Carta do torcedor aos jogadores do Goiás Esporte Clube

Caros jogadores do Goiás Esporte Clube,


Começo com a palavra “caros” por outro motivo, além do uso natural para saudação em uma carta: é que o custo de vocês tem sido alto e inútil, porque o que vemos em campo é um arremedo de time. Vocês são caros demais pelo que produzem..


Quero que vocês voltem no tempo e se lembrem daquela primeira peneirada em que foram aprovados, da primeira categoria de base do primeiro clube: quantos daqueles meninos que começaram com vocês vivem hoje do futebol?


Vocês realizaram um sonho de uma pequeníssima parcela de meninos assim. De cada cem garotos que deixam a escolinha para entrar na base do Goiás, posso garantir que apenas um ou dois vão se profissionalizar. Vocês sabem bem disso, talvez só não se toquem.


Da mesma forma ocorre nos outros times. Concluindo, Léo Sena ou Victor Bolt ou Léo Gamalho ou qualquer outro aí: vocês são PRIVILEGIADOS! Pensem no que vocês eram antes do futebol e o que são hoje. Pensem no tanto de menino bom de bola, até melhor que vocês, e que ficou pelo caminho, às vezes apenas por falta de sorte.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Pose para fazer a obrigação de ganhar o tri do Goianinho – um campeonato sem 'intensidade'


Muitos de vocês estão só no começo da estrada, outros já viveram bastante. Infelizmente, parecem ter aprendido – alguns cedo demais – as malandragens do futebol. Entre elas, a da combinação para derrubar treinador.


Eu não sou presidente do Goiás, mas, se eu fosse, em vez de me admirar pelos risinhos e aplausos no WhatsApp pela troca de técnico, eu daria um esporro personalizado, em cada um de vocês.


Chamaria um por um na minha sala e olhando no olho falaria tudo aqui que está entalado na garganta e bateria a mão na mesa. Salário em dia, cama, mesa e banho, estrutura 100%, bicho por vitória e vocês ficam de sacanagem?


Se fossem crianças, eu diria que vocês mereceriam aquela palmadinha na bunda e a suspensão da mesada por tempo indeterminado. Mas vocês não são crianças: são adultos mimados, a pior das espécies de adultos.


Então, sr. Bolt e cia. acharam ruim a “intensidade” do professor Sérgio Soares? Não estavam se "adaptando"? Ah, não digam! Deixa eu falar uma coisa então, aqui no parágrafo abaixo:



Sabem qual é a intensidade do esforço do cidadão que sai de casa numa tarde de sábado ou numa noite de meio de semana, encara ônibus, trânsito, violência, estádio caindo aos pedaços, para ir ver o jogo frouxo de vocês lá no Serra Dourada?  simplesmente para estar na arquibancada e torcer pela camisa que vocês vestem!



Não é de ficar puto da vida se lembrar de que 90% de vocês, adultos mimados, ganham um salário muito maior do que 90% dessas pessoas, eu incluído, para nos fazerem a todos de palhaços?


A carapuça é para todos vestirem. Tem tamanho universal. Ah, têm uns que são profissionais de verdade – bom, esses vão pagar pela conivência de aceitarem esse ambiente.


Não vamos vestir mais é a roupa de torcedor paciente nem vamos mais esperar a diretoria se despir do eterno terno da (contando até 10 para escrever...) passividade.


A paciência acabou. Agora é simples: vocês perderam 10 de 12 pontos dos quatro primeiros jogos? Virem-se para ganhar 10 dos 12 dos próximos quatro.


É que a “intensidade” da cobrança vai ser outra. Ah, vai.


(Nem tão) cordialmente, 


Elder Dias
Torcedor do Goiás Esporte Clube