CRB 2 x 1 Figueirense: Adiantou de quê mudar o técnico?

Sinceramente, falta motivação para escrever sobre o Figueirense. Nova derrota, zona de rebaixamento e fraco futebol.


Ainda bem que tenho amigos como o Ian Pacheco, o qual me enviou o seguinte texto que assino embaixo:


"Já faz algum tempo que eu escrevi um texto falando sobre o excelente inicio do Figueirense no campeonato, sob comando do capita Márcio Goiano. O time encantava, não dava bicão, saía jogando, era ofensivo. O time refletia seu técnico, não fazia só o simples, o comum, não se acovardava diante do adversário.


Naquele mesmo texto eu alertei que era um time em formação, 14 novos jogadores tinham sido contratados, Goiano estava montando um novo projeto, uma nova forma de jogar, depois de sete anos de bicão, porrada e retranca. O grupo estava sendo reformulado, jogadores que não correspondiam dentro de campo e criavam panelinhas fora estavam sendo trocados por jogadores com muita vontade, alguma qualidade, mas sem experiência.


Em muitos momentos, durante o comando de Goiano, essa experiência fez falta. Muito dos atletas só jogaram no interior de São Paulo, para poucos torcedores, não tinham nenhuma experiência de pressão fora de campo. Também acredito que nenhum deles tenha passado por uma pressão tão grande dentro do elenco. Jogadores mais velhos, e acostumados com o comando frouxo da diretoria e presidência alvinegra, queriam mandar na escalação, na forma de jogar, queriam se colocar no time à força.


Um destes jogadores, por acaso, voltou a ser capitão do time: Marquinhos. O zagueiro é, no máximo, um coadjuvante esforçado que ajudava os protagonistas Thiago Heleno e Bruno Alves. Contrariando qualquer definição de liderança que eu conheço, o jogador foi aos microfones das rádios - autorizado pela diretoria - forçar a titularidade e jogar todos contra o recém-chegado Naylhor e o técnico Marcio Goiano. Como você reagiria se um companheiro de trabalho fizesse o mesmo com você? Eu não ficaria contente. Mas parece que todas as decisões no Scarpelli visam proteger o presidente. Deixam que o elenco tome conta, como fez inúmeras vezes. O grupo de jogadores, que nunca correspondeu o suficiente para ter tamanha confiança, manda e desmanda, demite técnico e efetiva interinos. Mais uma vez, demitiram um técnico.


Mas a culpa não é só do elenco mimado, nem da diretoria que permite tudo para salvar o presidente. A imprensa tem uma parcela imensa. A mesma imprensa que não soube diferenciar 4-4-2 Losango de 4-3-3 ou 3-5-2. A imprensa que ainda não entendeu que Robinho é meia e não atacante. Vive de frases prontas, fáceis, sem nenhum raciocinio envolvido, mas com muita amizade boa e simpatia. E vivem de soluções simples e acéfalas: pedir a cabeça do técnico é mais fácil que reformular o elenco e tirar regalias.


A torcida alvinegra já conhece essa imprensa, conhece essas figuras, sabe que nenhum deles está nem aí para o Figueirense, pro futebol, pro sucesso e para a a saúde financeira do clube. Mesmo assim, caíram no discurso, como patinhos. Se viraram contra o ex-ídolo, capitão marcante e profissional com dois acessos à Série A. Ignoraram os erros da diretoria que já contratou mais de 20 jogadores no ano e não conseguiu trazer um camisa 10 de verdade. Ignoraram o presidente que afundou o clube numa crise financeira inacreditavel, sem nenhuma conquista significativa e foram atrás do técnico que estava tentando trazer de volta o bom futebol ao Scarpelli, com um elenco limitado, em formação e passando por uma pressão absurda.


Goiano saiu, entrou Marcelo Cabo. Saiu o bom futebol e voltou o bumba-meu-boi. O bicão, porrada e retranca retornou com tudo. Todo trabalho que estava sendo formado se foi. A coragem que vimos nos jogos contra Inter e Criciuma, o time que foi ofensivo ao extremo, massacrou e amassou o adversário no campo dele, foi trocado por covardia e preocupação excessiva com a defesa. Foi trocado pelo 4-3-3 com os malditos 'pontinhas' que servem mais pra marcar lateral adversário do que pra atacar.


As panelinhas continuam. Os jogadores, que mais reclamam nas redes sociais do que jogam, seguem. Mas o bom futebol foi embora junto com Marcio Goiano".