Empate no Maraca: tudo conspira a favor da causa azul

Quem esteve no Rio de Janeiro nas horas que antecederam a grande decisão percebeu uma vibe diferente. Uma onda azul havia tomado conta dos calçadões mais famosos de um dos cartões postais mais lindos do mundo, de Ipanema ao Botafogo, do Leblon ao Arpoador. Por uma tarde, as praias do Rio tinham sotaque mineiro, Copacabana havia virado uma espécie de Savassi. Era tudo nosso!


Lá no céu, um biplano levando uma mensagem de incentivo, trecho de um hino de batalha que a Nação Azul costuma cantar a plenos pulmões nos estádios do Brasil afora. “Nós somos loucos, somos Cruzeiro”, um mantra que sobrevoou o Rio e pousou nos corações de milhares de mineiros que alí estavam, saudando e vibrando como se fosse gol do Cruzeiro.


Já no estádio, quase todo vermelho, uma enorme faixa azul de torcedores celestes fazendo a festa e trazendo incentivo para os 11 guerreiros que logo mais estariam batalhando pelo quinto título da Copa do Brasil. Guerreiros que cairam em outras batalhas, feridos em outras oportunidades, alguns até questionados, mas prontos para vestiram a farda azul e lutarem de igual para igual contra um rival badalado, favorito no papel, mas não mais motivado.


GazetaPress
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Que torcida é essa? Calando o Maracanã em vários momentos do jogo


Juiz apita, coração a mil. Flamengo domina boa parte do jogo, mas não machuca. QUando chega, lá está Fábio, verdadeira muralha, segurando o ímpeto dos atacantes rubro-negros. Alguns sustos e o primeiro tempo se foi, sem gols. Cruzeiro esbanja muita obediência tática, mas é pouco incisivo no ataque. Sóbis sumido, Thiago Neves apagado, Robinho inexistente. E mesmo assim, seguramos o empate, menos mal.


Segundo tempo e o Cruzeiro melhora, quase marca, mas volta a recuar e a sofrer a pressão desordenada do Flamengo. De tanto insistir, veio o gol, num bate-rebate danado e o chute derradeiro vindo de um atacante em pleno impedimento. Mas o juiz valida e o Maraca explode.


Que injusto! Toda aquela mobilização, as caravanas, as palavras de incentivo nas redes sociais, as correntes positivas, uma inteira nação envolvida, tudo isso para ver nosso Cruzeiro sendo garfado daquela forma? 


Mas os céus conspiram a nosso favor desde aquele empate contra o Palmeiras já no apagar das luzes e o imponderável estava prestes a aparecer novamente para ajudar a causa azul. E assim foi, no pé do uruguaio Arrascaeta, nosso camisa 10, chutando no mesmo gol em que outro camisa 10 marcou o gol do empate 14 anos atrás. Um a um, exatamente como em 2003, no mesmo palco, contra o mesmo adversário.


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Assim como em 2003, outro camisa 10 marcando o gol do empate celeste no Maracanã


O empate foi um prêmio merecido. Os 14 guerreiros que pisaram no gramado e pelejaram com honra e sacrifício (e alguns com ligamentos quase rompidos, que eu soube) mereceram. A torcida que alí estava e tomou conta do Maraca mereceu. Os 8 milhões de cruzeirenses que vibraram e apoiaram a todo instante mereceram.


Sim, tudo conspira a nosso favor. Mas precisamos continuar acreditando, apoiando e empurrando, sermos um só vibrando na mesma sintonia. Só assim para o penta ficar mais próximo. Para vermos nosso clube novamente no topo do Brasil.


E ai, prontos para mais 90 minutos?