Diretoria do Flamengo é a maior culpada pela falha de Thiago

Quem acompanha o blog sabe que critico o fato há tempos. Pelo segundo ano da atual gestão, a diretoria rubro-negra falhou desgraçadamente no planejamento defensivo do time de futebol. Iremos disputar um jogo de final, fora de casa, sem vantagem alguma e desprovidos de um goleiro bom, de um goleiro confiante, de um goleiro com condição mínima de honrar as cores do Clube de Regatas do Flamengo.


O Flamengo começou o ano classificado à Libertadores da América. No planejamento orçamentário da diretoria, alcançaríamos – no mínimo – a semifinal. Na cabeça de Eduardo Bandeira de Mello, Flávio Godinho, Fred Luz, Rodrigo Caetano e Zé Ricardo, estaríamos entre os 4 melhores times do continente com Rafael Vaz titular e Alex Muralha no gol, sem reserva. 2017 chegou com 3 goleiros no elenco: Muralha, Thiago e Gabriel Batista. Gabriel segue sem ter estreado, Thiago possui 19 jogos profissionais na carreira.


Ciente da imaturidade dos arqueiros reservas, a cúpula da Gávea correu atrás do retorno do empréstimo de César para inscrevê-lo na Libertadores (!). Ele estava na reserva da potente Ferroviária de Araraquara (!!!).



Rubro-negro se empolga, é verdade. O bom desempenho no Brasileiro-16, após a chegada de Diego, fez com que a maioria achasse Alex Muralha um bom goleiro. Sabe-se lá como, ele chegou à Seleção. A diretoria não pode encarar com os olhos de um geraldino. Bandeira e cia tinham a obrigação de saber que Muralha “ganhou” apenas duas partidas pelo Flamengo, no ano passado. Contra o Palestino, no Chile, e contra o Cruzeiro, em Cariacica. Dois jogos seguidos, vale ressaltar. No terceiro, falhou. E o Flamengo foi eliminado da Copa Sul-Americana.


Se o 2016 de Alex Muralha foi regular, o 2017 é péssimo. Ele praticamente obrigou Thiago a ser lançado no time titular. E lá foi Thiago, que apenas saiu no atacante, sem tentar fechar o ângulo, em seu primeiro gol sofrido no Brasileiro, contra o Avaí. Duas rodadas depois, diante do Fluminense, parou – assim como toda a defesa – no gol de Wendel. Frente ao Grêmio, desabou no errado chute de Luan, que valeu a vitória deles. Contra o Palmeiras, saiu em “L” – como um cavalo de xadrez –, dando a Willian a única opção que um goleiro não poderia oferecer no lance: “toque curto com o pé bom (direito)". 3 dias mais tarde, deixou o gol aberto para Henrique Almeida marcar pelo Coritiba.


Thiago foi blindado porque o ano de Muralha é catastrófico. Se as falhas do veterano se davam em erros crassos, as do garoto eram apenas técnicas. Thiago errou clamorosamente somente no gol da Chapecoense. O “1 deles” no “nosso 5 a 1”. Contra o Bahia, tentou encaixar com as mãos, na altura da cabeça, uma paulada. A bola, caprichosamente, saiu por cima do travessão.


E aí o Brasil crucifica dois profissionais por não serem capacitados à função designada a eles. A culpa não é dos goleiros, e sim do departamento de futebol. Ignorante em sua “pasta”, incapaz de perceber os graves problemas defensivos do Flamengo. Almejava a conquista da América sem goleiro e com Rafael Vaz titular.


Divulgação/Flamengo
Divulgação/Flamengo


Vocês lembram de quando Rafael Vaz chegou? Foi trazido junto com Réver. Um na reserva de um time de Série B, outro na de um futuro rebaixado. A situação na nossa zaga era crítica. Começamos o Brasileiro com Léo Duarte e Juan formando a dupla. Juan se machucou e a diretoria foi obrigada a promover César Martins de afastado a titular(!).


Não à toa Rhodolfo e Diego Alves foram contratados recentemente. Assim como Réver, Vaz e Donatti – no ano passado –, vieram remendar um péssimo planejamento. Já no meio da temporada, com mais uma sonhada Libertadores naufragada ainda na fase de grupos, e com o Corinthians anos-luz à nossa frente.


Dois anos da atual gestão, dois anos de desastroso planejamento. Dois anos de vexame no primeiro semestre para, só aí, o departamento de futebol tentar arrumar a casa. Hoje praticamente um político, Eduardo Bandeira de Mello trabalha fortemente na eleição de um sucessor (e quem sabe até no próprio lançamento na vida pública). No quesito futebol, é uma metralhadora de tiros pela culatra.


Temos dinheiro, contas em dia, mas não lotamos a Ilha do Urubu; não temos goleiro para a final da Copa do Brasil, não tínhamos zagueiro para a Libertadores. Contudo, nossas redes sociais bombam! Temos hashtag, vídeos no Youtube e grupo de Whatsapp para promover a tradicional paz com o Cruzeiro! Ampliando o caos de sempre com o Atlético-MG...


Que fique claro a Bandeira e companhia: #timegrandetemquetergoleiro.


Gilvan de Souza/Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo


Sobre a decisão da Copa do Brasil


Dormimos na madrugada do dia 8, só acordaremos no final do mês. Até que saia o campeão, o amanhã não chegará. Deitamos com a cabeça martelando um empate que era para ser vitória nossa. Nunca que um bandeirinha anularia o gol de Paquetá. Time da casa, final de campeonato, estádio lotado, lance milimétrico, quase imperceptível a olho nu; e ainda havia um cruzeirense estatelado no chão para complicar mais o trabalho da arbitragem.


Jogaço de Willian Arão, mais uma fraca partida de Márcio Araújo (outro que não tem culpa pelo futebol que pratica. Trazido para botá-lo no banco, Rômulo não fez um jogo acima do camisa 8). Berrío segue sendo Berrío. Sujeito limitado, atrapalhado. De longe o que tem mais coração. Não acertou um cruzamento para a área, que não tinha centroavante de ofício.


Improvisado, Lucas Paquetá fez o que pôde. Mesmo sem cacoete de atacante, é melhor que Felipe Vizeu e Leandro Damião. E aí constatamos mais um erro da diretoria, já que o titular – Guerrero – toma 3 cartões amarelos a cada 5 jogos.


Zaga foi bem, dentro de suas limitações; Éverton pouco conseguiu jogar. Já Diego... Sua qualidade o deixa sempre com poder decisivo, mas não pode seguir prendendo tanto a bola. Girando de um lado pro outro, sem tocar, sem definir, e por muitas vezes ocasionando contra-ataques. Tem ajudado a manter a torturante dificuldade de criação do Flamengo.


Agora maior, nosso grande drama continua no gol. Quem quer que seja, tanto Thiago quanto Alex Muralha terão a chance de se sagrar herói no Mineirão. Esbanjar confiança pode custar caro, mas a condição mínima para uma boa partida é que o escolhido não entre com medo. Capacitado ou não, ele joga no Flamengo. E o Flamengo não pode ter medo de nada, quanto mais de ser campeão.


Sobreviveremos a esses vinte dias, para que o vigésimo primeiro traga a sensação de que valeu a pena o período de ansiedade, aflição, e noites mal dormidas.


Sejamos melhores, sejamos mais fortes, sejamos Flamengo.


Pedro Vale/Gazeta Press
Pedro Vale/Gazeta Press