Sérgio Soares no Goiás: sucesso depende do acaso

Seria esperar demais que o Goiás contratasse um treinador baseando-se nas características do trabalho do profissional em relação ao que a direção do clube desejasse tática e tecnicamente que o time produzisse em campo. 


Em tempo, e é bom que se diga: não conheço nenhum clube que tenha de fato esse requisito como primeira preocupação. Não no Brasil.


Mas vamos lá, seguindo e colocando o ponto acima à parte.


Sendo isso algo realmente fora de cogitação, esperava-se então que a diretoria tomasse um de dois caminhos:



  • 1) que fosse audaciosa e contratasse então um técnico de renome, para puxar a torcida para o lado do clube e mostrar que não está para brincadeira este ano;

  • 2) que fosse pragmática e trouxesse alguém com um currículo respeitado para buscar o que é essencial este ano: a volta à Série A.


Em suma: ou deveria ser um profissional de Série A para treinar na Série B ou um especialista em Série B para subir para a Série A.


Então, talvez por não terem esse alguém ainda (ou por terem e ele não poder vir agora, vai vendo), resolvem anunciar a efetivação de Silvio Criciúma até o fim do Campeonato Goiano. Ok, parecia sensato.


Mas passa o fim de semana, chega a segunda-feira e nos deparamos com Sérgio Soares contratado. Um namoro antigo e sem muita razão que se efetiva.


EC Bahia
EC Bahia

Sérgio Soares beija o troféu de campeão baiano, conquistado em 2015, título mais importante do novo treinador do Goiás


Primeiro ponto: depois de 13 anos na função, quais as conquistas que ele teve como treinador? Vamos lá: campeão cearense em 2014; campeão baiano em 2015; e duas vezes campeão da Série B (2006 e 2008) – só que do Paulistão.


Só para dar um referencial que está aqui na cidade do lado: o treinador Zé Teodoro, líder do Goiano pela Aparecidense, tem três títulos de campeão pernambucano (2004, 2011 e 2012) e dois de campeão cearense (2006 e 2010). 


Ou seja, se fosse para trazer um cara com um currículo do mesmo tamanho do Zé, eu preferia o Zé, pela identidade que tem com o Goiás, por já conhecer os jogadores e por estar em um ótimo momento da carreira.


Mas a questão não para por aí. Sérgio Soares está no Santo André (SP), vai cumprir o contrato e só vem depois de terminar o Troféu do Interior. Daqui a um mês ele vem para Goiânia. Em outras palavras: vai conhecer o time só em cima da hora de começar a Série B.


Se fosse por Marcelo Oliveira ou Levir Culpi, até que o resmungo e o mau humor seriam menores. A grife, imagino, viria acompanhada da exigência de bons reforços.


Eu ouvi várias vezes, inclusive pessoalmente, que da parte do presidente Sérgio Rassi não seriam medidos esforços, nem mesmo financeiros, para que a equipe subisse. O Goiás subiria "de qualquer jeito". Isso ainda no ano passado.


E agora, com o perigo iminente de ver a receita cair abruptamente e parar de nadar no dinheiro da TV caso não volte à Série A imediatamente, trazem Sérgio Soares? É assim mesmo, produção?


Claro, tudo pode dar certo no final, até porque futebol é uma caixinha de surpresas, para dizer uma novidade. Sérgio Soares pode, sim, mostrar a que veio. Só que, olhando em retrospectiva, terá sido mais uma obra da gestão do acaso na história alviverde, não uma atitude planejada.


Até quando teremos de torcer assim?


LINCOLNEANAS

* * * * * O problema não é perder o ataque para pegar o Fluminense na Copa do Brasil: é especificamente não ter Tiago Luís no jogo. Sem ele, o time hoje não consegue ganhar do Iporá dentro da Serrinha.


* * * * * O marketing vai lançar a Esmeraldina, a cerveja especial do Goiás. Boa sacada, em um mercado que vem crescendo.


* * * * * O novo treinador já foi jogador nosso. O então volante Sérgio Soares passou pelo Verdão em 1997, em uma passagem bem discreta.