Wendel é (quase) todo o Fluminense hoje

MIGUEL SCHINCARIOL/Gazeta Press
MIGUEL SCHINCARIOL/Gazeta Press

Toca pro pai que o pai resolve


Fluminense e São Paulo foi um jogo muito estranho. No geral eu tive a sensação de que o time jogou pessimamente mal, especialmente no primeiro tempo. No segundo, Wendel, O Infinito, inventou um gol, sobre o qual capitalizamos uma pressão. Porém, Wendel, O Incontrolável, sentiu o peso de carregar as dores do mundo e teve de ser substituído por Marquinho, episódio também conhecido como O Início do Fim.


E o torcedor tricolor, achando que não podia piorar, ainda viu Abel Carlos Fucking Braga sacar o Renato.


Diante desse cenário, o empate foi lucro. Ou não. Porque o São Paulo também foi a campo com uma porção de jogadores da base, não chegou a “amassar” o Flu com grande perigo e, de fato, o goleiro deles fez pelo menos cinco intervenções providenciais que foram lances claros de gol.


Wendeus foi EXUBERANTE, para usar uma palavra tipicamente Abelziana. É o grande líder técnico desse time. Impensável vender esse moleque. Impensável.


NOTAS SEM NOTAS porque esta página recebeu CRÍTICAS PESADAS dos leitores em virtude de erros de matemática nas notas da última avaliação. Estou traumatizado.


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JULIO CESAR – Num jogo de pressão igual esse ter um goleiro experiente e tranquilo é importante, pois a segurança vem desde lá de trás. Mas Julio Cesar tem a tranquilidade de um boi de rodeio sob efeito de estimulantes, está sempre pilhado, sempre assustado, sempre fazendo jogadas idiotas. O que foi aquela saída de bola no primeiro tempo, que ele entregou NO PÉ do cara do São Paulo? Ele tinha, sei lá, quatro opções de jogadores, sendo que O ÚNICO que estava CLARO de que ia dar merda era o Lucas, e o que ele fez? Jogou no Lucas, é claro, para acontecer o óbvio: o cara do São Paulo interceptar. Sinceramente... Julio Cesar foi visto enrolando o jogo aos 15 do segundo tempo quando estávamos em cima dos caras, e quando os caras vieram pra cima da gente, ele isolou todas as bolas como se elas fossem bolas de fogo queimando seus pés. GOLEIRO É PRA ONTEM!


LUCAS – Muito mal, em alguns lances foi extremamente juvenil pra um cara que já foi convocado pra Seleção (!!!), integrando aquele DISTINTO escrete que venceu a Argentina na final do Superclássico das Américas de 2012, que também era composto por ninguém maises ninguém menoses que Diego Cavalieri, Thiago Neves, Fred, Jean e Carlinhos. Perdi as contas de quantas faltas estúpidas fez de ficar agarrando os caras perto da área ou dando botes idiotas. Espero que as maldições dos meus amigos cruzeirenses não estejam se confirmando.


ZAGUEIRO HENRIQUE – Primeiro tempo simplesmente tenebroso do capitão, cujo ápice foi logo no início, com a paçocada bisonha no gol dos caras. Inexplicável e incompreensível, uma falha grotesca de um cara que, pelo menos recentemente, não tem feito disso. Uma diarreia mental violenta, daquelas incontroláveis. Essa falha me deu até dor de cabeça de tantas memórias que me subiram: flashes de entregadas de Renato Chaves, Gum, Nogueira, Leandro Euzébio, Antônio Carlos, André Luís. De repente já passou tanto zagueiro ruim por ali que a área sobre a nossa zaga deve estar impregnada com as vibrações negativas dos perrengues de outrora, que vez ou outra disparam um relâmpago de ruindade pra baixo e contaminam os que estão jogando. Só isso explica.


RÊGÍ – Eu achei que, defensivamente, RÊGI, O Implacável, foi bem. O narrador da Rêdiglóbulo ficou tentando me convencer de que ele estava mal por conta dos erros na saída de bola (que, de fato, foram Incontáveis), mas na defesa ele foi bem, de novo. Realmente, Rêgí errou passe à vera: só no primeiro tempo foram uns seis. Também teve uma paçocadinha ou outra, como aquele escanteio que ele deu de presente. Por outro lado, o Pratto não viu a cor da bola.


LEO – Muito do ódio que me consumiu pela exibição no primeiro tempo pode ser atribuído ao Leo. “Como é que pode um lateral que só sabe bater lateral pra área?”, e aí o cara foi lá e acertou dois cruzamentos perfeitos em sequência, que só não viraram gol por causa do goleiro, e me deixou mais puto ainda – por que não faz isso sempre?! Essa bósta desse lateral para a área ainda vai acabar queimando o moleque. Além de nunca funcionar, o contra-ataque dos caras é CERTO. Essa é a pior jogada de todos os tempos. Eu simplesmente não consigo expressar o quanto eu odeio esse negócio desse lateral pra área.


OREJUELA – Está muito bem na distribuição e facilitação do jogo, mas sigo com a incômoda sensação de que a marcação está ficando frouxa com Orejuela e Wendeus. Como é impensável tirar Wendeus do time, eu não me oporia à entrada de um volante mais marcador no lugar de Orejucerca, mas se for, sei lá, o Mateus Norton, eu ainda prefiro o Will Smith equatoriano.


