidade para quem acompanha o clube há décadas.


Justamente por isso, posso dizer: o problema não é Osmar Lucindo, assim como não era Harlei, não era Felipe Ximenes, não é Sérgio Rassi, nem era João Bosco, Pedro Goulart ou Syd de Oliveira Reis. 


O problema é o esteio de tudo isso. Aquilo que fez o Goiás ser o que era (em determinado momento, o maior clube fora do Eixo SP-RJ-MG-RS) e faz o Goiás ser o que é hoje, um sério candidato à guaranização.


Nosso drama de origem é o serrinhismo. Essa palavra que eu inventei não é sinônimo de pinheirismo, mas uma consequência dele.


O que ela significa, então? Que mesmo que sem Hailé Pinheiro – o autor da ascensão e da queda do Maior do Centro-Oeste – vamos continuar a sofrer as sequelas de seu modo de gerir o clube, como se fosse sua fazenda, sem conseguir fazer diferenciação entre um gestor de futebol profissional e um veterinário.


Essas sequelas permanecerão no pós-Hailé porque temos, por exemplo, uma formatação antidemocrática do clube, cujo estatuto não dá direito mesmo aos sócios-proprietários de eleger diretamente o presidente – imaginem o sócio-torcedor, então.


Mas vão estar também, muito provavelmente, introjetadas na cabeça de quem assumir o posto de real mandatário. Algo muito semelhante a uma lavagem cerebral.


No fim de tudo, após ouvir Osmar Lucindo, ainda que, repito, não possa publicar o conteúdo, tenho de absolvê-lo: acusações à parte, os argumentos são os que qualquer diretor de futebol do Goiás traria.


Ele está lá porque acredita no que faz e acredita que faça o melhor. Como Harlei também. E qualquer um sabe como é difícil convencer quem já está convencido de sua verdade.


Claro, há um tanto bom de vaidade, como no de Harlei. Mas, assim como Harlei e todos os anteriores, assim como Rassi e todos os seus antecessores, Osmar só está lá porque houve o sinal verde da família Pinheiro.


O Goiás é um clube totalmente atípico. É como uma Coreia do Norte no meio do Cerrado, fechado em seus muros, vivendo seu próprio mundinho, onde quem está lá sofre a propaganda intensa do regime achando tudo bom e pensando que faz tudo da melhor forma. Se for contestado – o que é sempre uma "injustiça" –, elimina qualquer culpa sobre seu próprio destino, se queixando do "embargo do exterior".


Diante de tudo isso, enfim, o que nós torcedores podemos fazer? Torcer. E aí, vamos ganhar do Papão? 


LINCOLNEANA

* * * * * Depois do que disse Sérgio Soares, só há um caminho para não entrar em crise servera: resultado. A palavra é do próprio Osmar Lucindo, inclusive em entrevista ao repórter Marcelo Mariano, do Jornal Opção, onde trabalho, mas com outro foco. Uma vitória em Belém e o assunto Sérgio Soares fica ultrapassado. É nisso que o diretor de futebol aposta.