Joga por música: Coritiba não quer ser a banda de um sucesso só

Coritiba Foot Ball Club
Coritiba Foot Ball Club

Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim / Não sei porque razão tudo mudou assim


Caso algum tempo atrás me perguntassem como eu gostaria de ver o Coritiba jogando talvez tivesse dificuldade em cravar uma hipótese concreta. Contudo, se a pergunta for feita hoje, não teria dúvida em responder: deixem com o Pachequinho.


Esse time do Coritiba é uma beleza de se ver jogando. Joga por música. Há um grande elenco de compositores da bola nessa equipe. William Matheus, Galdezani, Kleber, Alan Santos e até mesmo o zagueiro Márcio. Cada qual com seu instrumento, sua forma de jogar, mas todos extremamente afinados no tom. Mais do que isso: tocam como se soubessem a próxima nota do companheiro em uma música ainda desconhecida.


A vitória contra o Palmeiras apenas reforçou essa impressão. Em que pese um primeiro tempo que não foi dos melhores, o Coxa foi evidentemente superior ao clube paulista. Os gols perdidos por Henrique Almeida e Iago fizeram com que a superioridade não fosse traduzida no placar de 1x0.


Um time moderno, que ataca e defende de forma compacta, em bloco. Lateral que sobe constantemente ao ataque. Centroavante marcando lateral no meio-campo sem que o setor ofensivo fique desassistido. Meia que aparece de surpresa nas costas da defesa após um lançamento com inversão de lado de zagueiro para marcar gol. Zagueiro que entra no lugar de atacante para atuar na lateral e liberar o jogador original da posição para atuar como uma espécie de ponta. Algo como músicos virtuosos alternando solos que formam uma grande canção. Rapaz, fica difícil marcar e prever o que fará o time.


Nesta toada, calma, bonita e segura como uma composição de João Gilberto, o Coritiba tem seu maestro. Galdezani, sem dúvida, é um dos principais destaques e surpresas desse time. Todavia, Pachequinho merece todos os aplausos da torcida Coxa e de quem gosta realmente de futebol. Com sua batuta dá ritmo ao time. Organiza sua intensidade e a clareza de cada nota.


O Coritiba de 2017 está jogando por música. Tem uma série de compositores talentosos. Tem um maestro revelação e comprometido. É um time de poucos sorrisos para fora, mas que, imagino, seja só alegria e comprometimento em seu ambiente interno. 


É verdade. Ao longo da vida já vimos uma série de sucessos repentinos na indústria cultural. Músicos e bandas de um sucesso só. Mas isso importa agora? A resposta é simples: não. Qualquer torcedor do Coxa e quem goste de futebol tem a obrigação de acompanhar esse time. Não é todo dia que surge um conjunto com essa formação no futebol brasileiro. O Coritiba, gostem ou não, hoje é o grande sucesso e só nos resta aproveitar essa fase.