Flu x Atlético-PR: um tropeço indesculpável

Jorge Rodrigues/Gazeta Press
Jorge Rodrigues/Gazeta Press

Quando eu chego no Maracanã e ouço "Renato" no telão


Que eu me lembre, o Atlético Paranaense deu três chutes a gol.


Um deles entrou. Um gol de pelada.


Aliás, se fosse na minha amada pelada de São Cristóvão, dos meus gloriosos manos Cadola, Jotola e Tavola (muito mais jogadores que Renato, Luiz Fernando e afins), o time que levasse um gol daquele provavelmente pediria pra sair pra tomar um Gorótorade e refletir sobre os seus erros.


“Será que vale a pena morrer 40 pratas por mês pra vir fazer isso?”


Foi um gol de pelada, de videogame, no qual o Richarlison teve que voltar pra marcar o lateral porque o Peo Lelé estava brincando de ser zagueiro dentro da área.


“Será que eu mereço ganhar 40 mil pratas por mês pra vir fazer isso?”


(O cara da assistência, aliás, era o Jonathan – que passou mais de ano se recuperando no Flu, amargando a reserva do WELLINGTON SILVA, e quando finalmente entrou em forma, foi desovado no CAP.)


É muito triste ir assistir a um jogo do Fluminense SABENDO que precisaremos sempre de dois gols, porque o time vai, SEMPRE VAI, tomar gol.


(Há alguns dias tive a desgraçosa oportunidade de ouvir de um dirigente de alto escalão – altíssimo escalão –, ao ser questionado sobre as chances do Flu em determinado jogo – jogo determinante –, de que seria difícil a classificação, pois precisávamos de dois gols – “e nós sempre levamos gol, né?”


Mas segue o baile que o foco não é esse. Outro dia eu conto essa história, ou não.)


É inconcebível jogar 15 minutos com um a mais contra o Atlético-PR, nessa draga que esse clube [vinha] atravessa[ndo], e não conseguir dar um chutezinho perigoso ao gol.


O único chute perigoso foi o do Renato no queixo do cara, pô.


É inadmissível forçar o torcedor que vai ao Maracanã sabendo que vai sair às 22h para voltar pros mais diversos confins do Rio de Janeiro a acreditar que Marcos Junior e Pedro vão resolver alguma coisa.


É inacreditável que estejamos em junho e ainda não tenhamos patrocínio, e que as pessoas que têm o controle das rédeas do clube acreditem, DE VERDADE, que “reforços” que nada mais são jogadores que sairam da nossa base e foram passar uns meses na SÉRIE BÊ DA ESLOVÁQUIA (e sequer conseguiram subir pra Série A de lá) sejam os caras que vão segurar as pontas quando precisarmos.


Pode ser que esses caras sejam o catiço. Mas as probabilidades estão contra nosso favor.


Eu juro que queria ter a oportunidade de sentar em uma mesa de bar com essas pessoas, tomar uns gorós e questionar, de boa-fé e coração aberto: bicho, é sério? VOCÊS ESTÃO REALMENTE FALANDO SÉRIO?


Isso é Campeonato Brasileiro, malparidos. Não é uma pelada em São Cristóvão.
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Abel,


Abelzinho,


Abelzão.


Você sabe que a torcida te ama, te idolatra, e que boa parte toparia deixar a casa dos pais se você assinasse algum documento que dissesse “agora eu sou pai dessa pessoa”.


Mas, na boa,


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.
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não força.


(Pra não falar 'não fode').


Renato de titular na lateral já seria de trincar o assoalho do saco escrotal.


Renato de titular no MEIO – NO MEIO – NO MEIOOOOOOOOOOOO –, é papo de entrar no estádio, ouvir a escalação, dar meia-volta, ir ao Juizado do Torcedor e entrar com um processo por danos morais, porra. Sem sequer assistir.


(Ou então ir parar lá por ter quebrado uma cadeira do Maracanã)


RENATO DE TITULAR NO MEIO.


Por muito menos que isso a Dilma sofreu um impeachment.


É o tipo de coisa que se fosse, sei lá, o LEVIR, ou o MARCÃO, em menos de 48 horas alguém estaria nas Laranjeiras dando porrada em alguém, ou o muro amanheceria pichado.


RENATO DE TITULAR NO MEIO.


Mas Abel: é você. E você tem crédito.


Não fique negativado nessa grande praça chamada torcida tricolor.


Nós até entendemos que você tem feito um ingrato papel de pára-raio de uma diretoria que até agora, a bem da verdade, não mostrou a que veio, e que estava quietinha surfando a grande onda que foi o Fluzão Fluderosão do poderosíssimo Campeonato Carioca – isso sim, um grande mérito seu.


Agora que a chinela realmente cantou, e que a grande verdade – a grande verdade de que nosso ano vai ser sofrido pra caralho – deu as caras, você não precisa mais fazer esse papel de pára-raios.


(RENATO DE TITULAR NO MEIO, CARA!)


Essa torcida MARAVILHOSA sempre estará mais com você do que com eles.


Mate a cobra, mostre o pau e exija o que todo mundo sabe que você precisa: um elenco, carai!


