Goiás tira a tarde de domingo para não jogar bola

Tenho uma grande resistência a ir em jogos na Serrinha, porque geralmente não vejo coisa boa. Neste domingo eu estava até animado e, aproveitando que o meu sobrinho Pedro Lucas iria entrar com o time em campo, fui com a família.


Um amigo até perguntou meu palpite antes de a bola rolar. Meti um "3 a 0" mesclando previsão e esperança.


Mesmo sem três titulares (Marcelo Rangel, Everton Sena e Léo Gamalho), o que se espera do Goiás jogando em casa contra o lanterna de um Campeonato Goiano é que se imponha com tranquilidade.


Mas não foi nada disso. Muito longe disso, aliás.


No primeiro tempo, à exceção de um chute errado para fora de Carlos Eduardo logo no início do jogo, o Goiás atuava com a vibração de um cartório. Sem Gamalho, o camisa 9 substituto, Aylon, ficou inexplicavelmente longe da dupla de zaga rival, papel que às vezes era feito por Tiago Luís. Não deu pra entender.


As jogadas pelas pontas acabavam sendo infrutíferas. Para destacar alguma coisa, talvez a vontade de Pedro Bambu no apoio, o que foi muito pouco.


Rosiron Rodrigues/Goiás EC
Rosiron Rodrigues/Goiás EC

Observado por Juan, Tiago Luís salta enquanto a bola se desloca no seu rumo: futebol burocrático


No segundo tempo, o que não estava bom piorou. O improvisado Patrick continuou a errar e a dormir em lances importantes, como no que surgiu o gol do Anápolis. Juan não tinha muito o que fazer e, mesmo se tivesse, parecia não querer muita coisa com o jogo.


Mesmo assim, a estrela de Gilson Kleina parecia que o salvaria novamente, ainda que o resultado de seu trabalho em termos táticos, se é que há algum, se mostre nulo (em tempo, qual jogada o Goiás criou?).


É que o estreante Otacildo, um atacante de 18 anos, da base, empatou o jogo com uma bela cabeçada, praticamente na primeira vez que tocou na bola como profissional. Foi a melhor parte da tarde. Bem-vindo, Otacildo!


Aí, no penúltimo minuto, Patrick foi tentar uma bicicleta que não daria em nada e acertou o braço do adversário dentro da área. Pênalti, que Juan errou displicentemente, batendo fraco no meio do gol de Wagner Bueno.


O placar não foi consequência de corpo mole. Afinal, o elenco está fechado com Kleina. Mas a turma de chuteiras deve ter feito algum acordo com o treinador e tirou a tarde de domingo para jogar em ritmo de pagode com churrasco. Um futebolzinho bem Friboi.


Em tempo: está na hora (aliás, já passou faz tempo) de a diretoria decidir se quer um técnico para treinar a equipe ou um amigão dos jogadores. Em outros clubes, menos cartoriais, a coisa já teria sido resolvida.


LINCOLNEANAS

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Depois da partida, em entrevista à Rádio Bandeirantes/820 AM, o presidente Sérgio Rassi se mostrou irritado com o trabalho do técnico Gilson Kléina e com a atuação de alguns jogadores. Agora precisa transformar a irritação em algo efetivo, até pelo cargo que ocupa.


Rosiron Rodrigues / Goiás EC
Rosiron Rodrigues / Goiás EC

Carlos Eduardo com Ana Júlio, Juju, a garota para quem a família promove arrecadação de fundos para uma cirurgia no cérebro: solidariedade


* * * * * No extrajogo, Carlos Eduardo fez bonito: juntamente com o grupo Princesas Esmeraldinas, ele promoveu uma campanha de arrecadação pela garota Ana Júlia, a Juju, de 5 anos, que precisa de uma cirurgia no cérebro a ser feita nos Estados Unidos. Na entrada para o jogo, ele empurrou a carreira de rodas da garotinha. 


* * * * * Pra terminar: o problema principal da equipe neste domingo foi a falta de jogadas, não foi a ausência de Léo Gamalho. Até porque, se o mau resultado tiver sido o fato por um atleta ficar fora, o problema é muito mais grave.