Mais um dia da marmota rubro-negra

Empatar contra o Cruzeiro, fora de casa, é um resultado que raramente pode ser considerado ruim, dada a força do Mineirão e dado o fato de que estamos enfrentando um dos maiores times do Brasil. Da mesma forma, uma 4ª colocação no Brasileiro, um dos campeonatos mais disputados do mundo, onde vários times começam com chances de título, colocação essa que te coloca na zona da Libertadores, também não costuma ser visto como ruim ou tratado com desdém. Por que então, quando o Flamengo termina o domingo empatando com o Cruzeiro fora de casa, na 4ª colocação do Brasileirão 2017, a sensação não é de moderada alegria, não é de vaga satisfação, mas sim algo que varia entre desânimo, irritação, a percepção de que o episódio do “Casamento vermelho” em Game of Thrones frustrou menos esperanças de um final feliz do que a campanha da equipe da Gávea esse ano?


Primeiro porque a frustração é sempre proporcional à expectativa e o Flamengo 2017 nos encheu de expectativas. Após brigar pelo título ano passado, se reforçar ainda mais para esse ano, mantendo um treinador que vinha dando certo, a equipe parecia estar à caminho das vitórias e da regularidade. Diante de uma eliminação traumática na Libertadores e de um começo inseguro no Campeonato Brasileiro, uma quarta colocação, 12 pontos atrás do primeiro colocado, parece transmitir a mensagem clara de que um Flamengo que se esperava protagonista da competição tende a ser no máximo um codajuvante, se bobear apenas um figurante com algumas boas falas de vez em quando.


Mas mais do que a frustração das expectativas, mais do que a sensação de que esse elenco pode mais do que vem apresentando, mais do que a certeza de que existe um desnível profundo entre o volume de investimento e a qualidade das apresentações, o que mais perturba no Flamengo 2017 é a repetição. A repetição de falhas, a repetição de erros, a previsibilidade de um time que teria elementos para ser imprevisível, a certeza de que muitas vezes estamos vendo um filme cujo final já conhecemos e que é meio “Cidade dos Anjos”, com muito mais tristeza e desânimo do que qualquer um de nós mereceria.


São jogadores que já mostraram que não merecem estar na equipe recebendo mais e mais chances enquanto outros seguem, por razões nem sempre tão claras, como último recurso. São situações de jogo que vem se repetindo desde o ano passado mas para as quais a equipe ainda não conseguiu encontrar soluções, já que parece nem mesmo reconhecer os problemas. São empates sofridos sempre no mesmo tipo de vacilo, derrotas que acontecem por conta das mesmas falhas, tudo isso seguido também do mesmo discurso padrão de um Zé Ricardo que parece ter em relação ao destino do próprio trabalho uma confiança que nenhum outro rubro-negro consegue ainda sustentar.


O Flamengo está longe de ser uma equipe ruim e claramente não vem exibindo um futebol terrível, como qualquer um que já acompanhou fases piores desse clube bem sabe. Mas ainda assim ele se tornou um time previsível, que não muda, que não varia, que não surpreende, e que não parece ter nele o necessário para alcançar os líderes do Campeonato Brasileiro ou mesmo brigar da maneira que deveria pelos títulos da Copa do Brasil e da SulAmericana. Cabe a Zé Ricardo e ao elenco do Flamengo oferecer aquele salto de qualidade que o rubro-negro precisa nesse momento, já que outra história que todos nós já conhecemos o final é aquela que envolve um treinador em equipe grande que, por mais confiança que receba da diretoria, não consegue transformar essa confiança em resultados. Spoiler: não costuma ser um final feliz.