Até o pulha do Renato deve saber que precisamos de reforços. Ou você acha que ele pensou “porra, que grande oportunidade terei hoje, de mostrar o meu fabuloso futebol nesse meio-campo que já foi galgado por Didi, Rivelino, Romerito, Preto Casagrande e Diguinho?”


Porra, não abusa.


A gente sabe que você está tirando leite com Nescau dessa grande pedra chamada elenco do Fluminense.


Há quem diga que a fonte desse leite já secou.


Mas, porra, não abusa.


Por mais que essa sopa seja de pedras, você tem ingredientes melhores do que COLOCAR O RENATO NO MEIO, que dirá deixá-lo em campo por MAIS DE CEM MINUTOS.


PELO AMOR DE DEUS.


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Aí eu releio isso tudo e chego à conclusão de que Abel não tem (tanta) culpa, porque ele, simplesmente, não tem o que fazer.


Como diria meu amigo Fagner Torres, do Blog Laranjeiras, com quem tive a honra de assistir à pelada sobre a qual agora lamento, Abel merecia receber adicional de insalubridade pelo banco de reservas que o clube lhe oferece.


O cara tem 11 titulares.


O goleiro está uma água. Ele substitui o Águalieri pelo Julio Chester.


O Leo Pelé – “só se for o Pelé versão Toró do Pelé Eterno” (TORRES, Fagner) – só sabe bater lateral pra área. Aí ele precisa colocar o Calazans, que nem é lateral, mas aparentemente o Abel parece estar preferindo ir pro Gulag do que escalar o cara.


(Procurem saber o porquê, apesar de haver apenas boatos.)


A zaga nem se comenta. O Zagueiro Henrique vive um bom momento, mas ele não joga por dois.


(Os únicos zagueiros que eu já vi jogarem por dois foram Thiago Silva e Leandro Euzébio, O Zagueiro Mais Belo do Brasil).


As opções são Renato Chaves, NO! Gueira e RÉGIS NALDO, que parece uma porra de um guarda-roupa.


Como diria o amigo Gustavo Albuquerque, do blog Flupress, “o meu quarto zagueiro preferido é sempre o que não está jogando”.


A fase desse banco de reservas me faz sentir saudades de MARCIO ROSÁRIO, ELIVELTON, GUILHERME MATTIS e ANDRÉ JUIZ.


No meio-campo, o Abel precisou ir de Luiz Gilmar Fernando Fubá e Renato, o que fala por si só. E o titular, Orejuela, não joga neca de pitibiriba há tempos. Sorte que o Wendel, sim, joga por três.


PQP, como joga bola esse Wendel.


Scarpa sozinho não faz verão, ainda mais quando você precisa ganhar e o Abel saca o cara pra colocar o Régis Naldo.


Aí as opções são Francinilson, Marquinho, Marcos Junior improvisado. RENATO TITULAR NO MEIO. Porra, é foda.


"O Abel tá maluco, o Abel tá maluco


Tanta gente pra botar ele botou o Marcos Junior"


No ataque é o Richarlison, que anda meio vaga-lume, uma grande massa não-visível chamada SAUDADES DO WELLINGTON, Henrique Ceifagols com 20 gols no ano – 10 de pênalti e 10 com o goleiro caído – e o Maicon Bolt indo semi-de-graça pro Flamengo.


As opções são Francinilson e Marcos Junior (que são simultaneamente opções pro meio) e moleques da base que, bom, ainda são moleques da base e nem todos vão ser como um Wendel que estoura e segura o rojão. Até segunda, ordem, são, sei lá, porra, uns Tartás.


Agora imagine você precisando mudar um jogo e se deparar com esse quadro.


Agora imagine se o Wendel ou o Dourado são convocados pra Seleção e precisamos do Pedro por uma sequência maior? Se o Richarlison E/OU Scarpa forem vendidos e precisarmos jogar com Maranhão e Marcos Junior até o final do campeonato? Se o Zagueiro Henrique for vendido pro Barcelona por uma mariola, igual fizeram com o Marlon, e precisarmos jogar com a dupla de zaga segurança de boate NO! Gueira e Régis Naldo?


Cenários tenebrosos, car(o/a) tricolor.


Mais realistas do que se imagina.


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A torcida do Flu virou um evento à parte e é realmente extraordinário estar no meio. Você de fato sente uma FORÇA MUITO FORTE emanando da torcida e a sensação é de que o time é invencível e vai ganhar o jogo mais cedo ou mais tarde, até o Abel, invariavelmente, precisar mexer no time e ter que invocar o famigerado banco de reservas.


Porém, como nem tudo são flores e essa torcida, apesar de bela, é chata pra porra, tem havido uma crescente CELEUMA sobre o fato de uma (boa) parcela da torcida cantar até o fim. “Tem que cobrar, porra, fazendo vexame!”


Minha opinião sobre isso é muito simples e parte de uma premissa tão simples que quando eu contar vocês vão ficar admirados de não terem pensado nisso antes:


Amig(o/a), quem pagou pelo ingresso faz o que quiser. Canta, vaia, leva cartaz pro Igor Julião.


Eu hein.


STs


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P.S.1: Como pode ganhar do Galo no Horto, perder pro Vasco que tomou de 5 do Corinthians hoje e não ganhar do Atlético, jogando com a 1 a mais por 15 minutos?


P.S.2: RENATO DE TITULAR NO MEIO!!!!!!!!!!!!!!!