WENDEUS – Wendel é tudo ou quase tudo do que o Fluminense tem hoje. Com o mau momento de Scarpa e Richarlison, a zaga mais vazada que conteúdo de delação premiada e as lesões de Sornoza e Wellington, Wendel é a alma, o coração, as pernas, o pulmão, o cérebro e o bigodinho desse Fluminense. É absurdo e inexplicável presenciar isso, esse moleque é uma raridade. Pensar que 90% do passe dele é do clube é mais absurdo ainda. Entendo que o Flu esteja em um momento de uma verdadeira “roleta-russa” pra escolher qual Xerémboy vender. Mas escolher logo ele, LOGO ELE, será uma puta falta de sacanagem com o torcedor. Não existe motivo pra ser logo ele, ainda mais se for por qualquer mixaria. Se ele ficar, em 1 ano vira capitão dessa porra e nos conduz aos título tudo. Se mandar pro Samorin, a Liga dos Campeões já é uma realidade. Fica pra sempre, Wendel. Já pensando no crowdfunding pra comprar o passe dessa lenda e trancá-lo num contrato eterno com o Flu. Que gol incrível, que jogador incrível.


Léo Pinheiro/Código19/Gazeta Press
Léo Pinheiro/Código19/Gazeta Press

O Soberano


(MARQUINHO) – “Sai Wendel entra Marquinho” é a síntese perfeita dessa grande montanha-russa de emoções chamada “torcer para o Fluminense”. “Sai Wendel entra Marquinho” é tipo “sai o tudo, entra o nada”. O pior de tudo é que sempre que o Marquinho entra em campo em uma partida televisionada você é obrigado a escutar “vai entrar o Marquinho, um jogador experiente, tem um bom passe, um bom chute de fora da área” do narrador/comentarista desinformado. Quando o único jogador que estava criando alguma coisa saiu para entrar o Marquinho, vi que o jogo tinha acabado. Logo na primeira bola deu um ataque pros caras e depois se limitou a ficar correndo atrás dos jogadores do SPFC.


SCARPA – Vamos ser sinceros, sem chorumelas e sem meias palavras: outro jogo muito bosta do Scarpa, muito, muito bosta. Já não consigo entender se é a posição no campo, se é uma queda técnica, se é físico, não entendo. Mas está muito mal. Um lance emblemático foi uma bola que recebeu do Leo, rasteirinha, mastigada, na entrada da área, e ele chutou muito mal, um gol que ele se cansou de fazer no ano passado, de lugares até mais distantes. Não acho que seja ritmo pois já fazem uns BONS jogos desde que ele voltou da lesão. Estou ficando seriamente preocupado.


(RENATO TITULAR NO MEIO) – Não vou nem ser injusto de tentar comentar, porque ficou muito pouco tempo em campo, só agradeço por não ter acontecido nada escandaloso.


CALAZANS – Pode não ter sido uma partida de inspiração mas foi um jogo de transpiração. Certo é que é muito melhor um Calazans na mão do que um Marcos Junior ou um Maranhão voando. O time caiu com a sua saída, porque perdemos a única opção viável de escape pelos lados tendo em vista que o Richarlison não estava arrumando nada. Se o Calazans fosse um pouco mais forte, um pouco mais habilidoso e soubesse chutar (aparentemente o chute dele é próximo de zero), ele seria o Douglas Costa.


(WELLINGTON) – Acho que todos nós, incluindo Abel, concordamos que a volta do Wellington hoje foi claramente precipitada, fato que ficou escancarado assim que ele entrou, a câmera deu um close e pudemos observar pequenas tetinhas sobressalentes na camisa. Está claramente fora de forma, quase um Wellingtonelada. Só num cenário de desespero muito grande para pensar em usar o cara desse jeito.


RICHARLISON – Outra partida muito ineficiente do Filho de Richarli, uma partida que me trouxe memórias de Marcos Junior e Marcelinho das Arábias. Falarão do cruzamento pro Ceifa, mas um cruzamento em 90 minutos é muito pouco, até o Leo fez mais do que isso. Queremos mais, Filho de Richarli, queremos mais. Sinto, apenas sinto, que a proposta da Roma que está para chegar selará definitivamente o destino de Rick conosco, digo, com eles.


HENRIQUE CEIFADOR – Não estava em seus dias Dourados: perdeu dois gols feitos e não estava com o pivô em dia. Aquela primeira cabeçada dele (do cruzamento do Richarlison), que todos deram méritos ao goleiro: ele mandou cima do goleiro, pô! Nem o Wellington Paulista perderia. No segundo chute do Ceifa, aquele projeto de voleio, os dois tiveram mérito: o movimento do Ceifa foi difícil especialmente pra um maluco pesado do tamanho dele, o chute foi firme e o goleiro teve bom reflexo. Mas o pivô estava triste, e justamente por não estar nos seus melhores dias não conseguíamos dominar a bola e segurá-la no ataque.


ABEL BRAGA – Lançar o Wellington foi precipitado e o próprio Abel admitiu isso depois do jogo. Depois, a troca do Wendel pelo Marquinho foi de partir o coração, mas eu não consigo me lembrar se ele tinha outra opção no banco além de colocar um zagueiro e ligar o modo Volante Henrique. Depois, Renato, uma escolha que sempre será incompreensível, em qualquer contexto. A troca do Mascarenhas também não fez sentido, principalmente depois da atuação do moleque no último jogo. Em todo caso, é um ponto fora de casa dentro do Morumbi, que não é nada, não é nada, mas pra quem não tem nada, metade é o dobro.