Os erros do Flu: 'O jogo também se ganha dentro de campo'

Nelson Perez / Fluminense FC
Nelson Perez / Fluminense FC

Dourado briga muito, às vezes até com a bola. Sua saída prejudicou a atuação coletiva do time


É necessário tirar lições desta dolorida derrota para o Goiás. Não porque o adversário é uma maravilha. Conseguiremos a vaga no jogo de volta sem drama, desde que apresentemos a metade do que já mostramos este ano. Fomos vencidos pela forma imponderável como a partida foi escrita: com uma contusão importante, além de erros por parte do time, do técnico e de uma arbitragem terrível.


Um resultado triste. Que quebra a invencibilidade dos titulares num jogo iniciado com claros sinais de que seria possível vencer até com certa facilidade. 


ESPN.com: Goiás aproveita expulsão de Cavalieri e vira sobre o Fluminense na primeira partida


Por mais contraditório que pareça, o revés começou na contusão de Dourado. Desde que o 9 saiu, não conseguimos imprimir a marcação alta, usada de maneira correta para sufocarmos os goianos. Embora com os limites de sempre, o Ceifador desempenha um importante papel de referência, experiência e força no ataque, enquanto Pedro, o substituto, ainda não conseguiu manter o padrão de pressão.


Na última noite, o time se encolheu, terminando a etapa inicial em vantagem, mas já com os erros determinantes no resultado e com os quais precisamos aprender para a sequência do ano.


A expulsão de Cavalieri


O lance é uma sucessão de equívocos. Primeiro a falha no meio-campo, àquela altura, já acomodado na marcação. O jogador goiano, livre, tem tempo de parar, pensar e lançar por cima de nossa defesa, que, para piorar, ainda contava com um zagueiro a menos, já que Renato Chaves trocava a camisa suja de sangue decorrente de pancada em jogada anterior.


A 'bola nas costas' ocasionou a saída atabalhoada de Cavalieri, derrubando o atacante. Uma falta clara para um cartão vermelho exagerado. Principalmente se comparado ao simples amarelo levado pelo açougueiro lateral-direito Hélder, após carrinho violento, criminoso, em Wendel, pouco antes.


A bola, no lance da expulsão, sequer ia em direção ao gol. Uma interpretação caseira do fraco árbitro Marcelo Aparecido de Souza (SP), que não teve outro objetivo senão equilibrar as coisas para o time esmeraldino.


A substituição de Sornoza


A mão que afaga é a mão que bate. Sir Abel Carlos da Silva Braga é FODÃO, mas cometeu um erro crasso ao retirar o Papá de campo para tentar recompor o time. Completou o desmantelamento iniciado pela arbitragem.


A substituição acabou com qualquer possibilidade de cadência, frieza e inteligência em nosso meio-campo. Tudo que o Fluminense precisava para levar o jogo ao seu modo, no banho-maria, acelerando quando fosse conveniente. Tínhamos um a zero no placar, além de Wellington, Marcos Junior e Pedro no ataque. O óbvio seria sair um desses três. Pedro, na opinião deste blog.


| Curta o BLOG LARANJEIRAS no Facebook


Não fez o menor sentido substituir o único capaz de armar para a velocidade de finalização dos atacantes. Abelão MATOU a chance de um segundo gol, mesmo com a desvantagem numérica em campo.


Nelson Perez / Fluminense FC
Nelson Perez / Fluminense FC

Sir Abel Carlos da Silva Braga errou feio, errou rude


Júlio Chester, ops César


Não chegou a ser um frango, todavia Júlio César falhou no primeiro gol. Já estava claro que a única forma dos goianos alcançarem o empate era num chute de longa distância, pois Henrique e Renato Chaves faziam partida irretocável. A dupla tirou todas pelo alto, algo que não ocorria há muitos jogos.


Foi aí que o goleiro caiu atrasado num chute executado há uma milha de distância do gol. Não é a primeira vez. O reserva não oferece segurança.


| Siga o BLOG LARANJEIRAS no Telegram


Cavalieri, meia-bomba como está, precisa de uma sombra capaz de pressioná-lo a voltar aos seus melhores dias ou então para barrá-lo de vez, pro bem de todos.


E Júlio César nunca foi, não é, tampouco será este goleiro. A camisa que foi de Castilho, Félix, Paulo Victor e do próprio Cavalieri de 2012 merece muito mais.


Por fim, o pênalti


Ninguém melhor que o próprio Aylan, ator do Goiás, para comentar:



Eu me joguei. E graças a Deus, o juiz deu!



Uma frase que mostra falta de vergonha. E também um erro - ou acerto, dependendo do ponto de vista - de arbitragem sintomático contra um clube que, diferente de seus rivais, vem acatando prejuízos em silêncio.


Ocorreu antes, naquele impedimento quíntuplo de domingo. Ocorreu agora, num confronto de Copa do Brasil.


E quando irão reclamar? Esperarão um soprador de apito, um bandeirinha qualquer, nos tirar uma classificação importante?


Sempre que assisto essa passividade, a cara blasé com a qual o Fluminense encara as arbitragens, penso na frase de um tal Manoel Schwartz, que, questionado sobre a falta de isonomia no futebol brasileiro, respondia, sempre ferino: 'o jogo TAMBÉM se ganha dentro de campo'


Se não custa lembrar disso até a semana que vem, esquecer pode custar a classificação.


@TorresFagner