Promessa cumprida

Quando o juiz apitou o fim das hostilidades, ontem, meu jeito mineiro de ver as coisas ainda me obrigou a aguardar mais meia hora para finalmente comemorar a vitória. Nem mesmo a vantagem de dois gols adquirida no primeiro tempo, sossegou minha alma profundamente fustigada no passado recente. Ainda estão vivos em nossa mente os recentes desastres após um começo empolgante. O próprio Palmeiras já anulara uma desvantagem de 3 gols na Copa do Brasil, e na rodada anterior o nosso rival conseguira virar em menos de 2 minutos.


Mano então prometeu que o time não tomaria mais 3 gols. Uma promessa ousada e beirando a loucura considerando nossa dupla de zaga, Leo e Caicedo, e o calibre do nosso próximo adversário, o badalado Palmeiras que já estufara as redes do Fabio três vezes em 20 minutos. Estava alí o Mano cavando a própria cova? Muitos acreditaram (e torceram) que sim.


A semana pós-classico foi extremamente tensa. As fotos dos jogadores partindo para uma folga de 2 dias de jatinho após a vergonhosa derrota contra o CAM, não pegou muito bem na torcida. Na segunda e na quarta-feira, houve protestos na sede e na Toca caracterizados pelos pedidos de Fora Mano e Fora Gilvan. Os jogadores e o treinador finalmente sentiram no cangote o bafo de uma torcida que cobra e anseia por resultados melhores, decepcionada com a falta de compromisso de um elenco que tem boas peças mas que se não se doa em campo.


Contra o Palmeiras, ontem, a diferença de atitude foi nítida. Os jogadores entraram com o sangue no olho, determinados a apagar a péssima impressão deixada nos jogos anteriores. Com Murilo na zaga, Romero na lateral e três volantes no meio campo, o time celeste ganhou em pegada, mas perdeu um pouco em chave ofensiva. Mesmo assim, o jogo estava bem equilibrado, com o Palmeiras mais perigoso pelas laterais e o Cruzeiro centralizando bastante suas jogadas. Mas o time mineiro aproveitou melhor suas oportunidades e construiu uma confortável vantagem de dois gols ainda no primeiro tempo.


GazetaPress
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Mano orientando os reservas a recuarem... para evitar cartão amarelo


Diferentemente da semana anterior, o Palmeiras voltou para o segundo tempo sem muito ímpeto, talvez pela dificuldade de encontrar espaços no emaranhado sistema defensivo celeste. Mas o gol palmeirense, após uma falha de cobertura, lançou no Mineirão a sombra da desconfiança e do receio de outra trágica reviravolta. Felizmente a reação palmeirense parou ali e o Cruzeiro ainda achou o gol da tranquilidade já nos minutos finais graças a outro jogador altamente questionado pela torcida, o menino Elber.


Ai vem a pergunta. Por que o Cruzeiro não joga sempre assim? Com a palavra, o Mano.


Ps.: e o time da moda, hein! Cada vez mais freguês.