Harlei fora do Goiás não é uma boa notícia

Quantas empresas no Brasil têm um orçamento de R$ 35 milhões para um ano? Vamos chutar: 0,0005%, talvez. Meia em cada mil, e ainda acho que estou jogando alto.


Quantos clubes da Série B deste ano têm esse montante (só da TV, diga-se) ou mais? Só o Goiás e o Internacional. Depois destes, a faixa é de R$ 5 milhões pela transmissão.


E o que dizer de um clube (o nosso) com uma dinheirama dessas e que não consegue fazer uma administração minimamente profissional de seu futebol?


Rosiron Rodrigues/Goiás EC
Rosiron Rodrigues/Goiás EC

Harlei deixa o cargo de diretor de futebol pela segunda vez: decisão seria por 'questões pessoais'


A bomba do dia é a saída de Harlei. Ele pediu afastamento do cargo no clube por questões pessoais - no mesmo dia em que vazaram áudios (que parecem coisa do ano passado, pelo menos) em que ele critica o goleiro Renan, o técnico Enderson Moreira e a forma de administração do Goiás.


Harlei é alguém com história dentro da Serrinha como jogador, mas que não deveria ter virado diretor de futebol e muito menos deveria ter retornado, a não ser depois de uma carreira solidificada em clubes menores ou semelhantes ou de cursos e mais cursos de aperfeiçoamento como gestor.


Mas teve a bomba de Walter na semana passada, cujo desfecho foi demorado e melancólico.


O Goiás tem bombinhas menores todo dia. Tem o cara que é contratado por ser amigo do craque do time (Dodô), tem a falta de um gestor de crises para evitar polêmicas desnecessárias, tem o chamado "ciúme de homem" nos corredores...


Aí a gente volta lá no começo do texto: esse clube recebe, só este ano e só da TV, R$ 35 milhões!


Daí hoje à noite pode padecer para ganhar de um clube, o Cuiabá, com orçamento uma dúzia de vezes menor. E na outra semana corre até risco de ser eliminado por esse time.


A grande promessa de Sérgio Rassi para seu segundo mandato não foi título nem contratações vultosas. Foi a profissionalização do clube. 


E daí, então, que, nesse sentido, a saída de Harlei não é uma boa notícia.


É que, para o lugar dele (que nem contratou tão mal assim desta vez, mas que também não fez - ou não podia fazer, sabe-se lá - muito mais do que isso), aparece, de novo, Osmar Lucindo.


Nada contra veterinários. Mas, para a diretoria de futebol de um clube que recebe R$ 35 milhões só pelos direitos de transmissão de seus jogos, o mínimo que se espera é uma pessoa realmente capacitada e que tenha seu currículo dedicado à gestão esportiva.


Ou é assim ou não tem nada de profissional.


LINCOLNEANAS

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Como está o ambiente na Serrinha? Como isso está sendo levado até os jogadores? Não parece que o mata-mata pela Copa do Brasil ficou em segundo plano?


* * * * * Só lembrando: o jogo desta quarta-feira é no Serra Dourada, às 19h30, e sem transmissão de TV. O ingresso é de 30 reais para arquibancada e 50 reais para cadeiras. Timemania dá direito à meia entrada.


* * * * * No site oficial do Goiás Esporte Clube não há nada sobre a saída de Harlei nem sobre o imbróglio envolvendo Walter. Querendo ou não, esses fatos existem e seria bom vê-los detalhados segundo a versão do clube. Ninguém vive só de boa notícia.