Kleber Gladiador e as verdades curtas que o público alimenta

Tenho a forte impressão que o jornalismo subestima a força das chamadas das suas notícias. Desde ontem, logo após o fim do jogo, a capa de vários portais esportivos estampa que “Kleber dá soco, cotovelada, cospe em rival e é expulso”. Toda a resenha que se seguiu está pautada no comportamento de Kleber. E baseada exclusivamente no soco, cotovelada e cuspe que deu.


Ontem, Kleber recebeu 3 faltas. E um cuspe. No Coritiba, ninguém sofreu mais faltas que ele até agora – já foram 17. Chegou ao Coxa em 2015 e desde então só tinha tomado um cartão vermelho: ano passado, contra o Fluminense, por absolutamente nada. Aí, depois de um jogo fora desse padrão, já “analisam o comportamento”, falam em punição, afastamento etc. Dizem até, de forma tacanha, que "já passou da idade de fazer isso".


Até pouco tempo, Kleber precisou “gladiar” fora do campo também. Esteve envolvido em um processo sobre a guarda da filha, sobre o qual fez um post no Instagram comemorando a vitória. Tem sido constantemente capitão e artilheiro do Coritiba. Mas isso não vende clique de alguém que um dia ganhou o apelido de Gladiador.


Importante ressaltar que não estou fazendo uma defesa da cusprada. O que não aceito é que ele seja o único ponto de discussão. Quem quer punição ao cuspe de Kleber, peça o mesmo ao cuspe de Edson, anterior ao do coxa-branca. Quem quer rigor à cotovelada, que o peça também às que sofreram Matheus Galdezani e Márcio, evidentes pela TV.


O grande problema é que, pra comentar futebol hoje, não precisa assistir ao jogo. Basta ler a notícia do outro dia. E, enquanto a notícia ainda estiver lá (como está até o momento da publicação desse texto), o único fato relevante do jogo é que o Gladiador é um ser violento. Enquanto o público alimenta as verdades curtas, sem interesse no todo, não vai surpreender se apenas Kleber pegar mais 2 jogos de suspensão.