Por que o Goiás ficou em uma sinuca com Gilson Kleina

Hoje completam-se seis meses de comando técnico de Gilson Kleina à frente do Goiás 


Seis meses não são seis semanas, muito menos seis jogos.  


No ano passado foram 15 jogos pela Série B, com 7 vitórias, 2 empates e 6 derrotas. Neste ano, foram 10 jogos: 5 vitórias, 3 empates e 2 derrotas - contando aí os dois jogos pela Copa do Brasil. Em 25 jogos, foram 41 pontos em 75 disputados - aproveitamento total de 54,7%, sendo 51,1% na Série B, o que não nos colocaria no G-4.


No Brasileiro, pegou o Goiás em 16º lugar, com 27 pontos e à beira da zona de rebaixamento da Série C, e finalizou a competição com 50 pontos, na 13ª posição


Gazeta Press
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Seis meses de Kleina: e o time segue sem padrão de jogo. Esperar pra quê?


Olhando para os números em si, longe de ser um aproveitamento de excelência, não é um aproveitamento ruim. Mas o fato é que o trabalho de Kleina nunca empolgou e sequer mostrou consistência.


Em um texto de um mês atrás (aqui), eu disse que a data-chave para esperar alguma coisa mais concreta do trabalho do treinador seria o segundo jogo contra o Atlético pelo Goiano, marcado para o próximo domingo. 


Mas, depois da derrota para a Aparecidense (aqui), eu joguei a toalha de vez: não faria sentido aguardar mais nada, e cada dia a mais dele à frente do comando é um dia a menos para um trabalho sério visando o projeto Série A 2018.


Os resultados mostram isso. A torcida já percebeu a enrascada e está engajada, até onde pode, num #ForaKleina. O diretor de futebol Harlei também não parece morrer de amores pelo treinador.


Mas surgiu um fator inesperado no caminho de uma demissão: o elenco apoia o técnico. Não só apoia como tem demonstrado isso de forma enfática, seja em declarações à imprensa, seja em comemorações de gols. 


O estilo paizão de Kleina caiu no agrado dos jogadores. O que é mais grave: em campo, em vez de fazer corpo mole, os atletas devem estar jogando tudo o que podem por ele. E o resultado tem sido, no mínimo, desanimador. 


Nem a vitória cheia de gols contra o Goianésia deveria servir como alento. É bom lembrar que novamente Marcelo Rangel ficou exposto, teve de ser acionado e, quando ainda estava 0 a 0, deu conta do recado. Só o atacante Michael teve três chances claras e não fez - duas por conta do goleiro. E o primeiro gol dos visitantes veio de um erro de posicionamento no escanteio, em que Fábio subiu entre dois jogadores do Goiás.


O time de Kleina pena para fazer gol em equipes um pouco mais qualificadas e sofre para se segurar diante de times limitados. O que fazer?


Mais uma vez, quem pode decidir a parada é a diretoria, que, erroneamente, achou que seu trabalho se sustentava para um novo vínculo contratual. Já deu pra ver, e faz tempo, que o time de Kleina não ganha padrão de jogo. E já deu pra ver, também, que sua saída vai gerar insatisfação no elenco.


Em outro esporte, isso se chama sinuca de bico.


LINCOLNEANAS

* * * * * Juan fez a diferença no jogo de ontem. É um jogador "de procedência". Só precisa ganhar sequência e constância para se firmar. 


* * * * * Seria muito bem-vinda uma promoção quente para levar ao estádio o maior número de esmeraldinos na primeira partida da 3ª fase da Copa do Brasil, contra o Cuiabá. Torcida é fundamental em competições mata-mata.


* * * * * Em outras palavras: reduza o valor dos ingressos, presidente Sérgio Rassi!