Cruzeiro não tem que dar espetáculo, e sim jogar futebol

Marcello Zambrana/Light Press
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Recuperado de lesão, Thiago Neves se diz aliviado com gol marcado


​Quando perde e joga mal, criticamos. Quando ganha e joga mal, também criticamos. Mas se joga bem e ganha, devemos reconhecer. Ainda mais em uma vitória como essa contra o Santos, que teve todos os dedos do treinador.


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A versão de jogar do Cruzeiro com o 'Mano 2017' pode não agradar à maioria dos torcedores. Questionam uma baboseira de que Cruzeiro é time que joga pra frente, que busca jogo, que tem posse de bola e blá-blá-blá. Isso é a mesma falácia de que o clube do lado gelado da lagoa é o time da raça. Uma ladainha criada e falada por uma rádio de BH e que virou um jargão preguiçoso de comentaristas, analistas, palpiteiros, tuiteiros e do tio da portaria do prédio quando vão falar de futebol mineiro.


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Inevitavelmente, vencer o Santos na Vila Belmiro é um resultado a se valorizar no Cruzeiro, já que o Peixe é muito forte jogando em seus domínios


O Cruzeiro joga, jogou e vai jogar conforme o técnico que comanda o time. Entrar com 3 volantes em campo não é nenhum problema (entre os mais recentes que jogava assim está Adilson Batista, com Ramires, Henrique e Marquinhos Paraná). Ficar jogando no contra-ataque não é nenhum problema. Ganhar a maioria dos jogos por 1 a 0 não é nenhum problema. Falta de atitude e de organização dentro de campo é um problema.


Questionado e execrado pela torcida no fim da temporada 2016 e no começo deste ano, o retorno de Ariel Cabral ao meio celeste voltou a dar um equilíbrio entre marcar quando atacado e distribuir quando se ataca. Homem de confiança do Mano desde a primeira passagem do treinador, o gringo é titular absoluto nesta equipe e fez falta na final do Mineiro e no vexame de Assunção contra o Nacional.


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De questionado na equipe a titular absoluto: Ariel Cabral é um termômetro de como a torcida do Cruzeiro vê o time e o treinador


As voltas de Fábio e Dedé, além de garantir mais maturidade e tranquilidade ao setor defensivo, deu mais qualidade e liderança dentro de campo. Não que o Rafael não estivesse fazendo um bom trabalho. O Cruzeiro tem que cuidar e trabalhar esse menino para ser o próximo detentor da camisa 1 celeste. A 'Era Rafael' ainda está por vir. Mas, por agora, Fábio ainda está jogando em alto nível e, querendo ou não, ainda é o dono do time.


Sobre a forma de jogar é indiscutível que Ábila é o 12º jogador do Cruzeiro. Não peço e não o quero como titular. Já mostrou e vem mostrado que entra e rende bem como aquele atacante de 2º tempo, que tanto fez sucesso em times brasileiros no fim da década de 90 e começo dos anos 2000. Na segunda etapa, se aproveitando do porte avantajado e de um desgaste dos jogadores adversários, o argentino ou coloca a bola no fundo das redes ou muda a dinâmica do jogo. Quando começa a partida, some, tromba, não marca e ainda é substituído.


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Neste começo de Brasileirão, Mano menezes parece que conseguiu acertar a defesa (sofreu 1 gol em 3 jogos) e dar equilíbrio ao meio de campo. A entrada do Romero na lateral, no lugar do Mayke, fechou uma avenida que existia ali naquele setor e ainda aumentou a marcação naquela área do campo. Agora é organizar o ataque. O time precisa criar mais. Chegar mais. Chutar mais. Não podemos e não devemos ter uma 'Robinhodependência', mas o retorno dele deve ajudar a solucionar esse problema.


Começamos e estamos indo bem neste início de Brasileirão. Quinta temos o primeiro dos dois encontros com a Chape nesta semana. Jogo difícil e complicado. Temos a vantagem, mas não podemos nos pegar a isso. A classificação pode se transformar naquela virada de chave neste momento e servir de motivador para a Copa do Brasil e Brasileirão.