Atletiba: Testemunhas da morte no Couto

Gazeta Press
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Torcida do Coritiba presente na Arena da Baixada


Quem acompanhou a bizarrice de ontem na Arena da Baixada talvez não saiba que algo ainda pior aconteceu. A torcida do Coritiba se reuniu no Couto por volta das 14h para ser escoltada pela Polícia Militar até a Baixada. Antes mesmo da caminhada começar, um tiro foi disparado. Atingiu um jovem de 15 anos no peito. Ele foi levado ao Hospital Cajuru e morreu antes de o jogo começar.


A versão da PM está disponível a quem tiver interesse. O site da Banda B traz a declaração da assessoria da PM. Confirmou o disparo, diz ter sido acidental e também afirmou que o sargento foi afastado das atividades até que o inquérito seja concluído.


O que você não acha com a mesma facilidade é a versão dos torcedores que testemunharam a cena no Couto. Pedi, então, o relato de três torcedores, e convido outros presentes a comentarem aqui no texto suas versões. As três que seguem são bastante semelhantes:


"Eu estava mais ou menos perto. Não cheguei a ver o menino nem nada, mas estávamos de boa esperando a caminhada começar. Aí a viatura da PM passou pelo meio da galera, pedindo pra afastar, pra ela chegar até o início da galera e começar a escolta. Quando ela tava chegando quase no início do pessoal, ouvi um barulho. Passando uns segundos, mais um barulho, de tiro de bala de borracha. Nesse segundo, começou uma correira, Mais dois minutos, todo mundo juntou de novo e a caminhada começou. Andando pela rua, vi a poça de sangue. Aí seguimos até a Arena, mas até então ninguém sabia que o menino tinha falecido. Pela rapidez que removeram o corpo, parecia que ele tinha apenas se ferido", diz Carol Souza


"Eu tava a uns 2 metros do cara. Tavam organizando a saída da escolta, agrupando a galera. Aí o carro da polícia tava passando pelo meio da galera pra chegar lá na frente, do nada ouvi um disparo e fumaça. A gente se afastou um pouco, e eu vi o piá no chão, com sangue. Foi do nada mesmo. A torcida nem tava cantando na hora. Tudo normal. Depois que o piá caiu, uns caras que viram ficaram putos com os PMs e começaram a xingar. Jogaram lata e mais coisa. Quase deu uma merda maior daí. O policiais colocaram o moleque na viatura e saíram no pau. Durante a escolta, os caras jogavam a moto na galera. Um não conseguia controlar o cavalo que tava assustado e ficava dando coice no ar. O tiro foi foda, o cara atirou de dentro da viatura", afirma João Vitor Collita


"Como todo clássico, torcida estava reunida na rua da loja da Império em um bloco só ocupando o espaço. Todos nós que iríamos partir para a caminhada até a Arena já estávamos prontos esperando a PM liberar. Só que no momento o efetivo era muito baixo e havia no máximo seis ou sete PMs orientando. Até que no meio da multidão aparece uma viatura dando sinal de alerta pedindo passagem, e no mesmo instante todos foram abrindo caminho. Só que chegando já no fim é feito um disparo sem mais nem menos, e todos começaram a gritar para que a viatura parasse, pois o menino havia sido atingido. No momento abriu aquele espaço, e como eu estava a 3 metros deu pra ver o piá desacordado. Como ele estava sem camisa, já deu para observar que o disparo tinha sido por uma arma letal, pois havia muito sangue. Aí pra finalizar a PM pega o menino como se fosse um cachorro morto e jogam no camburão de qualquer jeito e sai sentido hospital", aponta Lucas Souza


Eu não estava lá, mas as informações parecem suficientes para levantar algumas perguntas. Por que o policiamento armado em uma escolta de torcida? Quão acidental é um tiro com uma arma apontada na direção da torcida? O afastamento do PM que atirou será a única medida tomada? Vários já morreram assim, quantos outros ainda morrerão até que algo mude significatvamente?