Não aprendi dizer adeus

Divulgação/Coritiba
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#ObrigadoCapitão


Este é um texto sobre coisas que não sei descrever. Então me perdoem se soar piegas, irreal ou inverossímil.


Ontem o Coritiba venceu o Bahia por 3x2. Mas o futebol foi pano de fundo. Neste esporte, a paixão é o principal motor. Quer dizer, nem sempre. Mas quando é, como foi ontem, os acontecimentos são incríveis. Falando estritamente de futebol, o Coritiba não jogou o suficiente pra ganhar a partida. Mas a vitória veio porque o intangível do futebol, aquilo que faz dele tão grande, estava presente ali.


Todo mundo queria ver Alex em campo. Mais de 30 mil pessoas foram ver um time que foi acompanhado por cerca de 12 mil durante o ano todo. Desde a final da Copa do Brasil em 2012 não tínhamos tanta gente nas arquibancadas. Até o sol, esse turista de Curitiba, veio ver o último jogo de Alex. E pelo jeito levou a família, porque meu Deus, que calor.


Alex veio das categorias de base do Coxa, e sempre se importou com ela. E quando Alex recebeu a informação de que seria substituído, o tal intangível tomou conta da partida. Não, Alex não vai sair do campo com derrota. E se não vai fazer gol - não é assim tão simples, também -, vai ver um meio-campo da base empatar a partida. O gol de Dudu foi mais uma homenagem ao capitão. Bastava? Não. Seu substituto na partida, também da base, virou o jogo. Alex é, hoje, uma das pessoas que mais acredita em Keirrison, mais que muita gente na arquibancada. E lá estava a própria partida quase que tomando vida e dizendo: "Alex, é pra você. Você merece".


Alex disse que, depois da partida de ontem, seria apenas um torcedor do Coxa. E já provou isso antes mesmo do apito do árbitro. O capitão já estava de tênis, chuteira literalmente pendurada, quando Keirrison recebeu a bola de frente para o goleiro baiano. Quando a bola entrou, Alex foi o primeiro a sair correndo ensandecido para comemorar e abraçar o K9. Se eu, peladeiro de fim de semana, já me sinto representado por Alex em campo, naquele momento me senti ainda mais, com a explosão que sinto em cada gol ser transportada para dentro de campo.


Divulgação/Coritiba
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Alex, de tênis, comemora como torcedor o gol da virada


Alguns choraram quando Alex entrou em campo. Outros, quando foi substituído, inclusive o próprio. Ambos me emocionaram, mas o momento que molhou meu rosto foi quando a torcida cantou "o Alex voltou" para o homem que estava do lado de fora do campo, aposentado. As homenagens a Alex são todas baseadas no caráter que ele apresentou durante a carreira, e voltar ao Coxa ainda jogando com qualidade foi um dos seus mais brilhantes atos. A torcida cantar "o Alex voltou" corrobora com uma frase do capitão: "Encerrar a carreira no Coritiba vale mais que um título". E eu concordo: título é importante, mas é resultado, e por vezes conquistado sob controvérsias. O orgulho de tomar as decisões que Alex tomou é algo realmente nobre, é humano. E reflete no meu orgulho em dividir o mundo, a cidade e o clube com este cara.


Mas bem, Alex aposentou. Não sei se vou me acostumar. Olhando assim para o futebol que jogou, sei que vai ficar em mim a marca que deixou. O silêncio é quem melhor vai falar por mim. Eu não sei se vou ter paz, mas apesar de querer que jogue mais, vai ser melhor assim. Não aprendi dizer adeus, mas tenho que aceitar que craques como você vêm e vão. Se tens que aposentar, Alex, que seja então feliz.


Divulgação/Coritiba
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Legenda desnecessária