O problema não é o ASA ou o Jotinha. É o Paraná

O ano de 2017 chegou apenas ao seu 72º dia hoje. Ainda faltam mais de três quartos de ano pela frente, mas a lista de resultados ruins do Coxa já é respeitável: perdemos pro ASA, Cianorte e pro reserva do Atlético-PR. Além disso, não conseguimos vencer Cascavel, Vitória da Conquista e, no último sábado, o J. Malucelli. A cada um desses resultados, um fantasma surge na minha mente. Um fantasma tricolor.


Quando era moleque, eu tinha duas impressões bem claras quanto aos times paranaenses no Brasileiro: só um conseguia ir bem por ano, e o Paraná era o único que ameaçava ser rebaixado. Comecei a acompanhar de verdade o campeonato em 96, quando o único time a se classificar pro mata-mata foi o Atlético.


O ano seguinte foi do Paraná, que chegou a liderar o campeonato (e do envolvimento do Atlético no Caso Ivens Mendes). 98 foi o nosso ano, e o Paraná começou a saga contra o rebaixamento. 99 foi mais do Atlético, e o Paraná foi rebaixado pela controversa média de pontos; foi tão contestado que nem teve Brasileiro no ano seguinte, então meio que não valeu.


Na Copa João Havelange (blergh), o destaque foi o Tricolor. 2001 a gente pula, não interessa. 2002 o Coxa foi o melhor de novo, e o Paraná começou a criar a pecha de time craque em não cair. 2003 foi última vez que o Coxa foi pra Libertadores. O destaque de 2004 foi o Atlético, com o Paraná segurando a lanterna algumas vezes e, mais uma vez, se segurando. Tanto é que, quando o Coxa caiu em 2005, eu dizia que faltou um pouco de “paranice” pra saber como segurar o tranco nas últimas rodadas. Em 2006 o Paraná foi pra Libertadores (?!). E, finalmente, caiu em 2007.


Essa saga de quase cair é familiar pra nós hoje. E outras coisas da Vila também são.


Uma é o patrimônio. O Paraná, como diz o hino, nasceu gigante. Mas foi se desfazendo de suas propriedades, fazendo negócios absurdos (como o aluguel do Pinheirão e o caso do Thiago Neves). Por aqui, a gente tem um espaço em Campina Grande que deveria ser um CT mas é no máximo um latifúndio. O nosso estádio é tratado como troco por todas as gestões, sempre prometendo modernidades megalômanas quando poucos times do mundo têm algo como o Couto.


Outra coincidência são as gestões. Cá, como lá, tem o torcedor que quer ver seu time bem a todo custo. E tem o que coloca a mãozinha no queixo e fica pensando no melhor jeito de mostrar como o seu amiguinho é a melhor opção na próxima eleição – e, via de regra, a derrota do time é alimento pra isso. O exemplo claro é José Carlos de Miranda, o homem que, pra mim, é principal responsável pelo estado do Paraná hoje. Ele chegou ao poder por vias muito parecidas com as que a gente vê grupos coxa-brancas tomando hoje.


A história não mente. Quando se conhece o que aconteceu, é mais fácil lidar com o presente e prever o futuro. Se nada mudar drasticamente no Coritiba, a eterna Série B que o Paraná vive hoje será a nossa realidade. E quando eu falo em mudança no Coritiba, não falo na gestão. Falo em todos os mundos, inclusive a torcida. A torcida que aplaude vitória do adversário e chute pra fora no fim do jogo é a mesma que se movimenta politicamente. E é a mesma que pode “paranizar” o Coxa.