Chegou a hora de Mano Menezes cair?

DENIS DIAS/Gazeta Press
DENIS DIAS/Gazeta Press

Chegou a hora do Cruzeiro trocar de treinador?


Tratado como Salvador da Pátria, incontestável e com um elenco recheado de bons jogadores, Mano Menezes começou 2017 com a confiança da torcida, que cultivava a esperança de um ano brilhante. A crença da torcida com o ex-técnico da Seleção Brasileira era justificada, afinal, Mano havia pego dois elencos questionáveis do Cruzeiro que brigavam para não cair e os colocou nas primeiras posições do returno, em 2015 e 2016.


Chegou janeiro, chegou Thiago Neves, ficaram os destaques do elenco e o ego celeste começou a inchar. O sentimento campeão, que por duas vezes deu espaço ao medo, voltou. E para coroar toda a precocidade da torcida, o primeiro jogo do ano foi contrao maior rival. O resultado? Uma boa vitória, que embalou a equipe para uma boa sequência de jogos e uma invencibilidade pouco questionada.


Entretanto, em se tratando do Cruzeiro nos últimos anos, nem tudo são flores. As boas atuações começaram a minguar, o futebol, embora se mantivesse vitorioso, era muito pouco vistoso. Bons jogadores deixaram de render, outros machucaram, e os que continuaram jogando começaram a não jogar o desejado. Com boas opções no banco, Mano pouco as usou, como foi o caso de Ábila e Romero.


Em abril tivemos um calendário muito apertado e saímos vitoriosos na maioria dos jogos, como na Copa do Brasil contra o São Paulo e no Mineiro contra o América. Mesmo com desconfiança, o time teve o apoio da torcida para batalhar pelo título estadual e a tranquila classificação na Copa Sulamericana. Foi quando a fortaleza de Mano Menezes começou a ruir e fomos derrotados nas duas oportunidades.


Chegou o Campeonato Brasileiro... Ah, o Brasileiro! A competição onde o esquema de jogo de Mano Menezes daria certo. Se ganharmos todos os jogos por 1x0, seremos campeões, não é mesmo? Triste engano. A derrota para a Chapecoense no último domingo mexeu com a paciência até do mais paciente torcedor. Aquele péssimo futebol demonstrado em alguns poucos empates do Estadual (em que a culpa era do adversário que se defendia demais) voltou, e uma derrota inquestionável na nossa casa enfureceu a torcida celeste.


Como pode, no dia 4 de junho de 2017, um time que manteve a base do ano passado e possui jogadores como Fábio, Rafael, Dedé, Manoel, Diogo Barbosa, Henrique, Ariel Cabral, Robinho, Arrascaeta, Thiago Neves e Rafael Sóbis, com potencial de titularidade em 90% dos times da Série A, não demonstrar o mínimo de organização contra uma Chapecoense que foi montada do zero nos últimos 6 meses?


Faço a pergunta novamente: como pode esse time ser eliminado por uma equipe infinitamente menor, na estrutura e no orçamento, como o Nacional do Paraguai?


Chegou a hora da blindagem de Mano Menezes acabar. O treinador precisa, sim, ser cobrado pelo trabalho ruim que faz em 2017. A arrogância do mesmo não o deixa enxergar o péssimo rendimento do time nos últimos três meses?


Particularmente, eu não demitiria o treinador agora por medo de acontecer o que aconteceu nos últimos anos. Um bom Paulo Bento não conseguiu mostrar tudo o que podia no curto espaço de tempo que o Campeonato Brasileiro pede. O mesmo ocorreu em inúmeros outros clubes. Entretanto, nomes não faltam no mercado. Ou vocês não gostariam de ver Dorival ou Levir Culpi no Cruzeiro? Com o elenco atual, Marcelo Oliveira também seria bem-vindo.


A torcida cansou, a pressão chegou e agora o Cruzeiro precisa mudar da água pro vinho nas próximas rodadas, ou a cabeça do treinador vai acabar rodando.