Pronto, coxa-branca, pode dormir

"Cara, eu mal consegui dormir ontem". Encontrei uma dúzia de amigos antes do jogo, e a maioria deles iniciou a conversa com esta frase. Eram 17h45 quando o ônibus com a delegação do Coxa dobrou a esquina da Rua Mauá. Se ainda tinha alguém com sono da noite mal dormida, acordou ali. Bandeiras subiram, tochas se acenderam, gritos ocuparam o Alto da Glória.


Divulgação/Coritiba
Divulgação/Coritiba

Isto é o Coritiba


O Coritiba, todo o clube, estava ali na esquina da Mauá com a Amâncio Moro. Fritz Essenfelder estava lá. Hans Egon Breyer, Fedato, Ivo Rodrigues, meu padrinho Anizio, todos estavam ali, sorrindo e mostrando para o time a confiança que depositávamos neles. Alex e Robinho disseram, no meio da semana, que esperavam uma atmosfera fantástica para o jogo. Pois a atmosfera, a troposfera e a ionosfera estavam fantásticas.


Não sei se por esta pressão, mas os primeiros quarenta e cinco minutos foram jogados em segunda marcha. O Coxa pecou no primeiro tempo por pouca movimentação no meio campo. A bola era tocada de um lado pra outro na defesa, e as melhores opções de passe não eram pelo meio, mas a bola aberta na lateral. Com o jogo mal distribuído e perdendo o combate individual, o Palmeiras chegou a ameaçar algumas vezes. Ainda assim, descemos para o vestiário reclamando (com razão ou não) de um gol anulado e um penalti não marcado.


Divulgação/Coritiba
Divulgação/Coritiba

O único treinador do Coritiba em 2014


E como é bom, depois de ter sofrido com improvisações e escalações estúpidas, termos um treinador. Marquinhos, no intervalo, reacendeu o time. Visivelmente, na vontade. E invisivelmente, na mudança do time. Sem trocar nenhum jogador, manteve a proteção da defesa deslocando Welington para a esquerda e explorou a ponta esquerda do ataque com Carlinhos. Foi o suficiente pra esquecer que o Coxa tinha um adversário no campo. O Palmeiras foi encurralado com futebol e com os gritos da arquibancada. Mesmo depois de abrir o placar, o Coxa - acreditem! - continuou atacando. Os 11 palmeirenses pareciam apenas protocolares em campo, porque futebol de fato só existiu nos pés dos nossos 11.


O Coxa tinha que ganhar domingo, e ganhou. Ainda não acabou, mas o passo fundamental, aquele do trecho mais traiçoeiro do caminho, foi dado. Mas agora já é bem mais fácil fazer o que muitos não fizeram nos últimos meses: confiar neste Coritiba de 2014 e acreditar que ele permaneceria na elite. Tanto faz o momento em que a confiança ressurgiu: que ela permaneça. Afinal, foi com essa confiança que eu consegui o fazer o que não tinha feito nos últimos dias: dormir o sono dos justos.