Novo treinador: não havia opção melhor do que Silvio Criciúma

Na sexta-feira, entrevistado pelos repórteres após o empate com o Brasil de Pelotas (RS), Sérgio Rassi disse que não havia a possibilidade de Silvio Criciúma ser efetivado como treinador do Goiás, no caso de uma saída de Sérgio Soares.


"Mas ele (Silvio) é um treinador que vai ter sua hora, o estamos preparando para o futuro", afirmou o presidente do Goiás.


Com o anúncio da demissão de Soares e da efetivação de Silvio Criciúma poucas horas depois, podemos considerar que o "futuro" era o dia seguinte. Eu acreditaria que a declaração de Rassi fosse um blefe, se acreditasse também que ele fosse um malandro do futebol, mas não é.


A primeira pergunta, então, é: o que mudou da noite de sexta-feira para a tarde de sábado? O modus operandi da Serrinha explica, com certeza.


A segunda pergunta, óbvia, é: por que Silvio foi a opção?


Talvez porque não houvesse "opção". 


O que parece acontecer ao Goiás, há tempos, tanto para a vinda de bons jogadores como de treinador de certo renome, é que já não há mais interesse dos contatados em tomar o rumo de Goiânia. 


Nem o salário em dia nem a propalada estrutura têm conseguido atraí-los como antigamente. É que a pessoa procurada sente o cheiro de falta de ambição exalar já na voz que chega pelo áudio do celular.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Silvio Criciúma pode repetir o feito de Walter Nascimento? São 23 anos de diferença e o futebol mudou demais


Nesse sentido, tendo em vista o contexto, não haveria opção no mercado melhor do que Silvio Criciúma, alguém que já é do ambiente, que foi campeão com esse elenco e que sabe lidar com esses jogadores. Do restante ele vai se inteirar com o dia a dia.


Estabelece-se uma parceria que os dois lados entendem como boa: o Goiás vai ter Silvio como treinador na Série B e Silvio será treinado na Série B pelo Goiás.


A situação se assemelha bastante ao que ocorreu em 1994: Walter Nascimento, ex-lateral do clube e então com pequena experiência como treinador, assumiu o time e foi campeão goiano. Na sequência conseguiu o acesso à Série A. 


Semelhante, mas não igual: aquele time de 1994 era composto basicamente por pratas da casa (Kleber, Zé Teodoro, Marcelo Batista, Marcelo Borges, Dill, Richard etc.), com muita identificação com o clube ou com a terra (caso do lateral Augusto e do veterano Baltazar, o Artilheiro de Deus). 


Mais do que isso: lá se vão 23 anos. O Brasil ainda era tricampeão quando Walter ganhou aquele Goianão. A repetição vem em um contexto totalmente diferente e, mais do que isso, desfavorável.


A impressão que dá é real: nosso Goiás está realmente voltando no tempo. Um sinônimo para andando para trás.


E agora? Agora é torcer para que o acaso nos ajude. Nada de novo: com a falta de gestão, é assim que tem sido sempre.


LINCOLNEANAS

* * * * * Eu poderia dizer que faltou sorte a Sérgio Soares. Mas ele teve 40 dias desde que fechou o acordo com o Goiás. Preferiu conhecer seu elenco em cima da hora. Deu no que deu.


* * * * * Três momentos decisivos que o Goiás não aproveitou no jogo de sexta-feira: o gol no início do jogo (levou o empate logo em seguida, por falha do sistema defensivo), o pênalti (desperdiçado por Léo Gamalho) e ter um homem a mais em campo (Jean Carlos, burramente, igualou a situação).


* * * * * Diretoria, reflita e esqueça o Serra Dourada. Vamos mandar nossos jogos no Olímpico. Além da localização e do conforto, é o estádio do tamanho que o Goiás é e precisa hoje.