Ninguém sabe o que aconteceu em Coritiba x Corinthians

Gazeta Press
Gazeta Press


A primeira coisa que eu preciso dizer é que eu não queria escrever esse texto. No jogo passado, já precisei fazer exatamente a mesma coisa: deixar o futebol um pouco de lado, pegar o problema que estampa as capas dos portais e colocá-lo em perspectiva. Eu detesto fazer isso, e só faço quando vejo necessidade.


Antes de tudo, já deixo claro que condeno qualquer violência desnecessária. O vídeo do corintiano no chão sendo chutado é realmente forte e o fato não deveria acontecer, nem mesmo após os fatos que serão levantados nas próximas linhas.


A PM soltou uma nota com o seguinte conteúdo: "Ao todo, o BOPE escoltou 38 ônibus coletivos com torcedores do Corinthians desde a chegada à Capital até o estádio, sem nenhum incidente. Outros três ônibus não acataram a orientação da Polícia Militar, deslocaram por conta própria, sem informar o itinerário à corporação, e acabaram sendo alvo do confronto entre rivais".


Além da imprudência dos coletivos, o termo "acabaram sendo alvos" é apropriado pelo que ocorreu no fim. Mas, segundo relatos e este vídeo, não foi como a coisa se iniciou. A torcida alvinegra avançou até a sede da Império. O confronto tem início na esquina da Ubaldino do Amaral com a Amâncio Moro, em frente ao Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, exatamente o local da loja da torcida alviverde. O confronto continua até a esquina com a rua Mauá, onde se passa o vídeo com o ônibus. A entrada da torcida visitante, a rua Floriano Essenfelder, é bem distante do palco de toda a cena.


Posterior à confusão, houve o atraso da entrada do Corinthians em campo. Na TV e no site, a Globo noticia que a PM retardou a saída dos paulistas do hotel em 25 minutos, por conta da briga. Mas a história não bate: eu estava dentro do Couto já às 10:30h, com uns 30% das arquibancadas ocupadas. O Corinthians fez seu aquecimento normalmente. Houve até uma comemoração entre os coxa-brancas, quando Cássio levou a mão à lombar, indicando dores. Relato do José Carlos Mazza, no twitter, que estava próximo à entrada dos ônibus no Couto, diz que ambos entraram no estádio entre 9:30h e 9:45h, com diferença de 10 minutos cada um.


Se o time já estava no estádio, não há justificativa para o atraso. Na súmula, o árbtiro diz que o Corinthians entrou às 10:59h e que não houve atraso. E o protocolo oficial? Não é tão oficial assim, então. O jogo inicou às 11:02h, segundo a súmula, em decorrência da entrada do Corinthians às 10:59h. Um não atraso que implica num atraso. Esquisito.


Outro fato que chamou a atenção foi o morto que não morreu. No intervalo do jogo, vi muita gente dizendo que a morte do torcedor foi confirmada nos rádios. Enquanto isso, o mesmo torcedor foi até fotografado nos arredores do Couto após a agressão. Ele sequer foi internado no hospital. Mas, como acontece desde o caso da Escola Base, a primeira notícia é a que fica. Pra muitos, o torcedor de fato morreu.


Eu não sei por que insisto em pedir que as informações sejam checadas antes de serem publicadas. Melhor pedir para o leitor sensato não acreditar imediatamente na primeira informação que lê, seja da fonte que for. Este texto, por exemplo, não contém verdades absolutas, mas questionamentos àquilo que se divulga como verdade. Também não sei por que querer tanto a difusão da verdade, quando o que conta mais é o interesse. Eu não sei até agora o motivo do atraso do Corinthians, mas não faz sentido que seja o motivo noticiado. Acho que nós, mortais, nunca saberemos.