O AtleTiba e a credibilidade do futebol brasileiro

Divulgação / Coritiba Foot Ball Club
Divulgação / Coritiba Foot Ball Club

Que anda nas cabeças, anda nas bocas / Que andam acendendo velas nos becos / Estão falando alto pelos botecos / E gritam nos mercados que com certeza


O Coritiba não venceu o AtleTiba neste domingo (10), na Arena da Baixa, por conta de erro absurdo do árbitro gaúcho Anderson Daronco. O assoprador de apito não marcou um pênalti claro a favor do Alviverde no segundo tempo, quando o placar estava favorável ao time do Alto da Glória. No contra-ataque, o rubro-negro, que ontem esteve mais rubro que negro, teve uma penalidade marcada ao seu favor, no que seria o lance decisivo do clássico.


Há quem argumente que o rival meteu quatro bolas na trave e que o pênalti seria uma espécie de justiça para equilibrar o placar. Não posso aceitar esse argumento. Aliás, ninguém pode. Ele só terá validade quando cada bola no poste valer 0.25 gol. Até lá, convenhamos, bola na trave vale tanto quanto arremesso lateral: nada.


O Coritiba, é verdade, fez um primeiro tempo à la Marcelo Oliveira. Jogou retrancado, na base do chutão. Arrisco dizer que o goleiro Wilson – que goleiro – foi o principal articulador das jogadas ofensivas do time. Não é preciso dizer mais nada. A ideia era jogar no erro do adversário. Longuine, que não era mais que torcedor com acesso privilegiado ao gramado, cobrou falta e Werley desviou para o fundo das redes. Ia dando certo, até o erro clamoroso de Daronco na metade final do segundo tempo.


O prejuízo para o Coritiba ainda é incalculável. Uma ideia mais correta teremos, apenas, após a última rodada do Campeonato Brasileiro. E Daronco? O homem que, mesmo bem posicionado no campo, cometeu um erro capital? Com ele nada deve acontecer. O erro acontece em jogo de dois clubes marginalizados no futebol brasileiro. Coadjuvantes e nada mais. 


Ouvi, ontem, de uma pessoa muito próxima e maluca por futebol que o tesão pelo Campeonato Brasileiro deste ano acabou neste domingo. “Jogadores ficam treinando duas semanas, você fica na expectativa todo esse tempo para chegar um cara e arruinar tudo? O pior: saber que não vai acontecer nada”. Com essa frase de lamento essa pessoa despediu-se do futebol ainda em setembro.


Assim o futebol brasileiro vai perdendo credibilidade. Vai perdendo torcedores e deixando fãs de lado, que buscam sem dificuldades outras opções de entretenimento neste sem fim de possibilidades ofertadas ao cidadão hoje em dia. 


Com a credibilidade próxima de um telecatch, o futebol brasileiro vai se afastando cada vez mais do seu torcedor, assim como da realidade. Quem diria, na década de 80, que a seleção brasileira não despertaria mais sentimentos no torcedor? Quem poderá lembrar, daqui alguns anos, como o Brasileiro despertou emoções em milhões de pessoas?


Sem credibilidade, não há esporte. Apenas entretenimento. E AtleTibas, meus amigos, é muito mais que entretenimento. Ou pelo menos foi um dia.