Copa do Brasil: o cruzeirense trocou a torcida pela reza

Não foi bonito, aliás, foi bem ridículo. E não estou falando das confusões após o jogo, disso vamos falar mais tarde. Estou falando do futebol do Cruzeiro, este sim o maior vilão da noite. Quase duas semanas treinando finalização e a única coisa finalizada com sucesso foi a paciência do apaixonado torcedor cruzeirense. Ninguém enxerga evolução, e não é (só) por causa dos desfalques. O buraco é bem mais embaixo.


Não fosse o Fabio em noite inspirada, salvando o gol, driblando atacante adversário, seguro nas bolas aéreas, hoje estaríamos lamentando a desclassificação de um time que abdica do ataque na cara dura. Esse esquema do Mano desgraça a vida de qualquer atacante que vestir a camisa celeste. O tal 'falso 9' faz de tudo: recua, pressiona saída de bola, marca defensor, faz até cafezinho, exceto exercer seu principal ofício, que é atacar. Quem viu a cor da camisa do Ábila imagina como este homem teve que se desdobrar para atender as necessidades táticas do time.


O time até que começou bem, agredindo, mas aí lembrou da vantagem mínima (1 a 0 no jogo de ida, em Belo Horizonte) e recuou como de praxe. Nem mesmo a presença de quatro volantes foi suficiente para afastar os jogadores da Chape da área celeste, chegando com muito perigo, tanto pelos lados, quanto pelo alto. A nossa dupla de zaga anã não ganhou uma bola aérea sequer.


Site Oficial Cruzeiro
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Raniel entrou nos minutos finais e ainda conseguiu perdeu uma clara chance de gol


Mas ai o tempo foi passando, e entre um susto e outro, o jogo foi se encaminhando bem devagar para o fim do jogo. E quando o juiz apitou pela última vez, o estádio veio abaixo. E não entendi direito toda aquela revolta que acabou provocando cenas altamente lamentáveis. Se eu fosse a Chape, estaria revoltado pela incompetência de não vencer um Cruzeiro tão enfraquecido, mas o alvo da ira era o juiz, que acertou todos os lances capitais.


Não sei exatamente o que rolou no vestiário, houve versões conflitantes, mas faltou equilíbrio emocional, saber reconhecer a derrota. Não esperava apertos de mão e sorrisos, mas também achei exagerada toda aquela agressividade na porta do vestiário. E o que dizer da pedra arremessada na testa do quarto árbitro? Sem comentários.


Quanto ao futebol celeste, não há nada a comemorar. Claro que estou super feliz pelo clube ter se classificado num torneio tão marcante e significativo para os cruzeirenses, mas o futebol não empolga. Definitivamente, trocamos a torcida pela oração. Nossos corações não suportam.


Mas nada disso será falado nas rodas de programas esportivos pelo Brasil afora. Aquele movimento maroto do Mano no Reinaldo será discutido e amplamente criticado pelos jornalistas que não gostam do treinador celeste. Fosse o Tite atrapalhando um argentino, seria discutida a possibilidade da candidatura dele à presidência da República. Ceni já foi enaltecido pelo drible no Manoel. Entendam, não estou aqui justificando o Mano, e sim expondo a hipocrisia que reina no mundo do futebol, em que os Ronaldinhos das garrafinhas de água são considerados irreverentes e geniais, e os Manos tidos como patéticos e mau-caráter. Haja saco.


Saluti Celesti!