Feliz 2015, Coritiba

Com uma rodada de antecedência. Visionários do futuro e analistas de resultado cravaram o Coxa na Série B em 2015, e cá estamos nós garantidos na elite, antes mesmo de o campeonato terminar. O Coritiba cometeu inúmeros erros durante o ano, sim. E o sofrimento veio porque 2014 só começou de fato no final de agosto - até então, o clube procrastinava. Mas o Coxa foi enorme quando se fez enorme.


Divulgação/Coritiba
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Vanderlei, 300 jogos, 300 agradecimentos


É verdade que a consolidação deste êxito veio com elementos questionáveis: Carlinhos estava impedido quando abriu o placar, e é bastante controversa a anotação de saída da bola no lance que empataria o placar no primeiro tempo. No restante do jogo, porém, o Coritiba se posicionou de forma muito defensiva, o que eu achei muito inteligente. Explico: o Atlético-MG é um time voluptuoso, cuja principal característica é a pressão sobre uma defesa desprotegida, como em um contra-ataque. A postura do Coxa forçou o Galo a trabalhar a bola no ataque procurando espaços, ou seja, evitou que o adversário usasse seu ponto forte. O risco era grande, mas a execução foi categórica.


Fato é que o bom desempenho vem desde a chegada do principal responsável pela guinada na história desta temporada: Marquinhos Santos. Há muito o que se falar dele que foi o único treinador que tivemos em 2014, mas, por ora, me satisfaço dizendo que, no que dependesse de mim, Marquinhos seria nosso Sir Alex Ferguson e ficaria na casamata do Couto Pereira ad eternum, independente de diretoria que entre ou saia. Conhece muito de futebol e, com as peças certas, já provou que pode fazer coisas enormes.


Divulgação/Coritiba
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Leandro Almeida fez o gol do "título"


Mas o time também merece muito reconhecimento. Sobre Vanderlei, já falei no último texto, e novamente jogou bem ontem. Norberto e Carlinhos, repito, são a melhor dupla de laterais que temos no Alto da Glória em muito tempo. Luccas Claro é o "piá da base" que conseguiu se firmar no time, apesar das dificuldades que o clube vive na transição. Leandro Almeida eu defino tranquilamente como ídolo. Wellignton também se fez fundamental na defesa. Helder, Rosinei e Sergio Manoel resolveram um problema que carregávamos desde a segunda rodada do Paranaense na cabeça de área. Martinuccio, Dudu e Robinho não brilharam, mas foram o feijão com arroz quando o time precisou de feijão e arroz. Alex é Alex. E no ataque, Zé Love mudou da água para o vinho sob o comando de Marquinhos, enquanto Joel foi de artilheiro a secretário de lateral com eficiência.


E fora de campo também há o que se elogiar. Robinho viveu um momento muito delicado no meio do campeoanto, e mesmo durante o drama se colocou à disposição do time. Julio Cesar, que pouco rendeu no campo, foi fundamental na união e motivação do elenco. E teve o torcedor. No começo de outubro, o cenário nos obrigava a vencer todas as partidas em casa. O torcedor que abraçou o time neste momento empurrou a equipe mesmo quando o lançamento saía errado ou a bola do adversário batia na trave. Seja na arquibancada, social, Pro Tork, camarote, sofá, radinho ou dentro do campo: a este torcedor, que tomou chuva, que confiou no time e que foi pro Couto bem mais cedo, o melhor que posso desejar agora é um feliz 2015.