3 motivos para o bom começo de temporada do Fluminense

Surpreendente é a palavra mais repetida neste blog desde que a atual temporada começou. Lembrando do estado deplorável em que terminamos 2016, nenhum tricolor, por mais otimista que fosse, imaginava iniciar 2017 com números tão positivos quanto os que estamos tendo agora.


Mais que resultados, é o estilo deste novo time o real motivo de surpresa e esperança. A movimentação e a busca por resolver os jogos rapidamente são os verdadeiros ingredientes de nossa empolgação. E quando a fase é boa, até a mídia se mostra atenta, como no caso do jornalista André Rocha, do UOL, que afirma ver no Fluminense de Abel, o primeiro time a encher os olhos no Brasil em 2017.


E quais são os motivos para essa mudança de postura? Observei três fatores que fazem o Fluminense atual ser diferente daquele que terminou a temporada passada de forma melancólica e preocupante. Confira abaixo:


1 - A chegada de Abel Braga


Nelson Perez / Fluminense FC
Nelson Perez / Fluminense FC

 O líder do processo


Nunca escondi a satisfação pelo retorno de Abelão à sua casa. Afinal, o próprio frisa que foi aqui que se formou como atleta e cidadão. Abel Braga expõe seu DNA desde quando era só um jovem zagueiro que chorou ao ter que trocar a Máquina Tricolor da década de 1970 pelo Vasco.


Como treinador, de acordo com a opinião expressa neste blog ainda em novembro último (leia aqui), Abelão era o único profissional capaz de pegar o verdadeiro rabo de foguete que éramos no fim de gestão passada, sem dinheiro, com elenco inchado, questionável e desmotivado, e transformar num time competitivo.


Em pouco tempo, ele já fez uma pequena revolução. Chegou falando no necessário 'resgate da alma tricolor', participou ativamente do descarte de atletas dispensáveis, recebeu bem as contratações finalizadas antes de seu retorno e tem observado de perto a molecada que está subindo para os profissionais.


Tricolor que é, Abel se compromete com o futuro do Fluminense. Como participa das decisões colegiadas do novo Departamento de Futebol, sabe que não podemos investir no mercado. Logo, faz o necessário muito bem feito com os jogadores que tem, motivando-os de modo que atinjam o melhor desempenho possível. O antes negociável Henrique Dourado hoje é um exemplo disso.


Por fim, ele deixa o oba-oba para nós torcedores, impedindo a acomodação dos comandados. Elogia e critica a performance do time, mas não os resultados. O foco é em fazer o melhor. A entrega da equipe B contra o Volta Redonda, no último sábado, indica a seriedade do trabalho.


2 - Acabou a panela?


Jamais assumido, é de domínio público que o relacionamento no Fluminense nunca foi dos melhores. Grupinhos, jogadores e técnicos fritados, suspeitas de corpo mole, vaidade exacerbada de dirigentes etc.


Até o ano passado, todo mundo saía do clube atirando, apontando as dificuldades em trabalhar num ambiente partido, às vezes com muitas vozes de comando, outras sem nenhuma. 


Dentro de campo, o péssimo ambiente refletiu em campanhas pífias. Exceto no comecinho dos trabalhos de Cristóvão Borges e Enderson Moreira, o nível das atuações foram tão sofríveis, que parte dos tricolores aparentemente se acomodou com uma situação que parecia irreversível. Não à toa, terminamos os dois últimos Brasileirões no ridículo 13º lugar. 


Tudo indica que 2017 inicia diferente. O clube sugere uma transformação da mentalidade, ainda que a nova diretoria seja, em parte, uma continuação da anterior. A chegada de Abel, já citada, sacudiu o elenco. Mais de 30 jogadores foram dispensados. A maioria deles, em desgraça com a torcida.


3 - A juventude do novo time


Nelson Perez / Fluminense FC
Nelson Perez / Fluminense FC

Os equatorianos Orejuela e Sornoza deram eficiência e fôlego ao time titular


O futebol competitivo também é feito de vigor físico. E esta característica vinha em falta em nossos times recentes.


Porém, a terra arrasada na qual terminamos 2016 nos obrigou a rejuvenescer o time titular, de modo que atualmente temos só dois jogadores na casa dos 30 anos, sendo um deles, o goleiro. Os demais são jovens, com destaque para setor que é o pulmão da equipe, o meio de campo.


Ali, Douglas (20), Orejuela (24), Papá Sornoza (23), Scarpa (23) e Wellington Silva (24) ditam a correria. Aliada à categoria dos cinco, a força da juventude tem sido determinante para o ritmo das nossas atuações. A média de gols marcados e sofridos não é fruto do acaso. Demonstra poderio ofensivo e grande disposição para defender. Em linhas gerais: agora todo mundo corre!


Dito isso, finalizo ressaltando que seria utópico afirmar que manteremos o desempenho atual e obteremos êxito em todos os jogos até dezembro. O Flu 2017 ainda é um embrião sujeito a oscilações e os desafios mais duros estão por vir.


Contudo, também não é exagero dizer que todo caminho torna-se mais tranquilo quando pavimentado com boas vitórias. E se elas estão ocorrendo naturalmente, abro uma aspa para o grande tricolor e amigo, Dedé Moreira: 'O Fluminense vem fazendo exatamente o que precisa ser feito. Passando o rodo, trucidando. Mostrando quem é o time grande'.


Qualquer pessoa com bom-senso sabe que a minha cobrança sempre foi essa.


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(Parênteses)


Sobre a torcida única - De antemão, exponho minha visão.


Nas questões sérias da existência, sempre digo que, antes de me posicionar, imagino o que pensaria Eduardo Galeano sobre tal situação. No caso da decisão de impor a torcida única nos clássicos cariocas, por tudo que o autor de Futebol ao Sol e à Sombra escreveu, é óbvio que ele seria contra.


E se Eduardo Galeano seria contra, senhores, me desculpem, mas eu não posso ser a favor.


Ainda há tempo pro Ministério Público do Rio de Janeiro transferir sua mania de perseguição ao torcedor para aqueles que são os verdadeiros responsáveis ​​pela sensação de insegurança que cerca não apenas os estádios de futebol, mas todo o Estado. Dica: são os mesmos que desfiguraram, venderam e fecharam o Maracanã, enquanto este próprio MP fazia vista grossa.


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@TorresFagner