Eu tento não me empolgar, mas o Cruzeiro não deixa

Diferentemente de outras ligas mundo afora, o futebol brasileiro tem algo que podemos chamar de imprevisibilidade. Pode acontecer de grandes campeões caírem para a segundona (tipo Grêmio ou Inter) ou de clubes que conquistaram o título em determinado ano lutarem desesperadamente pela permanência na Série A no ano seguinte.


Você já deve ter ouvido pelo menos uma vez na vida, aquele velho e batido jargão próprio do futebol brasileiro. Pois aqui no Brasil, o futebol é cíclico mesmo é a única certeza é que não se tem certeza de nada, exceto pelo fato de que o Cruzeiro é 'incaível'.


Apesar disso, o Cruzeiro também sofre com essas flutuações abruptas como qualquer outro clube brasileiro. Não faz três anos, estávamos comemorando o nosso tetra esbanjando um futebol de sonho, para logo em seguida vivermos um verdadeiro pesadelo com nosso time lutando para não cair.


Os começos de 2015 e 2016 foram uma amostra daquilo que nos esperaria ao longo dessas duas temporadas. Experimentos, novatos, decisões equivocadas, contratações bizarras e eliminações precoces foram a tônica de um futebol pífio e sofrido que fizeram muito torcedor cair na bronca e abandonar o programa de sócio-torcedor.


Era nítida a péssima qualidade apresentada por jogadores de técnica duvidosa, e os resultados em campo refletiam bem aquela nefasta realidade.


Thomas Santos/Agif/Gazeta Press
Thomas Santos/Agif/Gazeta Press

Entrosamento do time é por causa desse homem ai


2017, no entanto, se apresenta diferente. O futebol está mais consistente, coeso e compacto. O jogo flui com mais naturalidade e os jogadores se encontram em campo. Com a base mantida e a permanência do Mano, o time está mais entrosado e apresentando esquemas sólidos e convincentes.


Jogadores que necessitavam de um certo amadurecimento, parecem ter encontrando, hoje, um ponto de equilíbrio ideal. Arrascaeta vem deitando e rolando, fazendo aquilo que a torcida esperava desde sua chegada à Toca, em 2015.


Robinho vem comandando as manobras de ataque como um verdadeiro maestro, dando assistências e marcando gols. Sóbis parece ter encontrado seu lugar no time e agora não fica tão recuado como no ano passado.


No banco também temos ótimos jogadores com grande poder de decisão. E ainda vale abrir um parênteses para falar de Ábila, atacante raiz que dispensa qualquer apresentação. A cada 3 chutes pode ter certeza que guarda pelo menos 1 gol. O maior argentino jogando em solo brasileiro, sem sombra de dúvida. E quem questiona é clubista. Ou tem algum atleticano que discorda?


Juliana Flister / Light Press / Cruzeiro
Juliana Flister / Light Press / Cruzeiro

Não sabe brincar e ainda mostra quantos gols faz por jogo


E o que dizer dos reforços? Diogo Barbosa, Caicedo, Thiago Neves... acho que dessa vez Gilvan acertou a boa. Críticas, quando justas, tem que ser feitas. Mas hoje o homem está de parabéns.


E eu nem citei os que voltaram ou estão voltado do Departamento Medico: Mayke, Judivan, Dedé... eita!


GazetaPress
GazetaPress

Até o Alisson fazendo gol... não pode ser!


Com a classificação de ontem para a próxima fase da Copa do Brasil, esbanjando toque de bola a la Cruzeiro 2013, o time coleciona sua sexta vitória em seis jogos. Sua última vítima foi o Volta Redonda, algoz do Vasco e tido como time sensação pela imprensa do eixo. No histórico de duelos consta outro 2x1, justamente em 2013...


Não, não quero me iludir. Mas uma dúvida pertinente martela em minha cabeça: como ficariam duas tríplices coroas no escudo?


Saluti Celesti