Faltou avisar o treinador: Goiás não é a Juventus de Turim

Apesar de toda a limitação que o Goiás tem, a eliminação de uma competição importante para nossa autoestima de esmeraldino sempre é dolorosa.


Queremos uma Copa do Brasil, queremos uma Sula, porque a gente sabe que esse é o limite da nossa glória - e um limite alcançável, sim.


O duro é pensar que poderia ter sido diferente, com um pouco mais de organização tática, foco e um treinador com mais malícia para entender a dinâmica do jogo.


Tudo pareceu perfeito no primeiro tempo, principalmente pelo placar do intervalo. Mas só parecia, até porque Marcelo Rangel teve de defender um pênalti logo no início.


Mas o fato grave é que o Goiás não poderia jamais ter se abstido de atacar. Melhor falando, de contra-atacar. Tivemos dois bons contra-ataques, mas o nome para puxá-los estava no banco: Michael. 


Esse foi o erro basilar que desmontaria toda a estratégia de Silvio Criciúma para a partida. Estratégia com a proteção da zaga por dois cabeças de área, até bem pensada, à exceção de um detalhe: não dá para ficar com a bunda encostada no azulejo o tempo todo.


E pensem comigo: como o Goiás foi melhor este ano, atacando ou se defendendo? E você, como treinador, abriria mão de fazer aquilo no qual seu time se dá melhor?


Divulgação / Fluminense FC
Divulgação / Fluminense FC

Henrique é cercado pelos colegas de Fluminense ao comemorar o gol que abriu as portas para o revés de 3 a 0


Silvio pensou assim: se a gente não levar gol, a gente passa. Então, optou por priorizar a defesa.


Só que o Goiás não é a Juventus de Turim e não vai segurar o adversário os 90 minutos. Pare para pensar e vai ver que é uma dedução meio óbvia.


Então, é preciso ter um trunfo, alguém para surpreender o adversário. De preferência, alguém veloz.


Por isso, concluo que o atestado de óbito do Goiás na Copa do Brasil foi assinado ainda no primeiro tempo. Com Aylon (nada contra, mas estava no jogo errado) e sem Michael, ficamos sem qualquer velocidade.


O 3 a 0 foi consequência do que o próprio Goiás planejou para a partida. 


Agora é Goianão. É.


LINCOLNEANAS

* * * * * Silvio Criciúma disse que o resultado não reflete o que foi o jogo. Para mim, foi o placar mais justo possível para um time que se absteve de atacar e que não tem qualidade para se defender.


* * * * * Não crucifiquem o estreante Tony por seu ato de loucura. Ele foi melhor do que Hélder defendendo (o que não é difícil) e pelo menos igual ao ex-titular no apoio. A expulsão, infelizmente, não tem explicação.


* * * * * Pela enésima vez: Léo Sena não é meia. Não do século 21. Tá certo, Silvio?