Cansei de lutar: fica, Mano, e leve o Cruzeiro à mediocridade

Quando em março expus minha preocupação com a queda técnica e tática do futebol celeste, apesar da campanha invicta até então, fui altamente criticado e malhado em praça pública. Entendia que, em determinado momento, quando as fases se tornariam mais desafiadoras, o Cruzeiro do Mano não teria capacidade tática para obter resultado positivo.


Todo mundo sabe que o Cruzeiro sempre foi uma instituição que prezou pelo futebol ofensivo e talentoso. Não bastava vencer, tinha que convencer. E era esse o impulso que movia a torcida cruzeirense, tida como tradicionalmente chata e exigente. Antes da geração Nutella do apoio incondicional, existia uma torcida que cobrava e que invariavelmente comemorava títulos.


GazetaPress
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Nossas maiores conquistas aconteceram quando deixaram os caras mais talentosos do time jogarem com liberdade e decidirem


O Cruzeiro copeiro metia medo com seu futebol agressivo e eficiente; hoje, ninguém respeita. A começar do próprio Mano respaldado por uma diretoria omissa e uma torcida cada vez mais alienada e rachada por uma disputa política que vem causando intrigas e brigas internas. E entre um protesto dirigido e outro, o futebol caminha para o abandono absoluto, sem cobranças, sem estímulos e, pelo andar da carruagem, sem títulos e glórias.


Depois da perda do Mineiro com um rival em crise, da ridícula e displicente eliminação na Sul-Americana e da última e vergonhosa derrota em pleno Mineirão contra a Chapecoense, há ainda torcedor que se respalda no retrospecto recente para defender um treinador que faz uso de desculpas para se eximir de qualquer responsabilidade. Ora é o gramado, ora são a grande sequência de jogos, ora são os desfalques... como se esses fatores não fossem previstos ou nenhum outro time sofresse com isso. Sem contar aqueles que veneram o Mano por algum fetiche desconhecido e outros que não criticam para não respingar em seu candidato preferido.


Tem aqueles que questionam as críticas com o clássico argumento de que não há treinador no mercado. Levir acaba de ser contratado e Dorival não vai ficar desempregado por muito tempo. E podem anotar, o dia que a diretoria acordar, aí sim não teremos treinador disponível. Foi assim quando resolveram dispensar Marcelo Oliveira e depois Luxemburgo.


Quer saber? Cansei! Cansei de comprar briga, bater de frente com torcedor de Twitter, haters, fakes e similares. Fica, Mano, e nos conduza para a tranquilidade da zona intermediária da tabela. Sem sustos, sem tristezas, nem alegrias. A minha única alegria hoje é torcer pelo Cruzeiro. Já não posso dizer o mesmo pelo futebol apresentado.