De olho na Libertadores: testes que Zé Ricardo pode fazer

É, meus queridos. Giordano Bruno renasceu no Acre, Bolsonaro foi à Hebraica bradar a superioridade racial, há uma segunda campeã no carnaval do Rio e ainda não chegou o jogo contra o Atlético-PR. Longos dias, arrastadas partidas e o torcedor segue com um quê de preocupação: o Flamengo não parece “pronto” para confronto da próxima quarta-feira. Os erros se repetem e, ao que tudo indica, pouco/nada melhorou em relação ao time derrotado pela Universidad Católica.


Usamos os reservas em jogos de dar sono, barriga virou mão num clássico com o Vasco mais desfalcado que o Flamengo e precisamos de falha de goleiro para marcar no time B do Fluminense. Resta apenas mais um teste antes de voltarmos a campo pela Libertadores. Por sorte, o melhor dos testes no período.


É Flamengo e Vasco, no Maracanã. A dias de jogarmos grande parte de nossa vida em busca do real objetivo do ano, não é de se esperar que os atletas doem até o rim para bater o rival, no sábado. Nem que Zé Ricardo vá conduzir uma série de mirabolantes transformações. Acima de tudo, precisamos de um time entrosado. Mas há, sim, experiências que podem ser feitas nessa semifinal da Florida Cup carioca, também conhecida como Taça Rio.


Será complicado testar isso tudo, é claro. Mas já que é mais complicado ainda Zé Ricardo largar mão do 4-2-3-1 com meio-campo esburacado e um ponta assaz improdutivo, o blogueiro aqui resolveu listar uma série de mudanças que talvez possam fazer bem ao futebol do nosso Flamengo.


Mourão Panda/Gazeta Press
Mourão Panda/Gazeta Press


Donatti, Juan, Léo Duarte, Mozer...


Aparentemente, isso aqui vai rolar. Zé Ricardo já treinou o time com Donatti ao lado de Réver. O argentino ainda não fez por merecer grande simpatia da torcida, mas nada supera a antipatia que temos hoje por Rafael Vaz. É importante o trabalho feito por Zé de não deixar que o momento acabe com a carreira do zagueiro, mas, por enquanto, precisamos seguir em frente sem ele entre os titulares. Juan é craque de bola, mas as lesões sofridas e a idade já mostraram que pesam demais em jogos “grandes”. Donatti parece, mesmo, a melhor alternativa. Se ainda não agarrou as chances que teve, agora não terá a opção de agarrar ou não.


4-4-2


Foi-se o tempo do WM, chegou o do 4-1-4-1. 4-3-3 já não é a mesma coisa que 4-2-3-1. Mas vou te dizer, Professor Zé, há uns anos aí inventaram uma formação que ficou famosa até: 4-4-2. No segundo tempo do jogo contra a Chapecoense, na Arena Condá, ano passado, você testou. E deu bem certo.


Talvez não precise ser com 2 camisas 9. Éverton pode fazer o segundo atacante com Guerrero de centroavante. Mas seria interessantíssimo vermos Diego jogando de frente para o gol adversário. Ultimamente, nosso maestro tem vindo demais buscar bola atrás, fica de costas.


Dá pra fazer a volância com Márcio Araújo (quem diria!), Mancuello/Rômulo e Arão; com Diego mais à frente, solto, como cérebro do time que é.


Mancuello de volante


Não sei se vocês se lembram, mas no ano passado o Flamengo contratou ao Independiente um cara que jogava como segundo volante, um tal de Mancuello. Chegou como a salvação, mas já viu volante ser salvação? Inventaram que ele era camisa 10, ponta...


Infelizmente não é. Talvez o amor ao ex-clube e a dedicação prometida em sua apresentação fizeram o torcedor se apegar e ter dificuldade até hoje de “desistir” do argentino. Ele foi contratado como volante e nunca jogou assim no Mengo. Como ponta, amigos, sabemos que não dá. Talvez como volante possa elevar a qualidade de nossa saída de bola e ser efetivo na criação de jogadas.


"Paradinei"


Esse aqui não vai dar para fazer contra o Vasco, pela suspenção de Pará. Mas nada impede nosso treinador de testar nos treinamentos.


O Mengão não tem um ponta direita que agrade. Mancuello, Gabriel e Marcelo Cirino já provaram por A+B que não são o ideal e Berrío está suspenso na Libertadores (embora já tenha quase completado essa tal “prova do A”).


Por duas vezes, na Taça Guanabara, Zé Ricardo colocou Rodinei e Pará juntos, pela direita. Verdade que foi contra Boavista e Macaé, mas funcionou. No ímpeto por um gol, por jogadas velozes e cruzamentos precisos, talvez essa possa ser a melhor alternativa. Com os dois meio que se apoiando mesmo. Um na função de lateral e o outro mais flexível, habilitando as ultrapassagens. E, na recomposição, os dois com “cacoete de lateral” para marcar.


Humberto Sales/Gazeta Press
Humberto Sales/Gazeta Press


Muitos devem estar pensando “o blogueiro enlouqueceu!”. Provável que tenha enlouquecido mesmo. A matemática da Libertadores é clara: ou o Flamengo vence o Furacão na quarta e a gente pode dormir com um pouco de decência, ou serão, no mínimo, 14 dias de sonos perturbadores. Simples assim.


Maracanã lotado ajuda a ganhar jogo, mas não ganha sozinho, não. Precisamos também de um time que faça valer a vitória. De preferência, com um futebol melhor do que o atual Flamengo tem apresentado.