Exclusivo: uma jogada revela por que o Goiás de hoje é um time de pelada

Por motivos de direitos de transmissão, não posso publicar o vídeo com um dos lances mais bizarros que eu já parei para reparar em uma partida de futebol.


Tive a "sorte" de gravar o Goiás 1 x 2 Iporá desta quarta-feira na íntegra, mas basta essa jogada para provar o título deste texto.


A jogada do primeiro gol do Iporá. A jogada que decidiu o jogo, logo a 2 minutos. Uma jogada da qual o autor do gol desistiu duas vezes durante seu transcorrer - o que já explica boa parte da bizarrice.


Mesmo sem o vídeo, prometo compensar a falta de imagem com um texto que vai fazer você enxergar o lance sem ter de vê-lo.


A jogada tem dois personagens principais: Juan e Vinícius Leite. Há também dois coadjuvantes: Helder e Pedro Bambu.


Tudo começa aos 1:30 de jogo, para ser finalizado menos de um minuto depois. Este é o momento em que Juan recebe passe de Victor Bolt, cochila e perde a bola. O camisa 10 se recupera e devolve para Bolt na linha defensiva.


Bolt toca lateralmente para Everton Sena e, ao receber de volta, tenta um passe em profundidade para Otacildo, na intermediária do Iporá.


O atacante volta um passe curto para Pedro Bambu, que tabela com Léo Sena e toca para Helder. O lateral triangula com Léo e Carlos, recebe a bola avança rumo à grande área, é desarmado e cai bisonhamente.


No avanço, Helder deixou para trás Vinícius Leite, que agora está livre para receber a bola em contra-ataque. Mas o lance é interceptado por Everton Sena ainda no campo do Iporá.


Vinícius Leite desiste da jogada pela primeira vez. Fica parado próximo à linha do meio de campo, pelo lado direito.


Reprodução / TV Anhanguera
Reprodução / TV Anhanguera

O solitário Vinícius Leite (na parte de baixo no vídeo) desiste pela primeira vez do lance em que faria o gol


O zagueiro do Goiás passa a bola a Victor Bolt, que acha Paulinho. E quem Paulinho vê ali pertinho? Juan, que novamente está dormindo e que novamente perde a bola. São agora 2:07 e o camisa 10 fica de mimimi reclamando da falta que não houve, mas que ele precisaria que fosse marcada para não passar vergonha.


Neste momento, há quatro homens de verde atrás da linha da bola e apenas um do Iporá: Vinícius Leite.


Então o juiz corre, o ataque visitante e até a zaga do Goiás corre, ainda que desesperada. Juan fica, reclamando com o Procon.


Nisso, cá embaixo na direita está Vinícius Leite. Sozinho, solitário e sem marcador. O mais próximo é Pedro Bambu, há 2,5 anos-luz. Vinícius corre pela estrada deserta que há à sua frente, mas para.


Desiste da jogada pela segunda vez, a 2:11. É que o lance se desenrola pela esquerda - onde o atacante Jean Batista deixou Paulinho na poeira - e ele não vê muita chance de participar. Parece estar deprimido pela solidão também.


Reprodução / TV Anhanguera
Reprodução / TV Anhanguera

Vinícius Leite, ainda sozinho, desiste pela segunda vez do lance em que faria o gol


Depois de muito pensar na vida, três segundos depois, Vinícius Leite resolve correr de novo. Avança, em busca de companhia.


Reprodução / TV Anhanguera
Reprodução / TV Anhanguera

Vinícius Leite, sempre sozinho, desiste de desistir e, opa!, "vou ali fazer um gol!"


O cruzamento já foi feito e ele nem entrou na área ainda. Mas, já que ninguém deu bola para ele, a bola se deu, cheia de compaixão, àquele rapaz solitário.


Gol de Vinícius Leite, aos 2 minutos e 20 segundos de jogo.


O mais interessante (deixa eu chamar de bizarro?) é que Vinícius Leite não deixa de aparecer no vídeo por nem um segundo durante esse tempo todo. Mesmo assim, foi solenemente ignorado, como se não fosse alguém. Um desprezo acintoso até.


Fim da solidão, abertura do placar e início do vexame


Se alguém tivesse reparado apenas nesse lance já s ,k  aberia que não adiantariam os 88 minutos seguintes para mudar o resultado.


É que time de pelada não consegue virar jogo em cima de nenhuma equipe profissional.


LINCOLNEANAS

* * * * * Agora Léo Sena me convenceu: ele realmente não é meia. Falta agora ver se ele é (ou não) volante.


* * * * * Tiago Luís fez falta. Mas Victor Bolt fez muito mais. Expulso pela segunda vez e suspenso pela terceira nesta temporada. E ainda tem muito ano pela frente.


* * * * * O público pagante foi de 970 heróis. E a renda? R$ 5.600. Nos dois últimos jogos na Serrinha, foram menos de 1.500 pessoas e pouco mais de R$ 12.000 de arrecadação. Só falta botarem a responsabilidade no torcedor.


* * * * * Não adianta culpar Silvio Criciúma. Ele faz uma semana de trabalho hoje à frente do Goiás. Não se sabe o que vai dar, ainda. O que já se sabe é onde deu o "trabalho" e o "planejamento" feito para a temporada deste ano.