Fluminense jogou fora uma partida que tinha na mão

J.Rodigues/AgênciaEleven/GazetaPress
J.Rodigues/AgênciaEleven/GazetaPress

Foto autoexplicativa


Assim como empatar um clássico marcando um gol após os 45 do segundo tempo é comemorado como uma vitória, empatar um clássico com um gol dos caras após os 45 do segundo tempo não é empate, é derrota. Dois pontos perdidos que, espero, não façam falta em seja lá o que estivermos brigando lá na frente.


Em curto resumo, no primeiro tempo só deu Wendel e no segundo só deu Flamengo. A única coisa que deu nos dois tempos foi REI GINALDO. Tudo bem que a “vista grossa” (com muitas aspas nesse eufemismo empregado unicamente para não incorrer em sanções criminais) do árbitro com algumas COISINHAS – como o impedimento do Everton no gol e o fato de ter marcado um pênalti depois de um carrinho por trás do último homem e magicamente ter se esquecido de dar cartão, para citar algumas – que ocorreram em prol do Flamengo facilitaram bastante pra eles, mas tudo bem.


Penso que isso não apaga o fato de o Flu não ter visto a cor da bola no segundo tempo, salvo o lance do pênalti no Richarlison que, é claro, foi convertido, porque Henrique Dourado é meu pastor e gol de pênalti não faltará.


Rei Ginaldo, ex Régis Naldo, também conhecido como RÊGÍ, fez uma partida incrível, acredite, caro leitor. Provavelmente foi abençoado pela aura e pelas vibrações positivas de Leandro Beckenzébio, Ex-Zagueiro Mais Belo do Brasil, Bicampeão Brasileiro (dentre muitas outras virtudes), que, aparentemente, compareceu ao Maracanã hoje para prestigiar o Flu.


Flu foi a 11 pontos. O Santos, 4º colocado, tem 13. Enquanto escrevia esse texto, o Sport perdia para o Vitória e se tornava o primeiro time dentro do Z-4, com... 8.


Próximo jogo é contra o Avaí. Devo dizer que já fui submetido ao desprazer de assistir a duas partidas do Avaí nesse Campeonato e posso afirmar seguramente que é um dos times de pior nível técnico desse certame. Não há desculpa pra não vencer. Descola da galera de baixo e, mesmo num momento ruim, fica pertinho da galera ali em cima.


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JULIO CESAR – Não tenho mais palavras para descrever o terror que toma conta de mim toda vez que um jogador adversário PENSA em chutar ao nosso gol. Não sei se “o melhor goleiro do Flu é sempre o que não está jogando”, sei que o Julio Cesar nunca foi (nem nunca será) o melhor goleiro de nenhum elenco do qual já tenha participado, sendo o auge de sua gloriosa carreira ter sido batizado de Julio CHESTER pela torcida do BOTAFOGO. Cavalieri pode ter derretido de Iceman pra Águalieri, mas Julio Cesar é sem condições. A cera dele no final do jogo foi extremamente irritante e devidamente coroada com mais 2 minutos de acréscimo e aquele bosta de gol do Trauco. QUE ÓDIO. Mas não se iludam com um possível retorno do Cava, a verdade é uma só: nunca o Fluminense precisou tanto de um goleiro. Essa discussão entre J. Chester x Águalieri me lembrou uma notícia que vi sobre aquele deputado com a mala de R$ 500 mil, que estava pedindo ao STF para ser mandado para a carceragem da PF ou pro presídio da Papuda. O buraco é mais embaixo.


LUCAS – Começou o ano quase levantando voo e a torcida achou que era um 747 na lateral-direita, mas parece que era só um teco-teco mesmo. No começo do ano, quando não fazia um bom jogo no ataque, segurava tudo atrás na boa, agora nem isso mais. O Lucas me passava uma tranquilidade de “não precisar contar com o reserva tão cedo”, mas, a julgar pela impressão de que o Renato tem PRESTÍGIO junto ao Abel (RENATO TITULAR NO MEIO-CAMPO) e dada a clara queda do Lucas, estou começando a ficar temeroso quanto à lateral-direita também.


ZAGUEIRO HENRIQUE – Ao longo dos últimos meses eu adquiri um respeito crescente pelo Zagueiro Henrique, que quase evaporou com o dibre absurdo que ele levou do Berrio no segundo tempo – absurdo no sentido de que, do jeito que o Henrique foi, até uma girafa manca conseguiria driblá-lo. Sorte que RÊGÍ, o Impecável, interviu e evitou o gol dos caras.


REI GINALDO – Uma palavra define minha reação à atuação do Régis Naldo: PERPLECTO. Simplesmente impecável na defesa, com uma ou outra paçocada na saída de bola, porque se não for pra paçocar não tem vaga na zaga do Flu. Achei que o Guerrero ia fazer o que quisesse com ele, mas foi o contrário: Rei Ginaldo colocou o peruano no bolso, emendando o segundo bom jogo consecutivo. Alguém já viu (a) Henrique Dourado perder pênalti e (b) Rei Ginaldo perder uma no alto? Pra mim, o segundo melhor em campo, atrás apenas do Wendel.


