De Rafael Vaz a Vinícius Jr: as respostas estão diante de Zé Ricardo

Gazeta Press
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E o Flamengo empatou novamente. Numa manhã em que parecemos viver nossa própria versão da novela “A Viagem”, com o espírito obsessor de Marcelo Cirino possuindo nossos atacantes, não conseguimos tirar do zero o placar contra um Botafogo cansado e tão interessado no empate que possivelmente o banco de reservas já estava fazendo o gesto de “acabou, juizão” enquanto o árbitro ainda atirava pro alto a moeda do par ou ímpar.

E ainda que o primeiro tempo tenha representado os quarenta e poucos minutos que mais decepcionaram e confundiram a cabeça do cidadão brasileiro desde o episódio final da série “Lost”, as substituições do segundo tempo e a dinâmica final da partida serviram para reforçar algumas coisas que há muito tempo já deveriam ter ficado claras para Zé Ricardo - e pra lembrar como esse time é diferente com Diego em campo.

A primeira é que não faz sentido Rafael Vaz titular quando temos Juan no grupo. Entendo que o experiente zagueiro não esteja no auge de sua condição física, entendo que talvez precise de um jogador veloz na cobertura, mas Juan é tão superior a Vaz em todos os aspectos que formam um defensor que a única justificativa para que ele não seja titular é caso ele não possa entrar em campo, situação essa em que entraria Léo Duarte, e se Léo Duarte não pudesse, a vaga seria, sei lá, sorteada entre os sócios-torcedores. O sorteado se machucou? Aí sim entra Rafael Vaz.


A segunda é que Vinícius Jr também já merece uma vaga no onze inicial. Claro que é um jogador jovem, vai oscilar entre as partidas e não pode ser considerado a solução para esse time. Mas em poucos minutos durante 4 partidas o garoto já mostrou que tem mais bola, coragem e disposição que os outros jogadores da mesma posição e, quanto mais tempo ele atuar, mais chances vai ter pegar ritmo e mostrar serviço no profissional. Existe, não sei, 25% de chance de queimar Vinícius com uma titularidade hoje? Talvez. Mas existe 100% de chance de queimar a paciência da torcida e as oportunidades de vencer ao não colocar o garoto em campo.

Por fim, é preciso falar sobre a situação Vizeu x Damião. De um lado temos um atacante jovem, promissor, artilheiro nas seleções de base, cujo passe pertence ao clube e que já chegou a disputar posição com o titular Guerrero. Do outro temos um homem obcecado por tentar dar de bicicleta na bola em momentos inesperados da partida. Diante disso fica clara que a insistência do Zé em priorizar Damião - chegando ao extremo de renovar o empréstimo do jogador - não apenas não faz sentido do ponto de vista técnico, já que ele não produz nada, como também não se justifica no aspecto financeiro, já que atrasamos o desenvolvimento de um atacante que recebe pouco e ainda pode valer uma fortuna para dar mais chances a um jogador que recebe uma fortuna e nem vinculado ao clube é. Exceto caso Zé realmente esteja tentando suprir na vida adulta o fato de nunca ter tido uma bicicleta quando criança, é impossível justificar Damião levar vantagem nessa disputa.

O Flamengo já perdeu nesse começo de Brasileirão pontos essenciais que vão fazer falta lá pra frente? Certamente. Mas ainda existe tempo para mudar escalação, postura e aprender não só com todos os erros de Carioca e Libertadores como também com esses que aconteceram nas últimas rodadas. Como deu pra ver no segundo tempo, existe dentro desse time muitas vezes burocrático um outro Flamengo, precisando apenas de coragem para aparecer.