Do topo ao caos: outra odisseia coxa-branca

E cá estamos nós, mais uma vez, na nossa tão conhecida 17ª posição. Não importa o técnico, o goleiro, o atacante, o presidente. Entra ano, sai ano, o Coxa vira o turno orbitando a porta da ZR. A Série B olha pro Coxa como um guri com vergonha de chegar na menina que gosta, que tenta mostrar seu valor, mas no fim das contas ela acaba dando um fora nele. Ou seria o contrário?


Se 2017 vai se configurando como mais um ano de tortura, há que se lembrar que 10 anos atrás o cenário não era melhor. Em 2007, o Coxa jogou a segunda divisão. Vinha numa draga ainda maior que a atual, porque os últimos quase-fracassos somados não fazem cócega no desastre de 2005 e principalmente 2006 (quando o Coxa terminou a Série B em sexto lugar, atrás do América-RN que viria a bater recordes negativos no ano seguinte).


Aquele 2007, lembro bem, tinha um contexto bem difícil também. No começo do campeonato, alguns diziam que o Coxa corria o risco de chegar até o centenário sem subir. No fim do turno, o time ainda não figurava entre os 4 primeiros. Acabou campeão em um jogo pra lá de épico contra o Santa Cruz, no Arruda: vitória com 9 em campo e dois gols nos últimos 4 minutos de jogo.


A história foi épica o suficiente para Renê Simões lançasse Do Caos ao Topo: Uma Odisséia Coxa-branca no ano seguinte. Neste livro, o então treinador alviverde contou os bastidores que levaram àquela reviravolta. Do livro, lembro bem de, na sua apresentação ao time, parar em silêncio na frente dos jogadores. Depois de alguns segundos, disse: “não é incômodo quando você espera uma atitude de ela não vem?”.


Dez anos depois, temos exatamente o oposto do que o título pregava. Ainda há pouco, estávamos no topo, elogiados pela crítica esportiva, numa sólida terceira colocação. Doze rodadas depois, um terço do campeonato, já estamos do outro lado da tabela. E incomodados, porque não vem uma atitude de onde a gente espera. O time atua pior a cada jogo. A diretoria se cala. A torcida, impossível de ler: uma parte dela, todo ano, ajuda a levar o time a esta posição desagradável; outra parte salva o clube da tragédia anunciada. Nós, que realmente gostamos do Coxa, não merecemos isso.