MASCARENHAS – O camarada @_dedemoreira deu uma muito boa: Mascarenhas é nome de chefe de repartição pública. Pisa num cartório, pede uma informação e a chance de você ouvir “ih, rapaz, isso aí é com o Mascarenhas. Ô MASCARENHAS, dá um pulo aqui Mascarenhas” é enorme. MASCARENHAS, NOGUEIRA & REGINALDO. Que puta tríade de nomes. De repente se jogarmos com os três juntos a maré vira. Futebolisticamente falando é difícil fazer uma análise justa de um moleque estreando em um Fla-Flu, mas meu coração foi ASSOBERBADO PELA TRISTEZA quando vi que esse jovem TAMBÉM BATE LATERAL PRA ÁREA. NÃO É POSSÍVEL CARA!!!


(LEO) – Penso que ele não teve tempo suficiente para mudar a história do jogo. Que bom, eu acho.


OREJUELA – Aquele futebolzinho tipicamente Orejuelano, sambando equatorianamente nas proximidades do círculo central e girando o jogo. Orejuela está caminhando a passos largos para se converter em um Fernando Bob que fala espanhol. Nem de longe o futebol malemolente do início do ano.


(NORTON) – Não dá pra culpar, é claro, mas se tem uma coisa que me deixa fudido da vida é quando entra um volante e sofremos um gol da intermediária, ainda mais no final do jogo. YOU HAD ONE JOB, MAN!


WENDEL – O melhor em campo, e nem precisava fazer gol e mandar a torcida do Flamengo calar a boca para envergar esse título. O futebol desse moleque já é de outro nível, um nível muito acima da maioria dos jogadores da posição no Brasil. Dá muito gosto, é muito redondo, tão redondo quanto a conta bancária do Marquinho. No lance do gol, ele puxa a jogada lá de trás, passa pro Richarlison, recebe do Richarlison, abre no Scarpa já invadindo a área e pedindo a bola, coisa linda. Ele É rápido (e não falso rápido), é raçudo, tem técnica pra roubar a bola e pra distribuir o jogo, um jogador realmente fora de série. Espero que a diretoria tenha plena consciência de que tem um


(NOGEIRA) – (vide “LEO” acima)


SCARPA – Outro jogo ruim a despeito das assistências. Não consigo me contentar com o Scarpa meia-bomba lembrando da bola que jogava antes da lesão – porra, o moleque tava voando, meteu um gol lá da casa do chapéu, bicho. As assistências de hoje foram clínicas e é de mais disso que precisamos. Em que pese me parecer claramente que o Scarpa está MUITO fora de posição – quase de volante em alguns momentos, na ponta errada em outros –, tecnicamente me parece um pouco abaixo. É o Scarpa da bola pro Richarlison no segundo gol que a gente quer ver e que o time precisa, não ficar cruzando bola pro goleiro adversário, caceta.


CALAZANS – Calazans está sofrendo de um processo de Marcosjuniorização que é típico dos Moleques de Xerém que são franzinos, ágeis, com uma quantidade mínima de “habilidade”, mas que não são os melhores de sua leva e assim são utilizados em outras posições no profissional: danos cerebrais decorrentes da “versatilização forçada”. Se o jogador não tem uma consciência tática mais desenvolvida (e estamos falando de moleques de 20, 22 anos. A maioria não tem), fica louco porque já não sabe mais o que faz em campo. Com essa onda de inventarem que o Calazans é lateral-esquerdo (uma “invenção” extremamente confortável pra diretoria, que só serviu pra blindar a inércia dos caras em buscar um jogador pra posição), você consegue vê-lo em todos os lugares do campo em um jogo onde ele deveria ser o ~ponta-direita~ - inclusive na, ora ora, lateral-esquerda.


RICHARLISON – Caiu um bocado também, e só o futuro dirá se foi por causa dessa celeuma com o Palmeiras. Repito como disse sobre o Scarpa: com o que o Richarlison estava jogando antes, não me contento em aceitá-lo meia-bomba. Ele era muito mais incisivo, perigoso e efetivo, e estava com uma técnica muito mais apurada. Uma coisa ninguém pode falar: que falta vontade. Nunca falta vontade no Filho de Richarli, que briga por todas as bolas como se estivesse brigando por um carrinho no Aniversário Guanabara e saiu de campo com seis pontos na cabeça, na penúltima colocação do Brasileirão, com 1 a mais que o Avaí.


HENRIQUE CEIFADOR DOURADO GOLS – Se a Terceira Guerra Mundial for decidida nos pênaltis, o Brasil será o Líder do Mundo sob o comando de General Ceifagols. Uma pena que as duas únicas jogadas do Fluminense hoje sejam o Lateral pra Área e o Richarlison Sofrendo Pênalti pro Ceifa Bater.


ABEL – Não sei até que ponto isso pode ser imputado ao Abel, mas não vimos a cor da bola no segundo tempo fora o lance do pênalti. Com relação à escalação, fez o possível: sacou Leo, tendo que apostar em outro Xerémboy, e quando perdeu os dois volantes também não teve pra onde correr, tendo que colocar o Nogueira no lugar do Orejuela pra improvisar o Zagueiro Henrique na cabeça-de-área, transformando-o no Volante Henrique. Essas adversidades pelo menos nos pouparam de presenciar o futebol do Marcos Junior ou o Renato no meio-campo novamente. Abel não teve muita margem pra Abelzar hoje.


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Em tempo: VOLTA LOGO, WELLINGTON!


Em tempo 2: Já pararam pra pensar em como todas essas "vanguardices" da arbitragem brasileira sempre acontecem em jogos do Flamengo? Depois da interferência externa, hoje o árbitro pediu pra ser SUBSTITUÍDO. É muita "coincidência".


Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press
Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press

Diz aí, Abel, quantos pontos você ganhou com esse empatezinho salafrário