Coxa 2 x 0 Chape: um jogo, três marcos

Um jogo com pouca repercussão. Na TV, Grêmio x Galo. No rádio, Bahia x São Paulo. Na outra rádio, Palmeiras x Atlético-PR. Coritiba x Chapecoense só interessava basicamente aos torcedores dos dois times. Ainda assim, foi um jogo pra deixar marcas históricas.


Antes de tudo, este foi o primeiro jogo da Chape no Couto desde o jogo que nunca aconteceu ali. No último 7 de dezembro, após uma semana de homenagens aos jogadores vítimas do acidente, o Couto também devolveu a Chape ao futebol. Além do carinho demonstrado, a arquibancada pulsante do Major Antonio Couto Pereira certamente injetou novamente o futebol nas veias da Chapecoense. Vi torcedores catarinenses agradecidos, e creio também que a temporada de 2017 do Verdão é um processo de renascimento iniciado naquele dia.

Falando em Major Antonio Couto Pereira, outra marca da partida é o novo uniforme do Coxa. Eu não sou muito fã dos invencionismos na terceira camisa, mas a manutenção do verde me agrada. E, particularmente, a alusão ao Exército é muito simbólica. Eu estudei no Colégio Militar, ao qual sou muito grato até hoje. Lá, conheci duas faces do Exército: a ruim, que durou de 1964 a 1985, e a boa, que é a instituição atualmente. Já naquele fim dos anos 90 percebi que os militares - ao menos os mais próximos de mim - aprenderam bastante com o período escuro que o país viveu e sabem que ainda existem cicatrizes da época. Nem por isso deixam de lado seus valores de pátria, honra, dever e disciplina ao formar novos cidadãos.


No jogo em si, convido o leitor a tentar prestar atenção novamente ao gol de Alecsandro. Especialmente, à comemoração do gol. Não era novidade ou segredo que, ao marcar um gol, ele faria essa comemoração. Mas meus senhores, aquela é a careta do pai dele. Careta que o pai dele imortalizou com essa mesma camisa. Mais de 30 anos depois, no mesmo lugar, para as mesmas pessoas, o filho de Lela repete o gesto do pai, frente à mesma massa enlouquecida. Não me interessa o quanto demorou para sair esse gol. A comemoração é marcante e emocionante.


Eu disse que eram 3, mas dá pra destacar um quarto marco. O turno terminou com o Coxa na primeira metade da tabela. Ouso dizer que isso é tão impressionante quanto o Corinthians invicto. Não tanto pelos jogadores, mas pelo clube mesmo. É difícil dizer o que foi feito de melhor pra chegar nesse ponto, já que nada de melhor foi feito. Seja como for, que o segundo turno venha com ainda mais pontos.