Figueirense assina parceria de 20 anos que promete elevar seu patamar

A segunda-feira, 7 de agosto de 2017, ficará registrada na história do Figueirense. Com a anuência de quase todos os conselheiros presentes, o clube aprovou contrato de 20 anos (renováveis por mais 15) de parceria com um grupo formado por Alexandre Bourgeois, ex-dirigente do São Paulo, além de outros investidores ainda não revelados.


De acordo com a fala do advogado Cláudio Vernalha, representando o novo gestor, na semana passada, diversos itens presentes no contrato podem trazer grandes dias ao torcedor alvinegro. Se forem cumpridos, o Figueirense terá resultados importantes dentro e fora de campo.


Inicialmente, um aporte de cerca de R$ 10 milhões para sanar as dívidas emergenciais como salários atrasados. Além disso, a chegada do novo treinador Milton Cruz (ex-São Paulo) e novos profissionais no marketing, base e área comercial.


A meta é ousada e inclui presenças em competições internacionais, conquistas nacionais, um dos melhores sub-23 do país, e até o sonho de uma arena não está descartado.


A tal parceria ainda é misteriosa, mas poderia ser ainda mais caso um grupo de conselheiros tidos como de oposição não batesse na mesa e exigisse o cumprimento do estatuto do clube. Sem a forte atuação deles e do presidente do CD, Nicolau Haviaras, o acordo teria sido fechado na semana passada com cláusulas perigosas ao alvinegro.


Depois de muitas reuniões, discussões, mudanças no documento em prol do clube, quase todos fecharam a questão em aprovar esta parceria até 2037.


Isso mesmo, 20 anos.


É uma escolha arriscada, mas que pode terminar com alguns círculos viciosos presentes no Scarpelli há várias décadas. Conselheiros e dirigentes que se acham maiores que o Figueirense tendem a perder espaço para uma gestão mais profissional.


Por outro lado, cabe a este novo grupo entender onde estão. Um time de quase 100 anos de história, com uma torcida extremamente apaixonada, embora machucada pela série de patacoadas das gestões Lodetti/Wilfredo. O mandatário continua até dezembro de 2018 e engana-se quem pensa que perderá poder. 


Figueirense FC
Figueirense FC

Ex-São Paulo, Milton Cruz é o técnico trazido por Alexandre Bourgeois


A escolha do técnico Milton Cruz ficou longe do esperado, mas o discurso do CEO, Alexandre Bourgeois, na tarde desta terça-feira, causou boa impressão pela transparência e pés no chão. Analisar, avaliar, pensar ao longo prazo em vez de imediatismo e 'resultadismo'.


A princípio é um tiro no escuro. Se acertará o alvo, só o tempo dirá. Caso consigam, o Figueirense voltará aos trilhos de um caminho iniciado em 1999 por Paulo Prisco Paraíso e interrompido 10 anos depois.


Qual seria meu voto, caso fosse conselheiro?


Embora não seja conselheiro do Figueirense, participei ativamente do processo que culminou com a mudança de estatuto para abertura do clube, eleição dos novos membros do CD e ideias para mudar o status quo do alvinegro.


Foram anos de batalha ao lado de amigos, alguns que hoje são conselheiros (Ian Pacheco, Filipe Sousa e Nikolas Bottos, entre outros), em prol do nosso time.


Nos últimos dias, a tal parceria ocupou bastante do nosso tempo com conversas no whats app, análise do contrato, tentivas de ouvir de pessoas renomadas do futebol sobre quem são os nossos parceiros.


Renan Koerich
Renan Koerich

Em 2012, criamos a Democracia Alvinegra em protesto contra a má gestão de Wilfredo


Se fosse votar, provavelmente escolheria o SIM e aprovaria o acordo. Sem opções viáveis e com o clube encalacrado pela péssima/horrível/medíocre gestão Wilfredo Brillinger, dificilmente restaria outra alternativa para tornar o Figueirense grandioso sem os tais vícios adquiridos durante anos como o tal "mecenato" ou a vinda do "salvador da pátria". Além disso, é a chance de estirpar alguns dinossauros do Scarpelli. Gente, como disse acima, que se acha maior que o clube.


Por outro lado, a pressa para aprovar o contrato ainda na semana passada sem ao menos ter lido e discutido gerou a desconfiança de quem quer o bem do alvinegro. Estes cerca de 20 conselheiros conseguiram mexer em muitas partes danosas do documento, mas ontem foram achincalhados por alguns "ilustres" alvinegros. A pressa e a prepotência/arrogância seriam motivos para optar pelo NÃO. Além disso, o prazo de 20 anos de uma parceria no mínimo misteriosa, pois até agora pouco se sabe dos tais investidores.


Pelo sim ou pelo não, agora pouco importa. O que vale a partir de agora é ajudar o Figueirense a crescer e continuar fiscalizando, seja na imprensa ou no Conselho.