Fla foi reprovado no último teste antes da Libertadores

Depois de tudo o que aconteceu na última semana, já estava óbvio: o Fla-Flu terminaria empatado. Nada mais justo, aliás. E foi um empate do jeito que a situação merecia: repleto de bolas na rede, emoção, viradas de placar, gol no fim. Explosão e angústia das duas torcidas, indispensáveis a qualquer clássico. O Fluminense saiu vencedor porque alguém haveria de ser o campeão da Taça Guanabara. A tal “loteria” premiou o time que mereceu o caneco.


Enquanto nós tivemos a semana inteira pra treinar, eles foram ao Mato Grosso jogar pela Copa do Brasil, na quarta-feira. O Flamengo seguia fazendo suas atividades no CT, no próprio Rio de Janeiro, e o Fluminense não conseguia voltar pra casa. Vôo atrasado e 18 horas de viagem até que pudessem “virar a chavinha” para o Campeonato Carioca. Eles com 2 desfalques, sem o principal jogador do elenco. Nós com força máxima (não me venham falar em Conca). O Fluminense jantou o Flamengo em campo, e só não venceu nos 90 minutos porque o Fla-Flu teria de empatar.



Favorito, o Flamengo buscou impor seu jogo. Ao Fluminense, interessavam os contra-ataques. E foram cerca de 218 só no primeiro tempo. Quase sempre em vantagem numérica e com muito pouca resistência oferecida por nossa defesa. Não à toa o primeiro e o terceiro gol deles nasceram em contra-ataques. Nasceram em meio a uma bagunça que foi o sistema defensivo do Flamengo.


O que preocupa é que poucas novidades foram vistas. A grande mudança em relação aos outros jogos da temporada foi o adversário. O melhor time que enfrentamos no ano fez o que quis com o Flamengo. Todos sabemos que Willian Arão sobe demais, que Réver e Vaz acham que jogam o quádruplo do que realmente jogam. Só não havíamos enfrentado um rival que usasse isso a seu favor. Enlouquecedor ver, a todo momento, a defesa de costas, correndo e batendo cabeça para tentar evitar o pior. E aí, finalmente, perdemos o medo de fazer a pergunta que pairava em nossas mentes desde a primeira rodada: cadê o Rômulo?


Deve ser maldição de Márcio Araújo. Achamos que nossos problemas haviam acabado, mas... A verdade é que Rômulo não se mostrou superior ao “Massa” em nenhum momento desde que vestiu o Manto Sagrado. Completamente nulo nesse domingo. Lento, não acompanhava as jogadas e não buscava nada além do passe de lado quando tinha a bola.


Alex Muralha é outro que mexeu com os nervos da torcida. Um tanto estabanado, mal no terceiro gol e zero intimidador nos pênaltis. Das 5 cobranças que teve contra, só foi bem em uma: na de Henrique Ceifador, ainda no tempo normal. O goleiro deles também não foi nada de mais. Nem precisaria, já que Réver e Rafael Vaz foram escalados para bater. O capitão chutou de sola e o “Domingos da Guia do século XXI” colocou a bola com precisão no logo do Guanabara. Cobranças para coroar o péssimo desempenho defensivo do Flamengo e brindar a boa partida do Fluminense com a taça.


Jorge Rodrigues/Gazeta Press
Jorge Rodrigues/Gazeta Press

Enfim, um gol de falta


No segundo tempo, eles mandaram no jogo, administraram a vantagem e sofreram pouco perigo. Berrío foi apenas “o plano B” de Zé Ricardo para tentar tirar o Fla do marasmo. Sabe-se lá como, resolveu apostar primeiro em Gabriel. O ponto positivo foi a forma com que marcamos o terceiro gol. Desde a eliminação para o Fortaleza, na Copa do Brasil do ano passado, o Flamengo não fazia um gol de falta. Contra time de Série A, o último havia sido de Ayrton, sobre o Joinville, em outubro de 2015. Gol para acabar com esse jejum e fazer jus a mais uma boa atuação de Paolo Guerrero, o melhor do Mengo no clássico.


O resultado do Fla-Flu quase não importava, tampouco a Taça Guanabara. O que valia mesmo era o maior teste no ano, justamente 3 dias antes da estreia no torneio mais importante que disputaremos nesse 2017. O Flamengo foi reprovado no teste.


Niguém foi dormir triste, ninguém foi dormir puto, mas dormimos preocupados. Quarta-feira, é bem provável que a proposta do San Lorenzo seja similar à do Fluminense. Pressionar Diego e explorar os contra-ataques.


Alenta o discurso de Zé Ricardo e dos jogadores após o Fla-Flu. “Que os erros sirvam de lição para a Libertadores”. A lição já temos, agora é fazê-la com competência. Se os erros cometidos no Nilton Santos se repetirem no Maracanã, uns dormirão tristes, outros dormirão putos e muitos de nós sequer vão conseguir dormir.