Fla-Flu: 4 verdades sobre uma derrota

Merecemos perder


O jogo de domingo foi uma partida em que o Flamengo como equipe esteve tão mal que, se formos olhar com atenção, até o massagista deve ter massageado errado, o responsável pela água deixou a garrafinha cair, o roupeiro deu uma camisa da Dora Exploradora pro Réver no lugar do uniforme de jogo. Deixamos espaços na defesa, atacamos de maneira desordenada, erramos passes infantis, fomos individualistas na hora de ser coletivos. Numa das piores apresentações da temporada que ainda começa, o Flamengo regrediu em níveis “reta final do Brasileirão de 2016” de futebol, baseado em chutão, correria, dependência de lances fortuitos pra vencer. O golaço de falta do Guerrero apenas desfibrilou um paciente que já estava morto para vermos ele morrer na sala do lado, dessa vez na frente dos familiares que tinham vindo do interior para comemorar o aniversário dele.


ESPN
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Temos um problema na defesa


Já era visível mesmo em algumas das partidas anteriores, quando tomamos gols e sustos bobos diante de times mais fracos, mas, diante do ataque velocista do Fluminense, ficou claro que alguma coisa de muito errada não está nada certa na defesa do Flamengo. Não apenas havia entre a zaga e o meio de campo um buraco que, com as autorizações da prefeitura, permitiria construir o estádio próprio que o clube vem procurando, como a própria zaga parecia estar passando por uma experiência em que suas almas abandonaram seus corpos, deixando apenas cascas vazias que se moviam sem rumo na frente do nosso goleiro. Rafael Vaz teve uma tarde que viverá nos pesadelos de todos nós e Rômulo me fez cogitar a volta de Márcio Araújo, situação essa pela qual eu não sei se algum dia serei capaz de perdoar nosso atual volante.


Alex Muralha não sabe pegar pênaltis


Ok, talvez dizer que Muralha não sabe pegar pênaltis seja errado, já que nosso goleiro parece nem mesmo entender a dinâmica da atividade chamada “cobrança de pênaltis”. Enquanto vários goleiros se dividem entre escolher o canto ou esperar o cobrador, Muralha parece ter desenvolvido uma terceira via, que consiste em dar alguns pulos aleatórios e, após a cobrança, aí sim escolher um lado, que ele usa para sair do local, já que o adversário já fez o gol. Considero Muralha um ótimo goleiro, que já fez grandes partidas pelo Flamengo e foi merecidamente para a seleção brasileira, mas o que vimos na disputa de pênaltis de domingo foi um atleta que só defenderia um pênalti se cursasse faculdade de direito, passasse na prova da ordem, um pênalti cometesse algum crime e fosse parar no escritório dele.


Não existe razão para demitir Zé Ricardo


Ainda que demitir Zé Ricardo agora fosse honrar duas das mais antigas tradições do futebol brasileiro, a demissão de técnico após clássico e a demissão de técnico após derrota em estadual que não “vale nada”, uma troca de comando no rubro-negro seria agora muito mais retrocesso que avanço. Primeiro porque não temos nomes melhores no mercado - acredito que Tite já esteja ocupado, Cuca não vá chegar agora, Sampaioli parece já ter outros projetos, Guardiola nunca respondeu nossos áudios de madrugada no whatsapp - e segundo porque Zé, ainda que vacile em diversos momentos, é um técnico que tem um projeto, o apoio do grupo e segue em evolução. Trazer agora, em pleno começo de Libertadores, um técnico do mesmo nível que ele, mas que vai cair de paraquedas no clube e ter como única vantagem ser um “fato novo”, é subestimar o trabalho já feito e tirar de um técnico promissor a chance de continuar crescendo. Zé é a solução para todas as nossas preces? Talvez não. Mas um Ney Franco da vida seria? Isso eu posso te garantir, com 100% de certeza, que também não é.