Como nos velhos tempos, o Serra Dourada foi nosso

Que coisa linda foi a festa da torcida esmeraldina no Serra Dourada! Como é bom ver a grandeza do Goiás se manifestar em seu palco!


Independentemente do que vá ocorrer no Rio, o jogo de ida da 4ª fase da Copa do Brasil já ficará na memória do torcedor pela vitória que resgatou parte de nossa autoestima tão combalida.


Agora, entretanto, como analista, preciso jogar um pouco de água no chope. Foi um resultado totalmente atípico diante do time que temos e das circunstâncias do jogo.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Léo Gamalho domina a bola diante de Renato Chaves, seu marcador implacável durante a partida


Portanto, vale o aviso: não se iluda, esmeraldino. Comemore, mas com o pé no chão. Não estamos prontos para nada ainda.


Antes do gol do Fluminense, Léo cobrou três arremessos laterais na pequena área alviverde. Nenhum foi rebatido de pronto pela defesa - um indício de que a jogada ensaiada dos cariocas não foi devidamente estudada.


No gol, logo aos 9 minutos, Marcos Júnior recebe a bola completamente livre para chegar frente a frente com Marcelo Rangel, por desatenção da zaga, especialmente do lateral Hélder, que o acompanhou de início, mas depois ficou marcando a bola e esqueceu o jogador


Enquanto o Fluminense teve 11 homens em campo, em nenhum momento, mesmo jogando em seus domínios, o Goiás representou perigo real.


Quando Diego Cavalieri foi expulso ao parar Carlos Eduardo no que seria clara chance de gol (embora eu tenha minhas dúvidas), os visitantes já não contavam com Henrique Dourado, que saiu machucado, e o zagueiro Renato Chaves estava sendo atendido fora de campo. Bom, mas o Goiás não tinha nada a ver com isso.


Só que cadê um time articulado para se aproveitar da ocasião? Cadê as jogadas? O Goiás seguia na base da ligação direta, um nome bonito para chutão.


Para o segundo tempo, o técnico Silvio Criciúma seguiu a máxima do "perdido por um, perdido por dez" e foi botando atacante para jogar. O primeiro foi Michael, que entrou no lugar de Hélder, que quase quebrou a perna do volante Douglas e estava com amarelo.


O Fluminense se acomodou. O Goiás, apesar de toda sua limitação, cresceu. No fim do jogo, o time só tinha um volante (Patrick, já que Léo Sena ainda não definiu o que é) e nenhum lateral. Em compensação, dois meias e quatro atacantes. Uma hora a bola teria de entrar.


E entrou muito bonita. Chutaço de Jean Carlos da intermediária, que bateu na trave e entrou. Chutaço e golaço, diga-se.


Minutos depois, Aylon cai na área e o árbitro cai na dele. Pênalti que Léo Gamalho não erraria. Não errou.


Depois de jogada individual de Michael - que já tinha marcado um gol, mas estava impedido - na linha de fundo, Carlos Eduardo, que já tinha pisado na bola no primeiro tempo, cometeu uma furada histórica que poderia ter sido o terceiro gol. Depois tentou um cruzamento de letra (não deu certo) e fez uma falta passível de segundo cartão amarelo e expulsão (deu certo).


Fim de jogo. Goiás não jogou bem, mas ganhou. Parabéns especialmente a Silvio Criciúma, o ex-zagueiro que não teve medo de atacar


Mas que fique claro: o time está muito aquém do necessário para a disputa de uma Série B. O resultado foi atípico.


Mas coisas atípicas acontecem. Quem sabe não ocorra outra no Maracanã, semana que vem.


LINCOLNEANAS

* * * * * Não dá para não ressaltar a bonita festa da torcida esmeraldina, antes do jogo – com o tradicional Green Hell para eventos copeiros – e durante a partida, cantando o tempo inteiro. Mais de 15 mil. Isso é o Goiás de verdade.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Torcida faz a festa contra o Fluminense: mais de 15 mil esmeraldinos mostram que o clube é maior do que o pensamento da diretoria


* * * * * Há um buraco gigante no gramado do Serra. Em outros tempos, seria uma vergonha para todos os goianos. 


* * * * * Logo na estreia, Michael fez uma jogada de Araújo. Bom sinal. Acredito que o garoto, da várzea até o ano passado, ainda dará muita alegria aos esmeraldinos.


* * * * * Aylon confessou que cavou o pênalti. Foi esperto e sua esperteza deu a vitória ao Goiás. Poderíamos ter ganhado de outra forma. Os fins não devem justificar os meios.