Flamengo: empate com gosto de sabe-se lá o quê

O Flamengo de 2017 é um time confuso, que se comporta de maneira confusa e que por isso torna em vários momentos a tarefa de avaliar seus resultados um tanto quanto confusa também. Temos vitórias em que a equipe mostra um futebol pior do que em derrotas, temos classificações em que o time que nós desclassificamos sai mais animado do que a gente, temos um técnico que muitas vezes elogia mais a equipe quando ela empata do que quando ela vence. Como eu disse, é um tanto quanto confuso.

E a mesma coisa vale para como avaliar o empate contra o Corinthians. Se você analisar só o futebol jogado no primeiro tempo, quando um Flamengo anêmico, que no ataque dependia de lampejos e na defesa dependia da nossa capacidade de tirar a bola com a força da mente, foi amassado pelo Corinthians e não conseguiu fazer nada além de passar a bola pro lado, como na partida de handebol mais chata do mundo, o empate pode, sim, ser visto como um grande resultado, na verdade até como um sinal da misericórdia de deus.

Já se você avaliar o segundo tempo, em que o time dominou totalmente as ações, conseguiu efetivamente armar jogadas e só não virou a partida porque Diego – mais uma vez – acabou falhando em um momento decisivo, o empate já soa menos como vantagem e mais como outra oportunidade perdida de reduzir a distância cada vez mais absurda que o líder do campeonato está abrindo em relação ao nosso time.


Gazeta Press
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Mas é a soma desses dois tempos que mais exatamente reflete os problemas do Flamengo e aquela que talvez venha a ser as soluções para ele. Primeiro porque ficou claro, mais uma vez, que temos problemas graves na defesa. Nossa dupla de zaga não tem velocidade, nossos laterais falham com frequência absurda na cobertura, nossos volantes deixam espaços imensos e qualquer passe em profundidade pelo meio se torna uma chance tão clara de gol que parecemos estar vendo algum tipo de macetinho da época do Playstation 1.

São falhas individuais de Juan e Réver para acompanhar os atacantes rivais? Claro. É falha de Zé Ricardo não conseguir ajeitar melhor o sistema defensivo? Com certeza. Mas chegar no segundo semestre não tendo opções viáveis além dessa dupla – Rhodolfo machucado, Léo Duarte Machucado, Rafael Vaz nem é um zagueiro, é algo ainda sem nome - com certeza é uma falha ainda mais grave do departamento de futebol em termos de montagem de elenco.

Porém, é talvez nas mexidas do segundo tempo que temos uma nova “antiga” perspectiva de Flamengo. Porque com Arão entrando bem voltamos a ter alguém no meio de campo que possa tabelar com os meias e vir de trás para ajudar na armação de jogadas – nem Márcio nem Cuellar têm essa capacidade – como o próprio Arão fazia durante a boa fase do Flamengo no Campeonato Brasileiro do ano passado. Somando isso com a entrada de Berrío pela direita, o time voltou a ter jogadas de triangulação e ultrapassagem, saindo um pouco da fórmula nada eficiente de rodar a bola, rodar mais a bola, perder a paciência e aí tentar um chuveirinho frustrado dentro da área que só serve pro Guerrero se irritar e tomar um cartão amarelo de bobeira, no que compõe possivelmente a pior jogada ensaiada do mundo.

E partindo do princípio de que não apenas Zé tende a ficar no cargo, como dificilmente vai resolver finalmente mudar sua visão para o time, talvez isso seja o melhor que possamos esperar: uma tentativa de retorno ao que funcionou em 2016. Dependemos bastante de William Arão para isso e depender dele não parece exatamente uma grande ideia? Provavelmente. Mas se desse certo já seria uma grande evolução em relação ao Flamengo do primeiro tempo, esse sim um time que não queremos ver de novo nunca mais.