Seja bem-vindo, Paraná Clube; Atlético nem tanto

Gazeta Press
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Já conheço os passos dessa estrada / Sei que não vai dar em nada / Seus segredos sei de cor / Já conheço as pedras do caminho / E sei também que ali sozinho / Eu vou ficar tanto pior


O Paraná Clube recebe nesta quarta-feira (24) o Atlético Mineiro, em jogo válido pela Copa do Brasil. Ora, mas o que isso tem com o Coritiba? Tudo. O jogo será realizado no Monumental do Alto da Glória, o estádio de maior tradição no futebol paranaense e, de minha parte, desejo que o time da Vila Capanema seja muito bem-vindo ao nosso lar.


Meu pai, desde pequeno, bateu na tecla de que “a gratidão é a virtude que abre a porta para todas as outras” e eu serei eternamente grato ao Paraná Clube. Em 2010, quando o Coritiba era o Judas da vez, foi da Vila Capanema que surgiu o primeiro sopro de solidariedade ao Coxa.


Naquele momento, bater no Coritiba não era uma opção, era praticamente uma obrigação. As cenas de violência protagonizadas na última rodada do Brasileirão de 2009 nos deixaram temporariamente sem o gigante de concreto armado. E violência, meus amigos, violência choca. Não só choca como rende notícias e, como bem sabem os produtos de Holywood, também dá audiência. Seja na televisão, rádio, jornais ou na internet. Um verdadeiro massacre midiático que, não tenham dúvidas, rendeu muito dinheiro. Afinal, audiência é sinônimo de recursos financeiros para a mídia de forma em geral.


Portanto, quando bater no Coritiba como instituição era a regra, o Paraná Clube rompeu a barreira do senso comum e abriu as portas da Vila Capanema. Confesso, mais do que um local para jogar, aquele momento foi de sentir o amparo de qualquer coisa que fugisse do Alto da Glória. Não esquecerei.


Ah, mas emprestamos o estádio para eles e os banheiros do Couto Pereira foram quebrados. Ora, ora, meus amigos. Esta é uma questão que deve ser discutida entre ambas as diretorias. Não podemos, a exemplo do que fizeram conosco em 2009/2010, generalizar a partir de uma minoria. Desta forma, de minha parte, sempre desejarei receber e receber muito bem o Paraná Clube no Alto da Glória.


Mas e o Atlético Paranaense? Essa foi a pergunta feita por um torcedor do rival em uma mídia social. A fez de forma irônica, por óbvio. Afinal, na opinião dele, se eu era favorável ao empréstimo para o Paraná Clube, por que não seria para o time rubro-negro? A resposta é tão simples quanto singela: na atual condição, não.


Mas por qual motivo? Enquanto o atual dirigente máximo do Atlético Paranaense for Mário Celso Petraglia, fica complicadíssimo avançar em qualquer negociação. Não precisamos ir muito longe. Ainda neste ano o clube da baixada negou a carga mínima de ingressos à torcida do Coritiba em um clássico disputado na baixada. Podemos lembrar de inúmeros episódios semelhantes, como por exemplo, quando nos foi negado o direito de receber a taça de campeão paranaense de 2008 no estádio do rival. Ou quem sabe a tentativa de obrigar um aluguel quando seu estádio estava em reformas.


Mas, talvez, a pergunta a ser feita pelos torcedores do rival não é exatamente se um torcedor Coxa toparia, de bom grado, emprestar o Couto Pereira para o Atlético. O questionamento que eles deveriam fazer, a si próprios e a direção do seu clube, é por que a insistência com o Couto Pereira? Não consigo me recordar de uma só vez que tenhamos sequer pensado em pedir a Baixada por empréstimo. Já do lado deles, sem muito esforço, é possível recordar algumas vezes na última década.


Fosse atleticano – o que graças ao meu pai, não sou –, estaria mesmo curioso por saber qual é o motivo de tanta fixação com o Alto da Glória, seja por parte da minha torcida ou dos meus dirigentes. Mas, como sou Coxa, só posso dizer no momento: seja bem-vindo, Paraná Clube e receba a renovação dos meus votos de gratidão por ter aberto suas portas quando tudo parecia fechado para nós.