Coxa: as credenciais de quem venceu Atlético-GO e Vitória

Coritiba Foot Ball Club
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É libertador parar de tentar se convencer de certas coisas na vida. Por exemplo, 'O Fabuloso Destino de Ameliè Poulain' é um saco. Também é um saco ver essas verdades definitivas (a moderna lacrada) aparecendo na terceira rodada do Brasileiro. Foi assim com o Santa Cruz ano passado, quando todo mundo pedia pra ser um "exemplo a ser seguido". Na verdade, eu me divirto com essas afirmações. Igual a Ameliè Poulain se diverte colocando a mão no saco grande de grãos.


Dita a analogia, vamos à obviedade: o Coxa está longe de uma boa campanha. Todo mundo está. Se faltasse um turno inteiro, ainda estaríamos. O que o Coxa tem hoje são 6 pontos em 3 jogos bem jogados. Pra um time com o histórico recente do Coxa, é algo considerável, sim. E também algo instável, porque daqui 3 jogos muita coisa pode mudar.


A questão é: o que dá pra tirar desses 3 primeiros jogos? Quais são as credenciais do Coxa neste momento?


O líder Corinthians jogou fora de casa contra Vitória e em casa contra Chapecoense e Atlético-GO (não, não tá errado, o jogo em Goiânia foi na prática mando do Corinthians). O Cruzeiro venceu o São Paulo em casa e o Santos fora, além de um empate com o Sport em Recife. Na minha visão, não são os mesmos 7 pontos: o Cruzeiro passou por desafios mais difíceis que os do Corinthians pra chegar onde está.


Os 6 pontos do Coxa vieram contra Atlético-GO e Vitória. Pode ser um parâmetro fraco, considerando o que os dois times apresentaram até agora. Mas há uma boa comparação com o próprio Corinthians: jogando com torcida a favor, eles fizeram 1-0. Jogaram melhor, mas Cássio precisou salvar o placar aos 49 do segundo tempo. Aqui, vimos uma imposição completa. Contra o Vitória, os dois tiveram enredos parecidos: jogo lento, decidido no segundo tempo. A diferença foi nos primeiros 45 minutos, quando o Coxa incomodou mais que o Corinthians.


Tomando o Santos como parâmetro de comparação, podemos olhar para o outro líder, o Cruzeiro. No placar está evidente, nós perdemos e os mineiros ganharam. A vitória deles veio com 14 chutes ao gol e 12 sofridos. Nós, na Vila Belmiro, chutamos 23 vezes e permitimos apenas 7. Volume de jogo não pontua na tabela, mas, convenhamos, projeta mais pontos pro futuro. Afinal, é mais provável ganhar um jogo de 23/7 chutes a gol que um de 14/12.


Então, se tem uma coisa que dá pra afirmar hoje, é que o Coxa não deve para os líderes. Por outro lado, o melhor adversário que enfrentamos é hoje o 15º colocado. Há muito a que se provar em campo. Mas o caminho até aqui está correto: dominar todos os adversários, vencer sempre os mais fracos, incomodar os mais fortes. Podemos, enfim, estar falando de um ano competitivo.