A noite em que nos apaixonamos pelo Flamengo 2017

Não estou falando que você não vai se arrepender, não tô te garantindo que tudo vai dar certo. Se você já gamou na colega de colégio, se já olhou com cara de bobo pra garota na faculdade, você sabe como funciona paixão. Não vai te dar certezas, não vai te dar garantias, não vai te fazer promessas. Vai te dar aquele coração batendo acelerado, vai te deixar aquele sorriso bobo no rosto, vai te fazer ao mesmo tempo querer contar pra todo mundo e guardar só pra você.


E ontem o Flamengo, por alguns minutos, não esteve em campo para vencer, não esteve em campo para marcar gols, esteve em campo para que a gente voltasse a se apaixonar por ele.


Não que tenha começado bem, claro. O primeiro tempo da partida contra o San Lorenzo parecia um extra perdido do DVD com as piores partes da final contra o Fluminense, recheado de falhas de posicionamento, articulação nula de jogadas, uma equipe que nem mesmo com o imenso mosaico dizendo “ISSO AQUI É FLAMENGO” atuava como se soubesse quem era ou onde estava. O Maracanã estava lotado, mas o futebol parecia não ter conseguido comprar ingresso por conta de alguma pane no sistema.


Gazeta Press
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E aí veio o segundo tempo e tudo aconteceu. Primeiro o gol de Diego, de falta, pra acordar a torcida e acordar o próprio Diego, que parecia ainda não ter se recuperado da derrota para o Fluminense. Aí Trauco, num golaço de fora da área daqueles que você solta o joystick do FIFA e sua mãe precisa separar você e seu irmão porque ele tá tentando te agredir na sala, seguido de Rômulo de cabeça e, por fim, mostrando que a noite era mesmo especial, Gabriel, um jogador mais questionado do que um adulto de 32 anos solteiro e sem filhos numa festa de família, marcou um golaço, selando o 4x0.


Mais do que um ótimo começo na Libertadores, com direito a liderança no grupo e saldo de gols, essa vitória valeu por esses 20 ou 30 minutos do segundo tempo em que finalmente vimos em campo o Flamengo que a torcida queria, que o clube merece, aquele que possivelmente Zé Ricardo imagina. Um Flamengo com um Réver transmitindo tanta confiança que você compraria dele um carro usado sem pedir pra ver o veículo antes, um Berrío tão veloz que já está puxando agora o contra-ataque da partida da próxima quarta-feira, um Rômulo que parece estar finalmente achando seu lugar no time para que a sigla “MA” nunca mais surja durante nossos pesadelos.


Foi só uma partida, foi só um começo, nada está decidido, claro. Mas foi uma partida que vencemos de maneira merecida, foi um começo com goleada, foi uma vitória pra mostrar que existe ali, ainda que em alguns momentos escondido, ainda que nem sempre por tempo o bastante, um Flamengo que pode, sim. ganhar a América, que pode encantar o torcedor, que pode brigar por tudo que ele for disputar esse ano.


O Flamengo 2017 tá convidando a gente pra uma jornada que não tem garantias, que pode envolver corações partidos, arrependimento e noites em claro. Mas que nós todos, apaixonados, coração acelerado e sorriso bobo no rosto, com certeza queremos ver aonde vai dar.