Sobrevivência do Figueirense está nas mãos do Conselho

O Figueirense fechou o turno do Campeonato Catarinense, neste domingo, com vitória sobre o Metropolitano por 3 a 2. Apesar do resultado, o momento mais importante para o clube ocorre na terça-feira, 7, quando o Conselho Deliberativo terá a primeira reunião do ano.


Figueirense FC
Figueirense FC


A pauta do encontro diz: "apreciar, discutir e votar a proposta orçamentária para o exercício de 2017". E isso significa que os conselheiros ouvirão da Diretoria Executiva lamentos de queda de receita pelo rebaixamento à Série B e uma verba bem mais enxuta em relação aos anos anteriores.


Até aí nada de anormal.


Não sou conselheiro, mas conheço vários, pois participei da montagem de uma nova proposta para o clube e da busca por 55 pessoas dispostas a participar do Conselho Deliberativo. 


Como torcedor e jornalista, peço aos conselheiros que façam seu papel e não apenas aplaudam as decisões de Wilfredo Brillinger e cia. Sei que muitos tentaram mas desistiram, enquanto outros ainda carregam consigo o sentimento da mudança. A estes, solicito que indagem a diretoria:


- Por que o Figueirense deve três meses de direito de imagem a alguns jogadores se houve receita recorde em 2016 com as vendas de Clayton e Muralha, mais cota de tv?


- Como estão os trabalhos das comissões formadas em reuniões anteriores para avaliar o acerto com o Esporte Interativo e depois com a Globo? 


- Por que as "luvas" dadas pela Globo para uso em 2019 foram usadas em 2016?


- Por que dia após dia, ex-jogadores e funcionários acionam o Figueirense na justiça do trabalho pelo não cumprimento das obrigações?


Se o Conselho Deliberativo der novo aval para a péssima administração Wilfredo Brillinger, mais vale mudar o Estatuto e dar poder eterno à família do mandatário. Mesmo com o crescimento da dívida, queda de divisão, fuga da torcida, afastamento dos ídolos e transações misteriosas (vide caso Clayton), os conselheiros dizem amém para a diretoria executiva. Depois, usam a imprensa para reclamar. Aliás, a imprensa que os trata como motivo de chacota.


Para finalizar, acredito que o modelo atual de administração de um clube de futebol está completamente errado. Hoje, o presidente usa seu nome para dar aval para empréstimos, aluguel e outras situações. Isso impede a chegada de novos modelos ao futebol, pois a dívida acumulada inviabiliza outras garantias, como sócios e televisão, pelo fato do CNPJ do Figueirense estar "sujo", o que não acontecia na época Paulo Prisco Paraíso.


E se o Conselho Deliberativo quiser ser respeitado, que haja para tal. Com oposição acéfala, embora com algumas figuras resistentes, o clube precisa de um novo modelo. No ano passado, as contas da atual gestão quase foram rejeitadas (37 x 37 com voto de minerva favorável do então presidente do CD, Carlos Aragão). Se isso ocorrer novamente em 2017, entreguem a chave à família Brillinger e esqueçam o Figueirense pelos próximos 20 anos.